Depois do luto das eleições de ontem, vimos um filme sobre um dos momentos que mais encheu de esperança toda a humanidade: O Primeiro Homem.
SINOPSE
Nesse filme inspirado em fatos reais, vemos Neil Armstrong (Ryan Gosling, engenheiro da NASA, e a trajetória de desenvolvimento da missão que levaria ele, O Primeiro Homem, à Lua.

SONHO
Uma das características da nossa espécie é a de se desacostumar com o lugar em que estamos acomodados. O hábito vira tédio, e queremos sair dali. Não é um fato para a maior parte do tempo, mas esses grandes movimentos, grandes saltos, foram determinantes para nossas vidas. O fato de ocuparmos quase toda a parte seca do planeta é mostra disso. E também demonstra uma limitação: quando o planeta acaba, pra onde ir?
Sair de “casa”. O sonho de ir para a Lua se tornou real quando se mostrou possível.
E a humanidade foi capaz de chegar lá…
Talvez por motivos não tão sonhadores.
Talvez nunca tenha sido.

REALIDADE
Na prática, as coisas nem sempre são belas. Isso é um dos aspectos que O Primeiro Homem tenta mostrar. O número da missão que nos levou à Lua não é Apolo 11 à toa. Muitos testes, muitas vidas, muito dinheiro foi gasto.
A motivação também nem sempre é tão bela. Viver o sonho, ou na verdade só mostrar superioridade sobre outra nação? Jogar a humanidade noutro patamar, ou servir de propaganda estatal? Aplicar o dinheiro do governo em desenvolvimento tecnológico, a troco de onerar ainda mais a população vale a pena?
O filme (e sim, ainda estamos falando de O Primeiro Homem) pega leve nessas questões. Mas não deixa de mostrar. Porque tudo isso é importante. Tudo isso é parte da aventura que foi levar alguém Lá.

PESSOAL
Sem contar provavelmente a parte mais interessante do filme, os dramas pessoais de Armstrong. E talvez a melhor personagem, sua esposa, Janet Armstrong (Claire Foy). É muito comum que, no afã de apresentarmos e reconhecermos nossos ídolos, nos esqueçamos que são humanos, tem seus desejos e frustrações, traumas e amores. E que isso também o compõe (nos tempos que vivemos, isso é muito importante).
O Primeiro Homem nos mostra como, independente de ser um engenheiro brilhante, Armstrong ainda era um esposo, um pai, e uma pessoa com traumas. E que tem que lidar nessa corda bamba, que é um companheiro fechado para as próprias emoções.
Inclusive, o trauma é algo que define quem ele é, e quem virá a ser. Uma das cenas do filme me faz questionar sua veracidade, pela beleza. Mas é tão tocante ver a saudade levada às últimas consequências…
É lindo.

BELEZA
“Lindo” define o filme inclusive. Escolhas de enquadramentos e de trilha, tanto incidental quanto musical. Um granulamento na imagem que me fez perguntar se era proposital ou se da projeção. Porque se for proposital, é muito bom para ambientação. Os figurinos também são precisos para a época, os veículos e tudo mais.
DEFEITOS
Acho que, pra mim, o grande defeito do filme é ele ser um filme. Ele te conta uma história, mas uma parte muito pequena dela. Então você pode até sair satisfeito da experiência, mas eu não consegui deixar de pensar “e as outras missões?”. “E os filhos dele, como reagiram enquanto o pai estava lá em cima?”, “Como foi ficar sozinha todo esse tempo?”, “Como é ser companheiro de equipe de alguém tão insuportável?”. “Como eles voltaram?”. De certa forma tudo é dito, de maneira quase subliminar. Mas eu gostaria de ter visto tudo isso.

RESUMO
O Primeiro Homem não é a obra mais completa sobre o pequeno passo para o homem, mas grande salto para humanidade. Porém, é certamente uma das mais belas. Fica a nossa recomendação.

MINI-CAST
Tivemos mini-cast dessa vez! E com uma participação especial, Laise, minha companheira de aventura (e de vida). Você ouve clicando aqui.
Abraços a todos, até a próxima!

