Mentes Sombrias – É mais um entre tantos

Mentes Sombrias – É mais um entre tantos

A cabine de hoje foi sobre Mentes Sombrias (The Darkest Minds, 2018), e eu não sei se eu era o melhor integrante do site para fazer a resenha dele.

Poster oficial

SINOPSE

De repente, crianças começam a sofrer ataques convulsionantes indiscriminadamente. Boa parte delas morre, mas as que sobrevivem, adquirem poderes sobre humanos (telecinese, manipular eletricidade, ler mentes, o de sempre). Esses indivíduos são catalogados por cores, que indicam a periculosidade dos seus poderes. Ruby (Amandla Stenberg) tem um poder do tipo laranja, mas consegue se passar por uma verde durante 6 anos. Surge a oportunidade de fugir, e agora ela tem que se esconder no mundo fora campo de concentração.

Ruby (Amandla Stenberg) com sua roupa verde, deitada numa maca de hospital. A Dra.. Cate (Mandy Moore) está sentada ao lado da maca, observando-a com uma lanterna.
Vei, acorda.

AVISO

Antes de mais nada, é importante dizer uma coisa: eu NÃO SOU o público alvo desse filme. Então, se você ler meu texto e discordar de tudo, ou até mesmo concordar mas ainda assim gostar de Mentes Sombrias, de boas. Não se sinta mal, nem me odeie.

Liam (Harris Dickinson), em close, olhando para o lado
É sério, man?

CLICHÊS

É comum que eu comente que filmes tem clichês, e que não necessariamente isso é ruim. Na resenha de Megatubarão  foram citados quase que como elogio. Na de M:I – Efeito Fallout foram valorizados com ressalvas. Então, qual é o lance dos clichês? Quando são uma boa ideia? Do meu ponto de vista, é quando o filme em questão não se propõe a ser uma grande novidade no gênero, ou quando é usado em sentido de homenagem à uma linguagem. Ou ainda quando é uma estrutura tão comum (exemplo, Jornada do Herói) que não chega a ser exatamente um problema, é só mais um recurso narrativo.

Quando eu vejo um filme que se propõe a ser um novo nome num gênero já tão explorado em tão pouco tempo (distopias adolescentes), lançado após o boom, eu espero que ele tente se afastar um pouco mais desses padrões, para tentar se destacar. Não é o que acontece, Mentes Sombrias é só mais um.

(Não é exatamente um problema, claro. Fãs do gênero devem gostar bastante.)

Todos os heróis, numa floresta, olhando para o chão com aparente felicidade.
Só os tops

PROBLEMAS

Repetindo uma frase que eu gosto de usar, “todos os clichês vieram pra esse evento”. E nesse caso, todos MESMO. Diversos momentos, tentei montar um gráfico na minha cabeça com 3 eixos, para Harry Potter, Crepúsculo e Jogos Vorazes, e tentei encaixar Mentes Sombrias em algum ponto dele. A heroína escolhida com um poder especial que meio renega, meio precisa aprender a lidar com ele; o par romântico lindo de morrer que faria de tudo pela protagonista (e vice-versa); o amigo super inteligente que resolve os problemas, e ao mesmo tempo é o “engraçado”; a amiga mascote, fofinha, mas superpoderosa; o vilão / sistema totalitário; o inimigo que finge ser amigo; jovens especiais; a desconfiança total em adultos; uma terra prometida de segurança para os especiais; o sacrifício em prol dos amigos (esse inclusive vem toda hora); as baladinhas como trilha sonora… é um show. De novo, se você gosta, vai amar.

Pior que isso, muitos deles são mal executados. O romance principal surge meio que do nada, não convence. Muitas “tretas” que eles se envolvem são facilmente evitáveis (ainda mais para um grupo num estado de vigília constante como eles estão). Algumas atitudes você fica “cara… Não era MAIS FÁCIL se você fizesse X, Y ou Z?”.

Liam, Bolota, Zu e Ruby dentro de uma sala, onde podemos ver muito lixo no chão, e uma especie de arco feito de carrinhos de supermercado, que vai dar na porta de saída. Os heróis estão à frente do arco
Isso me lembra, a cena do vestido… Puta merda.

É TUDO UMA MERDA?

Então, não. Coisas bacanas acontecem. Os efeitos especiais são bons. Mentes Sombrias é bem diverso, no sentido representatividade. A diretora é mulher, pra começar. O grupo principal, de 4 integrantes, é composto por duas mulheres e dois homens; 2 negros, um branco e uma asiática. Ainda falando deles, o “amigo inteligente” Charles / Bolota (Skylan Brooks) já é conhecido de quem assistiu The Get Down, onde ele manda bem. Aqui ele é excelente e muitas vezes rouba a cena. A protagonista Ruby (Amandla Stenberg) é uma pedra a ser lapidada (piada intencional). Imagino que, com os papéis certos, vamos ver coisas muito boas dela no futuro.

O fato das crianças serem segregadas por suas cores (no caso, referentes às suas habilidades) é uma metáfora muito interessante. E permite que falas sejam transplantadas do filme para a vida real. E falando em metáforas, há momentos em que personagens preferem deixar de lado seus poderes para preservar pessoas. Ao mesmo tempo, alguns usam seus poderes de maneira extremamente invasiva e nociva. Como não amar essas cenas?

Ruby e Liam sentados numa cama (vestidos, seu tarado), se olhando
A gente tem sempre que largar a real, vê se não esquece

FINALIZANDO

O gênero de distopia, onde jovens são especiais e, por isso, são oprimidos por adultos, é muito apelativo para o público-alvo. Mentes Sombrias segue totalmente essa linha, mas infelizmente é fraco demais para se destacar. Então, sofre por não ter sido lançado no boom desse gênero. Se você não gosta, passe longe. Se gosta, pode ficar dividido.

Uma companheira de cabine disse “tanta distopia boa para adaptar… Eu poderia ter dormido mais hoje”. Uma companheira de site disse “eu amo tipo distopia, senso de família que vai além do sangue, amizade, poderes então fiquei toda feliz”.

E eu digo que, se você estiver curioso, deixe pra assistir em casa. Economize essa grana.

Ruby, em pé na escuridão da noite, com uma forte luz de fundo, e com partículas ao seu redor (lembra neve)
Perae… É o que, rapaz????

Abraços a todos, se gostaram do texto, comentem aqui embaixo. E se odiaram, deixem seu ódio nos comentários também. Abraços, e até o próximo.

P.S. – Pode Spoiler

Porque o nome é Mentes Sombrias, afinal?

Caraca, o que foi a cena do vestido…?

Mais uma vez a Brienne sendo subutilizada, né?

Ruby fazer o Liam esquecer de tudo foi muito escroto.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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