Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Na véspera da cabine, houve uma discussão para saber quem compareceria. Um dos pontos levantados era a necessidade de ter visto os filmes anteriores ou não. No final, eu tinha mais tempo livre (ou melhor, tempo mais maleável), consegui ver o original sueco e o primeiro americano antes de ir. Ficam aqui então, minhas desculpas públicas para Iza: se ela tivesse ido ver Millennium: A Garota na Teia de Aranha (The Girl in the Spider’s Web, 2018), sem ter visto nenhum antecessor, aposto que iria curtir muito mais do que eu.

Poster oficial. ao fundo, estilo marca d'água, a imagem de Camilla (Sylvia Hoeks). Na parte inferior, uma ponte vista de frente, com uma figura andando de moto. Em primeiro plano, também me marca d'água, Lisbeth (Claire Foy) em vermelho

SINOPSE

Lisbeth Salander (Claire Foy) continua sua carreira de hacker, investigadora e justiceira de mulheres contra homens abusivos. Ela recebe um “convite”: recuperar o software desenvolvido por Frans Balder (Stephen Merchant). Porém, mais do que despertar o interesse de governos pelo mundo, Lisbeth se vê nas teias de uma organização criminosa.

vistos de lado. À direita, um homem pendurado ao teto pelos pés. Na esquerda, Lisbeth (Claire Foy) está olhando para algum aparelho em suas mãos. Ao fundo, objetos caros num apartamento igualmente caro
Se você é um abusador de mulheres, não vacile quando Lisbeth estiver na área. Na verdade…. Não vacile, nem abuse mulheres. NUNCA.

BASE

A série Millenniun, tanto os livros como os filmes, sempre foram meu “Depois eu vejo”. Eu sempre soube que era muito bom, nunca ouvi nada além de elogios, mas eu deixava para conferir num outro momento. O momento chegou, eu só tinha um dia para ver antes de A Garota na Teia de Aranha. A vida cobra, e ela cobrou.

O que eu achei não me decepcionou. Vi tanto a edição original sueca, de 2009, quanto a versão americana de 2011. O que a gente acha é um filme policial que não deixa nada a dever aos contos de Agatha Christie, mas aprimorado com as tecnologias e técnicas de investigação atuais (no mínimo, atuais para a época).

A Garota na Teia de Aranha muda tanto o paradigma, com relação aos supracitados, que eu tive que buscar um resumo para ver se é coerente com os desdobramentos da série literária. E a verdade é que é, e não é.

Lisbeth (Claire Foy) usando sua jaqueta de couro, num ambiente externo com muita neve, e algumas árvores ressecadas
Essa foto foi tirada no verão sueco. Fica a dica

CARICATURA

Os elementos estão todos na tela, os personagens principalmente. Os desdobramentos é que são o problema. Lembra do meme “Pode copiar, só não faz igualzinho”? Então. Parece que temos aqui a junção desse meme aplicado a dois filmes: O Homem que Não Amava as Mulheres, e Missão: Impossível. Não só pelo fato da história agora se focar mais na “heroína” Lisbeth, mas também porque os focos em A Garota na Teia de Aranha mudaram. Ela não parece mais uma hacker super dotada, e sim alguém com o poder mágico da tecnologia. Ação tem muito mais destaque do que investigação. Os clichês são fortíssimos nesse momento. Então, o que temos em A Garota na Teia de Aranha é uma caricatura meio tosca.

Mikael (Sverrir Gudnason), sentado em sua mesa na redação da revista Millenniun, olhando para a tela do computador. Ao fundo, uma edição da revista Millenniun emoldurada, onde podemos ler "Game Over"
Ele podia só continuar na redação da revista mesmo e pronto.

ATORES

Não bastasse esses problemas a nível de enredo, a mudança de atores não ajuda nem um pouco. Claire Foy é ótima, mas já tivemos duas excelentes Lisbeths, Noomi Rapace e Rooney Mara. o mesmo vale para Mikael: Michael Nyqvist e Daniel Craig foram excelentes, e Sverrir Gudnason não só… não é bom (sendo gentil), como foi muito apunhalado pelo roteiro, sendo lançado a um papel terciário. No final, a melhor adição ao elenco foi mesmo Lakeith Stanfield, com seu Ned Needhan.

Ned (Lakeith Stanfield) andando numa sala vazia, olhando para algo na sua direita (esquerda da foto). Ao fundo, diversas pessoas estão olhando para ele atrás de paredes de vidro. Atrás, e na direita (da foto) uma sala atrás de paredes de vidro, com cadeiras, computadores, e grandes servidores
Programadores badass: o futuro

MAS

Mas assim. Se você não viu os anteriores, vai gostar bastante desse. Se gosta de grandes filmes de espionagem, como M:I e 007, também vai gostar bastante. Mas o quase retcon que a Lisbeth recebe, e essas mudanças de visão tiraram muito do brilho que A Garota na Teia de Aranha poderia ter. Honestamente? Não recomendo.

Ao fundo, uma mansão em chamas, com línguas de fogo saindo por todas as janelas. Em primeiro plano, uma pessoa (Lisbeth) próxima à sua moto, olhando o incêndio
BUUUUUUUUURN

Até a próxima, galera. Abraços!

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

1 Comentário
  1. Responder Isabel 9 de novembro de 2018

    A gente deu uma discutida sobre os filmes anteriores, que tem produção e direção melhores, ainda tô devendo rever o americano, mas já vou avisando que se eu não ia ver antes após tua crítica é que eu não vou ver mesmo xD

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