Anunciada em 2017, a expansão, agora jogo completo, Superhot: Mind Control Delete (MCD), chegou em 16 de julho, gratis para aqueles que tinham Superhot, ou comprado até seu lançamento. O que poderia ter sido um ar refrescante, devido a mudanças em suas mecânicas, infelizmente se tornou um esforço repetitivo, deixando um gosto amargo.
Antes de tudo, vamos falar de Superhot. Lançado em 2016, originou-se de um desafio de desenvolvimento de jogos, e foi subsequentemente expandido num jogo de navegador, e então, alcançou sua forma final para as mais variadas plataformas.
Sua mecânica principal e o aspecto que lhe dá sua característica única, se deve ao fato de que o mundo, incluindo aqui inimigos e projéteis, só se movem caso você se mova, seja olhando, andando ou tomando alguma ação.
Com uma campanha curta, variando entre 2-4 horas, oferecia desafios únicos, fases que fluíam muito bem entre si. Como posto pelo amigo Lucas Moura lá no HU3BR, a campanha, e os mais variados modos desbloqueados após o seu término, apresentavam uma dicotomia maravilhosa entre o fato do jogo ser “parado”, mas sua mente vai a mil com cada movimento, e mostrava a quê o combate veio.
Apesar de não ter tido a oportunidade de jogar, elogios similares foram ecoados com Superhot VR, ”sequencia” considerado por alguns como obrigação para quem tem óculos VR.
MCD modifica bastantes aspectos do jogo original. Para começar, vai embora a estrutura dirigida de campanha, com pouca repetição, especialmente de fases, e somente uma vida para o personagem.

Ela é substituída por algumas dezenas de fases, tipos de personagens diferentes, chamados de Cores, e os hacks, habilidades ganhas ao longo de uma fase; algumas gerais, outras específicas do Core que o jogador escolheu.
O início de um sonho/Deu tudo errado
Ao iniciar um estágio, por exemplo, 5B, eu escolhia algum Core. No meu caso, favorito era o Recall, que me dava uma katana e a habilidade de puxá-la de volta, tal qual um Jedi. Durante esse período inicial, realmente, parece um avanço interessante para a série. Você tem uma variedade de poderes a escolher, e uma quantidade razoável de fases por estágio. “com tantas opções, como que vou me cansar disso”, eu dizia.
Entretanto, tal qual uma lua de mel, esse período acaba sendo curto, e elogios tornam-se críticas. Conforme o jogo avança, pouco ele introduz de novidade. Cada vez mais, fica perceptível o número limitado de fases. Em algumas horas, já sabia o melhor ponto de uma fase para abusar da inteligência artificial de algum inimigo.
O ápice dessa desilusão, entretanto, que acabou tornando-se raiva, foi na reta final, onde muitos estágios começaram a ter até 15 fases. O combate, que ainda é bom, se tornava um esforço. Não tenho nada contra testes de resistência, onde o importante é a execução, sua paciência.

Penso, contudo, que é necessária uma variedade maior, seja do ambiente em que o jogador se encontra, ou dos inimigos jogados, para que jogos desse tipo atinjam o seu potencial maximo. MCD não oferece nenhum dos dois. Tipos de inimigos são poucos: Armados e dasarmados, onde alguns podem ter suas armas roubadas. Outros são o que explodem em balas, e por fim, os 4 super inimigos.
Pretensiosidade e ego
Tudo isso já seria o suficiente pro jogo ser uma decepção. Entretanto, a equipe fez questão de inserir uma das piores decisões pós jogo que já vi ultimamente, deixando o gosto amargo citado.
Desde Superhot, os desenvolvedores brincam com uma história que quebra a quarta parede e metalinguagem. Pessoalmente, nunca achei nada demais. Nada sutil, como uma pessoa que acabou de descobrir o que era meta linguagem. Era, felizmente, fácil de ignorar, dado o tamanho curto da campanha. Aqui, se leva às últimas consequências.

Na reta final de Mind Control Delete, o jogo força o jogador para avançar no jogo a entregar, de pouco em pouco, seus Cores e hacks, e no fim, o jogo é “deletado”. Caso o jogador queira jogar novamente o jogo (e pra quem se importa, conseguir o último troféu/achievement), deve esperar, com o jogo aberto, 2 horas e 30 minutos. No lançamento, e no meu caso, foram 8 horas.
Perdi o resquício de paciência que tinha, e usei o Cheat Engine, ferramenta popular para uso de códigos de trapaça em jogos, e acelerei o tempo o suficiente para tornar o processo em algo de 5 minutos. “mas eu lhe dei liberdade, porque você quer voltar?”, o jogo me dizia neste processo. MCD é uma das poucas obras onde me sinto confortável, e não tóxico, ao afirmar o quão pretensioso ele é.
Dessa forma, se no primeiro jogo, os desenvolvedores já se desequilibravam um pouco na corda bamba, em relação a sua história, aqui, é inexistente o conceito de corda. Enfim, fico extremamente infeliz que este tenha sido o saldo final do jogo, especialmente após a maravilha que foi o primeiro, e só consigo enxergar o estúdio agora com muito receio.