Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é garimpar novas bandas e artistas para ouvir. Todo mundo que se diz “indie” deve ter um pouco dessa característica em si, de sempre querer explorar novos mares musicais para ver o que é possível ser encontrado. E um dos melhores canais para isso é o COLORS, um canal do Youtube que apresenta o que há de mais musicalmente diferenciado pelo mundo e traz aos seus estúdios para cantar. Vários artistas brasileiros já cantaram no COLORS: Luedji Luna, Rincon Sapiência, Liniker e Zeca Veloso já marcaram presença no canal. Mas foi nessas garimpadas que eu encontrei a artista desse texto. Hoje, o Amador Crítico Musical vai apresentar a você a cantora que vai abrir o seu terceiro olho. Hoje, apresento o esoterismo de Greentea Peng.
As primeiras impressões
A primeira coisa que me chamou a atenção nesse vídeo é a própria efígie da Greentea Peng. Quando dei o play, a primeira coisa que me veio aos ouvidos foi o instrumento de corda asiático. Logo que essa primeira parte da música chegou aos meus ouvidos, eu percebi que não era qualquer coisa. Quando Peng começou: “i can’t smell the flowers…”, o sopro de uma energia inexplicável chegou a mim. A sua entonação, mais as suas letras, carregam vibrações inexplicáveis.
E os comentários desse vídeo diziam coisas como: “Tão forte que o meu terceiro olho piscou pela primeira vez”, “você consegue realmente sentir a aura de energia dessa artista”. E não é algo que dá pra discordar. Quando Greentea Peng canta, você realmente sente as emoções daquela artista em suas canções. É claramente perceptível que é alguém que tomou tanto capote nessa vida que agora finalmente se encontrou e canta sobre como se levantar e se encontrar. E isso é perceptível em seus dois primeiros EP’s
Sensi, 2018

Sensi foi o primeiro EP de Greentea Peng. Um EP com uma produção de instrumentais bem confusas, mas quando você percebe que as letras das faixas da obra são sobre um eu-lírico que está a procura de si mesmo, toda essa confusão de instrumentais se explica. Logo a primeira faixa, homônima ao EP, é uma confusão de teclados e percussões asiáticas, que vem para acompanhar alguém que repudia seu próprio ser e sua antiga existência, e que ela mesmo irá abrir novas portas para si.
E em Loving Kind,, Greentea Peng também nos mostra que também é capaz de lançar faixas de amor e relacionamento, onde ela nos diz que é do tipo romântico e é por isso que todos os seus amores já se foram. Porém, o ápice do EP está em Mind.
Mind é a canção mais poderosa dessa obra. Em Mind, Greentea Peng canta de alguém que está preso em sua própria mente, e sem saber o que está acontecendo ali. E é sobre alguém que implora por ajuda, mas que sente que não vai ser justo com essa pessoa. E nisso começa a agir como uma tola, a correr atrás dos cachorros pela rua, algo seriamente problemático. E tudo isso sendo pontuada pela produção instrumental mais bonita do álbum.
O eu-lírico de Sensi está completamente perdido, em seus pensamentos, atitudes, letras e produção. E é nessa bagunça que Greentea Peng vem nos encontrar e nos guiar para alcançar o caminho de volta em busca do nosso verdadeiro eu.
RISING, 2019

O segundo EP de Greentea Peng, lançado em 2019 não se difere muito de Sensi. A primeira faixa do EP, Risin’, é tão confusa quanto a primeira de Sensi, mas nessa se percebe que aquele eu-lírico se encontrou de alguma forma. Não é explicado, não é contado, mas se percebe que este eu-lírico está mais calmo. E toda essa confusão pode-se dizer que é apenas uma brincadeira dela ao olhar o seu passado
Em Inna City, Greentea Peng agora caminha pela cidade sem preocupações, descalça e atenta quando precisarem dela. Ela mesmo fala que há algum tempo estava num poço e agora já está fora dele. Nessa faixa, Greentea Peng canta para nós como se encontrar: Oh, let your head just go sometimes/Oh, take a breath and you’ll be fine. È bom seguir essa receita, ela vale ouro.
Mas o ápice desse amadurecimento está na faixa Saturn. Nessa canção, Greentea Peng nos diz que é o “Saturno que há nela”. A questão aqui é: o que é este Saturno?
De acordo com a Astrologia, Saturno é um planeta que exemplifica o que Greentea Peng passou. Como eu disse, os eu-líricos de suas canções são pessoas que já tomaram tantos tombos nessa vida que aprenderam a ser parcimonioso, pacientes e conservadores em suas atitudes e agora tem maturidade. E ela agora canta que precisa de alguém que entenda essa maturidade que há nela agora. E Saturno é justamente sobre isso.
Mas apesar de RISING ser a Resiliência de Peng, ela ainda não é um ser de ferro indestrutível. Em Mr. Sun, ela canta como ela sente falta do Sol, e sinto que aqui a interpretação pode ser dupla: alguém de saco cheio do inverno, ou alguém que já está fatigado do inverno que se faz dentro de si, então, quando Greentea Peng lamenta a saudade que sente do sol, podemos olhar para o passado e o presente ao mesmo tempo, nos deixando a dúvida se é um lamento de hoje ou se é uma reflexão sobre o passado. Algo muito complexo, mas ao mesmo tempo tão descarado.
Conclusão
Greentea Peng é uma artista que está em proeminência e que não podemos deixar passar despercebida. Ela é uma mulher em que é real o sentimento e a sensação de suas antigas dores em suas músicas, e como tais dores ainda a influenciam a seguir o caminho correto. Assim, Greentea Peng nos dá um sentimento de superação e o aprendizado que essas antigas mazelas lhe causaram.
Greentea Peng é fora da curva, mas foi nessa curva que ela capotou. E por isso buscou seu próprio caminho, pois sabia que ela precisava encontrar sua própria maneira. Isso é lindo. Assim ela se encontrou artística e espiritualmente. E agora canta para que possamos fazer o mesmo.