A Freira – Quebra essa feitiçaria, senhor…

A Freira – Quebra essa feitiçaria, senhor…

Quando a cabine é de um spin-off ou continuação, se der tempo, eu gosto de (re)ver os filmes que o originaram. Dessa vez era A Freira, então fui rever A Invocação do Mal 2. E enfim, comecei a ver mais filmes de terror pra perder o medo, porque sempre fui muito impressionável. Segunda-feira fui ver com o Mozão, e com Mozão do lado a gente não tem medo de nada.

Mas a gente não terminou, e terça eu vi o resto do filme sozinho. Digamos que foi mais difícil pra dormir. Mas deu pra ir conferir A Freira sem problemas.

SINOPSE

Uma abadia na Romênia recebe a visita de um padre e uma noviça. Eles pretendem investigar os horrores presenciados pelas freiras do local.

Em primeiro plano, Frenchie (Jonas Bloquet), Irene (Taissa Farmiga) e Burke (Demián Bichir), de costas, olhando para a abadia (em terceiro plano). Entre eles, várias cruzes fincadas no chão.
Alguma duvida de que vai dar ruim???

DO DIABO

A série de filmes iniciada pelo primeiro A Invocação do Mal se tornou, na média, um símbolo de bons filmes de terror. Os plots costumam ser interessantes e, mesmo com clichês, em geral eles são bem usados, o que os torna bônus, não ônus.

Então vou começar a comentar pelo o que eu não gostei, que são (eles mesmos!) os clichês. O filme é óbvio DEMAIS. Você já sabe o que esperar a cada traveling de câmera, a cada cena que enquadre o personagem e muito espaço vazio ao lado. E a sonoplastia entrega todos os sustos. Sem contar o que, pra mim, é o pior dos clichês em filmes de terror: personagens burros. Já caiu numa armadilha uma vez? Vai cair noutra por quê? Já não sabe que é uma má ideia se separar das pessoas? Por que tá entrando sozinho nesse corredor?

Outra coisa, que é curiosa que incomode: a série sempre lidou com o sobrenatural. Com demônios, invocações e etc, mas sempre trouxe esses elementos para o mundo real, para o crível. Nesse filme é onde mais somos puxados para a fantasia, com rituais mais explícitos, relíquias sagradas. Inclusive, o grupo de personagens principais lembra um grupo de RPG, não “pessoas normais”. No final, isso não acaba agregando à franquia, pelo contrário.

Nesse filme, o diretor tradicional da série, James Wan, deixa a cadeira de direção e vai para o roteiro, sendo substituído por Corin Hardy. E é difícil, de posse dessa informação, não pensar que é aí que o filme perde. As decisões de roteiro são, realmente, mais apelativas, mais “massa véio” do que a série costuma trazer.

Irene (Tassia Farmiga) andando por um corredor da abadia. A luz vem de um candeeiro em sua mão. A noviça está ao centro da imagem, andando para a esquerda, enquanto olha para uma parede. No caminho pelo qual passou, vemos vários crucifixos pendurados.
Ok, ideia ruim, volta.

DE JESUS

Ainda citando mudanças no elenco técnico, o antigo diretor de fotografia também sai, e dá lugar a Maxime Alexandre. Porém, quase não se sente. Apesar da clara mudança de cenário afetar muito o visual, as capturas ainda são belíssimas. A trilha sonora é óbvia? Sim, é. Talvez por isso mesmo ela funcione bem.

Os sustos são óbvios. Mas não deixam de cumprir o papel. Inclusive, parabéns à produção pelas locações e tudo mais.

Em última instância, o papel de um filme é entreter. E A Freira cumpre bem o papel. Vai te divertir, e vai te assustar.

Irene (Tassia Farmiga) e outras freiras da abadia, na nave central da capela, de joelhos, orando.
Vamo rezando ai, meu povo…

TRISTE

No final, não se enganem, A Freira é um bom filme de suspense / terror. Porém, a série que ela faz parte, com o primeiro A Invocação do Mal, e Annabelle 2, nos fez esperar MAIS  de um filme. Ainda mais nesse, que se propôs a trazer a história pregressa de um dos personagens mais instigantes, o demônio disfarçado de freira. Ainda vale o ingresso, mas recomendo que baixem as expectativas.

Abraços a todos, até a próxima!

A Freira (Bonnie Aarons) passando pela abertura de uma porta, no escuro.
VADE RETRO!!!

MAS ANTES…

Ah, uma novidade. Vou tentar gravar, agora, toda vez que sair de uma cabine, um áudio curto, esquema mini-podcast, com minha impressão sobre os filmes. Nesse de hoje, eu estava com meu amigo Matheus Magalhães (vulgo Theus Stremens). Vocês podem ouvi-lo nesse link).

Padre Burke (Demián Bichir), com um crucifixo de metal em riste, gritando uma oração
Porra padre, ajuda aqui, na moral…

MOMENTO P.S. (PODE SPOILER)

  • Nesse filme, também vemos o nome do demônio Valak espalhado pelo cenário. Dessa vez é mais simples, a placa do caminhão onde o padre Burke (Demián Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) quase perdem sua bagagem.
  • Inclusive, perceberam os nomes? Tassia é a irmã mais nova de Vera Farmiga, a Lorraine Warren!
  • O padre Burke é a grande decepção do filme. Não faz quase NADA direito! Você era o Wolverine do filme, padre…! Que decepção.
  • E que mania é essa que essas pessoas têm de se separar? Não tá vendo que o diabo tá solto, vai andar sozinho no escuro pra quê, seu capeta??
  • Falando em demônio, a atriz que interpreta a freira é Bonnie Aarons e …. olha, tô pra ver alguém que se encaixe tão bem assim num papel.
  • O demônio Valak realmente existe na mitologia do mundo real, mas parece bem diferente dos horrores que vemos nas telas. Dá uma lida.
A freira (Boonie Aarons) em imagem promocional. Parada, em pé, com mão direita levemente levantada à altura da cintura, olhando para você.
Boa noite, durmam bem.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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