Remnant From the Ashes: inspirações acertadas

Remnant From the Ashes: inspirações acertadas

Desde o lançamento de Dark Souls e suas sequências, fomos inundados de Souls-like, gênero de jogos que tentam replicar a fórmula da série, ou pelo menos seus aspectos mais populares, em níveis diferentes de sucesso. Onde Remnant se encaixa nisso?

Temos casos positivos como Salt & Sanctuary, que também joga Metroidvania nessa mistura, ou muito negativos como Lords of the Fallen. Este, que em suma, só copia de maneira rasa, mas executa mal quase todos os aspectos. Poucos, entretanto, tentaram ou alcançaram sucesso em unir isso com jogos de tiro. Remnant, felizmente, é um destes, e tirou o gosto ruim de Carrion da minha boca.

O que é Remnant?

Lançado em agosto de 2019 para PC PS4, e Xbox, Remnant é um shooter em terceira pessoa, e tem bastante aspectos familiares de jogos da série Souls: manejamento de Stamina, dificuldade, atalhos em fases, entre diversos outros. Pode também ser jogado sozinho, ou com amigos online. Ele, entretanto, diverge em dois aspectos específicos: Armas de fogo e estrutura.

Souls e seus filhotes, geralmente se atém a armas brancas, deixando outros tipos de armas como algo mais secundário. Existe a opção de uso de magias para suprir essa necessidade, mas maioria se atêm a algo teleguiado ou em área. 

Jogador usando uma escopeta em um dos inimigos iniciais de Remnant From the Ashes
Remnant oferece uma variedade legal de armas para o jogador.

Remnant, todavia, faz o oposto disso; você pode carregar duas armas, uma principal, e outra menor, geralmente de uma mão só, além de uma arma física, variando de um martelo até uma foice.

Isso, por si só, já muda bastante toda a estrutura do jogo, Souls, e derivados de maneira geral, se focam mais em combates mano a mano. As armas de fogo são quase que curiosidades, com poucas oportunidades de uso real, ou se o jogador quiser limpar um inimigo problemático mais a frente. Quase sempre, são bem ruins de usar.

Remnant, é felizmente, maravilhoso de se atirar. Tudo é muito claro e responsivo, inimigos reagem da maneira que se espera. Inclusive, algo merecedor de elogio, é a capacidade da Gunfire Games, que imagino que veio do Darksiders, de, mesmo num jogo de tiro, fazer com que o ato de desviar de ataques, como é tão comum na série Souls, funcionar.

Antes de jogar, fiquei receoso que tal mistura não conseguiria se sustentar, mas me surpreendi, e raramente que cogitei culpar um ataque mal telegrafado.

Proceduralmente fascinante

Outro aspecto interessante é sua estrutura de fases/mundos. Remnant se trata de um jogo procedural. Existem pontos chaves que sempre serão os mesmos, como arenas de chefes, ou eventos específicos. As Dungeons, entretanto, são aleatórias, oferecendo chefes e itens, como armaduras ou armas diferentes.

Singe, um dragão de madeira, um dos primeiros chefes de Remnant From the Ashes
Um dos chefes iniciais do jogo, já deixa uma impressão positiva

Dessa forma, o jogo consegue oferecer bastante motivos para ser rejogado. Seja com seus variados chefes, ou equipamentos, que aumentam ainda mais as possibilidades e combinações de equipamentos, podendo tornar cada escolha no jogador neste quesito, mais única.

Entretanto, Nem tudo é um mar de flores. Jogando com um amigo online, algo ficou muito claro na maioria dos chefes do jogo: Apesar de todos terem mecânicas únicas, que por si só já fazem que essas brigas sejam interessantes, A Gunfire Games usa como atalho o uso de mobs de inimigos.

Os problemas com aleatoriedade

Em boa parte, eles até passam despercebido, não fedem nem cheiram na luta, são facilmente derrotados. Em outras, entretanto, deixam incrivelmente transparente que os chefes seriam irrisórios e facilmente derrotados sem eles. Definitivamente, os pontos altos, foram chefes que não se utilizavam tanto disso, ou que pelo menos tentavam usar esses inimigos básicos de maneira criativa.

Outro problema que senti, mas menor, devido ao fato de jogar em PC, foi o quão aleatório é a seleção dos dungeons. Quando estávamos chegando no fim da nossa primeira campanha, ficamos curiosos e interessados em conseguir o Rifle automático. Pesquisei, e ví que ela poderia ser encontrada no bioma da cidade.

tela de seleção dos modos presentes em Remnant, oferecendo tambem a função de rolar novas campanhas ou trechos
O menu de seleção de modos, que tambem oferece a função de refazer a rolagem

O jogador pode fazer infinitas rolagens de biomas específicos, o que facilita bastante. Entretanto, esse normalmente precisaria pelo menos explorar o bioma até encontrar a área correta…o que pode consumir muito tempo.

Felizmente, a comunidade criou uma ferramenta que lê o save do seu mundo, e indica que itens e dungeons caíram naquela vez. Lá fui eu por 1h rolando e destruindo mundos até conseguir a área necessária. Nem consigo conceber fazer isso de outra forma, e o consumo de tempo que isso acarretaria.

Valeu a pena?

Apesar de tudo isso, Remnant felizmente é maior que a soma das suas partes. Uma jogabilidade inesperadamente bastante satisfatória, suave e responsiva, especialmente pro gênero, junto de um mundo com visual interessante e com bastante variedade, o tornam em algo obrigatório, especialmente pra quem procura por algo pra jogar com amigos.

Depois do desapontante Darksiders 3, fico feliz que a Gunfire encontrou sucesso, e possa agora, quem sabe, finalmente fazer um Darksiders reunindo todo mundo? Continuarei a sonhar…

Falando de algum lugar no universo - Diogo Freire

Amante de games e cinema. Não venha falar mal de Drive e/ou Ryan Gosling comigo!

1 Comentário
  1. […] Desde Journey, eu procuro por jogos que possam me prover uma experiência tocante,que saiba a exata duração que precisa ter pra provoca-la. Felizmente, A Short Hike não somente é o que eu queria, como também entrega uma experiência com um aspecto nostálgico surpresa. Que venham mais jogos agradáveis como os que tenho tido a sorte de jogar, pra que sirvam de recomen… […]

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