Abominável – Até o poster é fofo!

Abominável – Até o poster é fofo!

Minha assessora de cultura oriental/asiática contemporânea não me acompanhou nessa cabine, e sua ausência foi muito sentida. Abominável (Abominable, 2019).

SINOPSE

Um iéti foge de uma instalação secreta, e vai parar no meio da China (qual era a cidade…?). Lá ele encontra Yi (Chloe Bennet), uma garota muito batalhadora. Desse encontro, nasce uma amizade improvável, com um objetivo: reencontrar o lar.

MAIS UM DA SÉRIE…

… Não tava esperando muita coisa, mas me diverti. Meu deus, que filme fofo! Ver Everest, aquela bola de pelos, interagindo com os outros personagens é muito bonitinho.

A Dreamworks já tem um trabalho sólido com animações (Shrek, Madagascar, Como Treinar Seu Dragão), e não deixa a desejar em Abominável. Pelo contrário, se por um lado os cenários são simples, por outro são sempre cheios de movimento e vida. Tanto nos ambientes urbanos, como nos “selvagens”, não falta… Animação (risos).

As cores são todas muito vivas, mesmo nos ambientes mais urbanos, ou nas montanhas. Isso torna Abominável ao mesmo tempo belo e… Pueril, talvez. Os efeitos são vibrantes e vívidos, você sente fácil a magia envolvida.

CORAÇÃO

Olha, Abominável vai tentar te pegar pelo choro em vários momentos. VÁÁÁRIOS. Se você é manteiga derretida, já prepara um rodo e um balde. Não se envergonhe, o filme é construído com isso em mente. Se você não tem coração, talvez fique um pouco entediado. Mas aí… A culpa é sua.

Outra coisa: o humor do filme é na medida certa. Não é uma comédia (por mais que tenha bom humor), mas quando as piadas vem, são certeiras (principalmente as que envolvem o Dave).

PROBLEMAS

Tem três reclamações que eu consigo apontar. Duas são passáveis, a última já incomoda um pouco mais.

A primeira é que Abominável tem uma estrutura muito, muito simples. Obviamente, por ser um filme infantil (no sentido de, é uma animação pensada para crianças), aceita-se, sem problemas. Mas o adulto pode se incomodar.

O segundo é que acontecem diversas situações que… Enfim, seriam impossíveis. pessoas se machucaram sério, ou teriam muitas consequências ruins. Os meninos fazem a grande viagem sem qualquer dinheiro ou roupas adequadas e… Funciona, eles conseguem. Mas de novo, pelo público alvo, é aceitável. E na boa, qualquer jogo de videogame que envolve vários cenários / mundos vai acontecer a mesma coisa, e a gente não reclama.

O terceiro, esse sim, é mais incômodo: tudo acontece muito rápido. Desde laços afetivos, à tomadas de decisões, passando por enfrentar grandes distâncias / desafios físicos, é tudo bem apressado. Não havia necessidade de tanta pressa.

CONCLUINDO

Abominável é uma animação cheia de coração, com uma mensagem muito bonita sobre retornar ao próprio lar, estando ele longe ou perto. Vai divertir as crianças, vai emocionar os adultos. Esse é um mês de muitos lançamentos mas, se é animação que você procura, não vai se arrepender.

Abraços!

MINICAST

Dessa vez, não tivemos mini-cast. O dia foi corrido. Perdão.

MOMENTO P.S.

Não é um grande debate, até porque não estou com materiais para fazê-lo. Mas é muito interessante ver a aproximação do cinema ocidental com a China. O mercado de cultura pop parece aquecido por toda Ásia, e a China aparenta ser um consumidor voraz. Muitos filmes só conseguiram se pagar graças ao mercado chinês. Com isso em mente, faz todo sentido ver a presença cada vez mais forte de chineses, de sua cultura, locações, ou até mesmo apenas ajuda de produção. E, ao mesmo tempo, não é de surpreender que Abominável seja todo ambientado no país.

“Mas um dos plots principais é voltar para o Himalaia, não é estranho…!”. Convenhamos, Estados Unidos (e sua produção) são extremamente centralizados. Não me surpreenderia, nem um pouco, que o iéti estivesse na verdade em Nova Iorque, ou sei lá, Seattle (poderia inclusive ser numa cidade no interior do país, que fosse bem quente). Mas o filme se passa na China. Aleluia. Por outro lado, me deixou na dúvida se Abominável respeita bem os costumes chineses ou não, mas como eu disse, senti falta da minha consultora de contemporaneidade asiática dessa vez. Não consegui identificar a cidade onde a aventura começa – espero que tenha sido desatenção minha.

última coisa, bem nada a ver: Curiosa a quantidade de filmes com Iétis nos últimos tempos, não é?

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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