Quando a cabine é de um spin-off ou continuação, se der tempo, eu gosto de (re)ver os filmes que o originaram. Dessa vez era A Freira, então fui rever A Invocação do Mal 2. E enfim, comecei a ver mais filmes de terror pra perder o medo, porque sempre fui muito impressionável. Segunda-feira fui ver com o Mozão, e com Mozão do lado a gente não tem medo de nada.
Mas a gente não terminou, e terça eu vi o resto do filme sozinho. Digamos que foi mais difícil pra dormir. Mas deu pra ir conferir A Freira sem problemas.
SINOPSE
Uma abadia na Romênia recebe a visita de um padre e uma noviça. Eles pretendem investigar os horrores presenciados pelas freiras do local.

DO DIABO
A série de filmes iniciada pelo primeiro A Invocação do Mal se tornou, na média, um símbolo de bons filmes de terror. Os plots costumam ser interessantes e, mesmo com clichês, em geral eles são bem usados, o que os torna bônus, não ônus.
Então vou começar a comentar pelo o que eu não gostei, que são (eles mesmos!) os clichês. O filme é óbvio DEMAIS. Você já sabe o que esperar a cada traveling de câmera, a cada cena que enquadre o personagem e muito espaço vazio ao lado. E a sonoplastia entrega todos os sustos. Sem contar o que, pra mim, é o pior dos clichês em filmes de terror: personagens burros. Já caiu numa armadilha uma vez? Vai cair noutra por quê? Já não sabe que é uma má ideia se separar das pessoas? Por que tá entrando sozinho nesse corredor?
Outra coisa, que é curiosa que incomode: a série sempre lidou com o sobrenatural. Com demônios, invocações e etc, mas sempre trouxe esses elementos para o mundo real, para o crível. Nesse filme é onde mais somos puxados para a fantasia, com rituais mais explícitos, relíquias sagradas. Inclusive, o grupo de personagens principais lembra um grupo de RPG, não “pessoas normais”. No final, isso não acaba agregando à franquia, pelo contrário.
Nesse filme, o diretor tradicional da série, James Wan, deixa a cadeira de direção e vai para o roteiro, sendo substituído por Corin Hardy. E é difícil, de posse dessa informação, não pensar que é aí que o filme perde. As decisões de roteiro são, realmente, mais apelativas, mais “massa véio” do que a série costuma trazer.

DE JESUS
Ainda citando mudanças no elenco técnico, o antigo diretor de fotografia também sai, e dá lugar a Maxime Alexandre. Porém, quase não se sente. Apesar da clara mudança de cenário afetar muito o visual, as capturas ainda são belíssimas. A trilha sonora é óbvia? Sim, é. Talvez por isso mesmo ela funcione bem.
Os sustos são óbvios. Mas não deixam de cumprir o papel. Inclusive, parabéns à produção pelas locações e tudo mais.
Em última instância, o papel de um filme é entreter. E A Freira cumpre bem o papel. Vai te divertir, e vai te assustar.

TRISTE
No final, não se enganem, A Freira é um bom filme de suspense / terror. Porém, a série que ela faz parte, com o primeiro A Invocação do Mal, e Annabelle 2, nos fez esperar MAIS de um filme. Ainda mais nesse, que se propôs a trazer a história pregressa de um dos personagens mais instigantes, o demônio disfarçado de freira. Ainda vale o ingresso, mas recomendo que baixem as expectativas.
Abraços a todos, até a próxima!

MAS ANTES…
Ah, uma novidade. Vou tentar gravar, agora, toda vez que sair de uma cabine, um áudio curto, esquema mini-podcast, com minha impressão sobre os filmes. Nesse de hoje, eu estava com meu amigo Matheus Magalhães (vulgo Theus Stremens). Vocês podem ouvi-lo nesse link).

MOMENTO P.S. (PODE SPOILER)
- Nesse filme, também vemos o nome do demônio Valak espalhado pelo cenário. Dessa vez é mais simples, a placa do caminhão onde o padre Burke (Demián Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) quase perdem sua bagagem.
- Inclusive, perceberam os nomes? Tassia é a irmã mais nova de Vera Farmiga, a Lorraine Warren!
- O padre Burke é a grande decepção do filme. Não faz quase NADA direito! Você era o Wolverine do filme, padre…! Que decepção.
- E que mania é essa que essas pessoas têm de se separar? Não tá vendo que o diabo tá solto, vai andar sozinho no escuro pra quê, seu capeta??
- Falando em demônio, a atriz que interpreta a freira é Bonnie Aarons e …. olha, tô pra ver alguém que se encaixe tão bem assim num papel.
- O demônio Valak realmente existe na mitologia do mundo real, mas parece bem diferente dos horrores que vemos nas telas. Dá uma lida.

