Anos 80, uma loucura bicho! Um paralelo entre ‘Bingo – O Rei das Manhãs’ e ‘Samantha!’

Anos 80, uma loucura bicho! Um paralelo entre ‘Bingo – O Rei das Manhãs’ e ‘Samantha!’

Como diria o Luciano Huck: “LOUCURA, LOUCURA LOUCURA”

A TV Brasileira passou por diversas transformações ao longo dos anos, ainda é um dos meios mais lucrativos e rende milhões em comerciais e produções que já se equipara com as de Hollywood. Mas os anos 80/90 da TV brasileira foram uma verdadeira loucura, e tudo, TUDO era válido em busca da audiência. Recentemente tivemos duas obras que contaram um pouco do surrealismo televisivo: Bingo – O Rei das Manhãs (2017), que é o retrato da ascensão e queda do ícone palhaço Bozo; e Samantha! (2018), que foi de princesa kid à uma adulta sem sal, é que particularmente considero um biografia não autorizada da cantora Simony.

Bingo é a cinebiografia de Arlindo Barreto, o primeiro Bozo, e conta a trajetória do ator ao estrelato como uma das figuras mais importantes das manhãs do Brasil. Regado à festanças, mulheres bonitas seminuas e muita droga, o filme é construído para retratar não só a história do Arlindo, mas também para traçar uma linha do tempo importante para a TV brasileira nos anos 80, onde tudo era possível! Inclusive Gretchen dançando e cantando “La Conga” com roupas curtas.

Já Samantha! conta a história da personagem de mesmo nome que fez um grande sucesso durante a infância, apesar de ser uma criança totalmente pedante e arrogante com seus colegas de grupo. Quando cresceu, Samantha se aproveita do resto de sucesso que lhe resta se apresentando em casas de show durante à noite para as fãs mais fervorosas, ou seja, a decadência chega para todos. Digo que a série da Netflix é uma biografia não autorizada da ex-cantora do Balão Mágico (na série Os PlimPlons) Simony pela grande coincidências dos fatos que sucedem a narrativa, inclusive do marido (haha).

Fazendo uma pesquisa rápida no Google sobre os anos 90, usando as palavras chave que compõem a época, dá pra perceber a verdadeira loucura que era. A guerra da audiência nos domingos ficava por conta de Faustão e Gugu. As manhãs ficavam por conta do quarteto de mulheres: Angélica, Eliana, Mara Maravilha e Xuxa que acumulam muitas gafes e momentos um tanto quanto pesados na grade.

https://www.youtube.com/watch?v=JLiPhRqr550

A verdade é que não existia limites e vemos isso muito bem nas duas obras que dão título a esse texto. Além da vida conturbada de Bingo (Arlindo), vemos também a realidade, e como as crianças já não tinham papas na língua naquela época. A sexualização infantil não era uma problemática muito discutida, já que a maioria aparecia seminua em propagandas de produtos, inclusive existe uma história bem obscura num filme de 1982 de Xuxa com um garoto, que acaba tendo uma cena de sexo! Sério, é muito estranho!

Ainda dentro da perspectiva infantil nessa época, vemos Samantha! fazer comerciais de cigarro (o mascote do programa é uma carteira de cigarro), cerveja e etc. Outro exemplo de sexualização é o de mulheres que se envolviam em tantas situações constrangedoras, como por exemplo a banheira do Gugu. Que consistia, basicamente, em uma mulher e um homem, ou duas mulheres numa banheira cheia de sabão em busca de um sabonete. PS : as mulheres usavam biquíni. O programa do Gugu foi um antro de outras brincadeiras que envolviam nudez constante, outro exemplo são as camisetas brancas molhadas.

O cômico é que a TV brasileira não deixou de explorar a sexualidade das pessoas, as novelas ainda tratam disso sem o menor cuidado e se escondem num discurso de militância, mas acabam APENAS reforçando estereótipos e preconceitos para um público que não se preocupa em saber e nem ao menos pesquisar sobre o assunto, sendo um meio de manipulação né mexmo? O que os meus pais e provavelmente os seus pais viveram na TV aberta, estamos vivendo atualmente na internet (Youtube, Instagram e Facebook). Um conteúdo que não trás o mínimo de relevância e não agrega em nada, mas a busca por likes, comentários e mimos é constante fazendo com que esse produtores de conteúdo matem e morram por patrocínio e dinheiro. A banheira de espuma de ontem, é a banheira de Nutella de hoje.

Falando de algum lugar no universo - Vinicius Cerqueira

Estudante de Jornalismo e vidrado em cinema, Vinicius ou Vini para alguns escreve sobre cinema e séries de TV às vezes com um tom ácido e totalmente irônico.

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