Chegamos nela, a derradeira, a última, O FIM. Será que The Good Place parou com sua escalada de qualidade, escorregou, derrapou no final da sua vida? Você saberá agora!
Nesta temporada, temos basicamente 2 arcos. Metade é para o experimento de melhoria moral do grupo de 4 humanos, agora contendo Chidi. Por um lado, gosto desta primeira metade. Ver os membros do grupo, lidando com versões mais caricatas, que apresentam problemas similares aos seus, foi refrescante. A dinâmica entre o jornalista de fofocas John Wheaton (Brandon Scott Jones) com Tahani é maravilhosa, pois mostra de certa forma uma versão antiga dela, mais superficial.

Pequenos problemas
Não posso dizer o mesmo dos outros dois humanos. Simone, que era uma personagem interessante na terceira temporada, se torna demasiadamente escrachada. A piada é óbvia: ela, por ser uma acadêmica, especialmente no funcionamento do cérebro, desacredita todo o conceito do Good Place. Entretanto ela leva isso às últimas consequências, a um nível forçado, dando um 180 graus da sua personalidade até então vista na terra. Ela tem funcionalidades importantes, ao decorrer da temporada, mas fiquei com um gosto ruim desde o início.
Já o Brent…veja bem. Eu entendo o porquê dele estar aqui. Inclusive, tenho certeza que pessoas como ele existem na vida real. Fácil. Entretanto, mais até do que os personagens, sinto algo dissonante. Até num mundo de personagens bem malucos como o de Good Place, ele me parece deslocado. Tal qual a Simone, é melhor utilizado mais para metade, e rapidamente no final.

Escalada sem fim
Onde essa temporada brilha, e nossa, BRILHA MUITO, é na sua segunda metade. Ao comprovarem para a juíza a melhoria dos humanos, e portanto, o sucesso do experimento, eles se veem obrigados, após uma tentativa dela de destruir a terra para reiniciá-la, a criar um novo sistema pós vida. Humanos agora irão passar pelo mesmo experimento de melhoria humana, e após passarem, por mais que demore, de uma pontuação moral, poderão ir para o céu, o Good Place. O sofrimento não é mais eterno, somente passageiro, algo que veremos se repetir daqui a pouco…
Com este sucesso, todos, até Michael, podem finalmente ir para onde sempre quiseram ir. Só há um pequeno problema: Michael ao chegar, é enganado pelo comitê do Good Place, e descobre, ao mesmo tempo que Eleanor e Chidi, a terrível verdade: todos os moradores deste lugar se tornaram basicamente zumbis. Uma eternidade de coisas, por mais que sejam boas, se torna enjoativa.
Aliás, um adendo aqui: tenho bastante medo da morte, da não existência. Portanto, lidar com esse conceito nesta parte foi um pouco difícil para mim, mas vamos lá.
Eleanor então chega na solução genial: para tornar a eternidade mais interessante, dar às pessoas a opção de deixar de ‘’existir’’, ao passar por um portão. O resultado é imediato: todos os moradores do Good Place voltam “a vida”. Inclusive, ninguém até então sabe o que irá acontecer ao passar por ele, que se torna um atrativo.
Lágrimas, muitas lágrimas
A partir daí, acompanhamos então rodada da vitória dos personagens principais. Seus amigos, seus familiares, indo e vindo para o Good Place. Tahani de boas com sua irmã(uma continuação do que aconteceu na terceira temporada) e com seus pais, que finalmente entenderam os seus erros durante a vida, ao jogar ambas às suas filhas numa rivalidade tóxica, além do Jason se divertindo com seu pai. Tiro aqui, para falar especificamente, dos arcos finais de Jason e Tahani.

Tahani, após realizar tudo que desejava, nesse plano, após quase decidir pela não existência, torna-se então arquiteta de “Good Places”, tal qual era o Michael. Achei muito interessante essa saída da Tahani de dentro da “caixa”. De uma personagem, para quem puxa as cordas, por assim dizer.
Já Jason, tem um final fascinante. De um personagem tão estúpido e engraçado, após se perder por 1000 anos na floresta onde fica o portão, porque perdeu o presente que iria dar a Janet, encontra paz interior, tal qual um budista, e junto de Chidi, anteriormente no episódio (quando Jason finalmente encontra o colar, Chidi já havia passado pelo portão) dão uma interpretação mais espiritual, mais oriental, do que a visão até então filosófica ocidental, que permeia a série. Um fechamento digno.
Enfim, o fim
Por fim, temos os nossos coringas, nossas estrelas: Michael e Eleanor. Michael finalmente, por intermédio de Eleanor, realiza o seu maior desejo: tornar-se humano, e viver uma vida mundana. Se existe um ex-ser de tentáculos pegando fogo mais precioso e fofo que o Michael, eu não conheço.

Eleanor, porque a poesia tem que continuar, realiza sua passagem. Vemos então, o resultado: ao passar pelo portão, você se torna um só com o cosmos, entretanto, numa entropia um pouco diferente da que conhecemos. Aqui, a alma de Eleanor, torna-se boas ações, uma vontade de praticar o bem, onde um vizinho de porta de Michael vê cartas a ele endereçadas jogadas no lixo, e então às entrega. Como posto por Chidi, antes de se despedir “a onda retorna ao mar”.
Se este não foi um dos finais mais dignos já feitos a uma série…eu não sei o que mais falar. Extremamente tocante, me fazia chorar a cada 10 minutos do episódio final de 1 hora de duração. The Good Place facilmente estará em algum pódio de melhores séries já feitas pra mim, e não sairá tão cedo dali.
[…] The Good Place teve um encerramento muito bem construído, e nada foi deixado de lado. A quinta e final temporada tem 5 horas de duração. Boa Maratona! […]