Se você adora, e está procurando, séries e filmes de investigação criminal, com muitos assassinatos sinistros, super detetives, psicopatas terríveis e violência brutal, saiba que Mindhunter não é esse tipo de produção. Pelo menos não em sua essência. Essa série é sobre isso, mas não sobre a fisicalidade dos acontecimentos, mas sobre a subjetividade implícita nas situações e personagens.
Sinopse
Estados Unidos, 1977. Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany), dois agentes do FBI, possuem um plano ambicioso em mente: desenvolver a primeira pesquisa nos EUA sobre a mente dos assassinos. Para isso, eles precisam ganhar a confiança dos detentos e superar uma série de desafios.
Adaptação
A série Mindhunter é uma criação do dramaturgo Joe Penhall, que baseia seu roteiro no livro Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano , que por sua vez é escrito por John E. Douglas e Mark Olshaker. O livro é baseado nas memórias de Douglas, que foi por 25 anos agente do FBI, e um dos primeiros a propor um estudo psicológico a fim de buscar compreensão sobre a mente de assassinos seriais. O livro apresenta uma série de quatro entrevistas feitas por Douglas e, seu mentor e colega, Robert Ressler, com assassinos já condenados. As entrevistas tinham o intuito de criar o perfil psicológico dos entrevistados.
Em termos de adaptação, muitas coisas mostradas na série são reais e outras nem tanto. Os principais casos e assassinos são reais, inclusive os diálogos nas entrevistas. Já em relação a os agentes do FBI muita coisa foi alterada. Os agentes são ficcionais, porém inspirados na vida real. Holden Ford tem sua base na figura de John E. Douglas, Bill Tench em Robert Ressler e Wendy Carr em Ann Wolbert Burgess. As diferenças aqui se dão na vida pessoal dos personagens em relação a dos agentes que os inspiraram. O que faz muito sentido pensando em termos de potencial dramático e roteiro.
David Fincher

Ao longo de sua carreira Fincher tem mostrado muito interesse em retratar e estudar o comportamento de psicopatas e sociopatas. As obras em que esses aspectos ficam mais evidentes são Se7en – Os Sete Crimes Capitais e Zodíaco. São dois filmes bem diferentes em termos de narrativa e roteiro. Mas que tem um aspecto em comum, o fato de os crimes em si não serem o principal foco, mas sim como eles mexem com as pessoas ao redor de tudo isso.
Em Se7en os assassinatos são o fio condutor, o que realmente está em jogo é a relação do assassino com os dois investigadores, e como ele vai se mostrando cada vez mais perverso e inteligente, movendo todos como peças de um tabuleiro. Em Zodíaco, mais uma vez, o que sustenta a história é como o assassino, por meio de seus jogos, consegue envolver e manipular os investigadores. Agora imaginem esse cara, David Fincher, que fez esses filmes, com a proposta de dirigir uma série sobre investigadores fazendo um estudo sobre a mente dos psicopatas mais célebres ainda vivos. Parece a junção perfeita de roteiro e direção, e realmente é.
Relações

Como disse lá no começo, essa série não é sobre os assassinatos, mas sim sobre o que leva alguém a cometer tais atos, e sobre como os investigadores lidam com isso. Tanto que nas duas temporadas nenhuma cena de assassinato é mostrada, no máximo vemos imagens da cena do crime, ou criamos a cena em nossa mente através dos relatos e descrições. Isso só funciona porque a dinâmica dos personagens é muito boa, principalmente a da dupla principal.
Holden e Bill têm praticamente a mesma expertise na leitura do comportamento humano, na dedução dos acontecimentos e na montagem dos quebra-cabeças. Mas são personalidades totalmente distintas, contrastantes e que se complementam. Para além da relação entre os protagonistas, núcleos importantes da trama são pautados pela maneira como esses personagens levam suas vidas pessoais,os relacionamentos e dilemas familiares. Isso nos aproxima mais deles, nos torna íntimos.
Entrevistados

Incrível como a figura de um psicopata, assassino serial, pode ser encantadora. Isso é estranho mas verdade. As entrevistas são uma das melhores coisas da série, e os entrevistados melhor ainda. Cada um tem uma personalidade muito distinta e única, trejeitos e manias, são bizarros e interessantes. As atuações da série são muito boas, não há ninguém que deixe a desejar. Mas as interpretações dos assassinos, são de longe as mais impressionantes, principalmente por termos uma referência da realidade. Damon Herriman interpretando Charles Manson é incrível. Toda a arrogância, segurança, superioridade, desdém e eloquência estão ali.
Em um vídeo é possível comparar a atuação de Damon com uma entrevista de Manson, os dois lado a lado, é brilhante. Mas o grande destaque, principalmente na primeira temporada, é Cameron Britton interpretando Ed Kemper. A atuação de Cameron, diferente da de Damon, não é uma reprodução fiel, que busca ser a mais próxima possível da realidade.
O que Cameron faz aqui é criar uma persona bem mais complexa e terrificante, do que aparentemente Kemper era em suas entrevistas. A forma como usa o tom de voz, a postura corporal, o piscar de olhos, é uma atuação muito sutil mas extremamente incrível. Cameron tem uma presença muito forte, quando em tela ele domina acena. E é bizarro o carisma desse ator, ele faz você simpatizar com um alguém terrível.
Ainda sobre os assassinos da série, é muito interessante pensar que o cinema criou um imaginário do que é um assassino serial. Existe muito claro no cinema a criação imagética de uma pessoa extremamente inteligente, manipuladora, muitas vezes vezes refinada, e que está sempre à frente dos investigadores. Hannibal é o exemplo mais evidente disso, e até mesmo os filmes de Fincher que citei anteriormente. Em Mindhunter os assassinos são mais humanos, mais falhos e nada glamourosos, talvez por serem pessoas reais, não personagens escritos.
Por fim
As duas temporadas de Mindhunter são produções da Netflix, e estão em seu catalogo. A primeira temporada é muito focada no processo das entrevistas, em como os investigadores vão descobrindo os pontos que unem e criam os perfis. Holden seus lampejos de brilhantismo, e sua falta de tato social tem mais protagonismo. Na segunda temporada a série se volta mais para acompanhar Bill em suas questões pessoais, ele praticamente protagoniza essa temporada. Além disso, na segunda temporada as entrevistas ficam em segundo plano, e o grande fio condutor da série é a resolução de um caso específico.
Mindhunter é diferente de tudo que você, possivelmente, já assistiu sobre assassinos seriais e investigação. Tem personagens muito complexos e interessantes. Um texto primoroso e inteligente. É uma série baseada em diálogos, e eles são muito bons. Mindhunter simplesmente lança um novo olhar sobre esse tema já tão explorado no cinema. E é revigorante e lindo

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