Quando Iza, aqui do site, demonstrou empolgação com o filme de hoje, eu fiquei sem entender o motivo. Agora faz sentido: Podres de Ricos (Crazy Rich Asians, 2018) é uma comédia romântica muito divertida.
SINOPSE
Rachel Chu (Constance Wu) é uma sino-americana com bastante sucesso na vida: é professora universitária da economia, dando aula de teoria dos jogos. De quebra, ainda arranjou um bonitão como namorado, Nick (Henry Golding). Que quer levá-la pra conhecer sua família. Em Singapura. E ela não conhece nada nem da cidade, nem das pessoas que vai conhecer.

PRIMEIRO O ÓBVIO
Vamos facilitar a parte simples: é uma comédia romântica. Tem alguns sub-gêneros desse estilo, e Podres de Ricos é aquele que:
- Mocinha e mocinho se amam
- Vão conhecer a família de um deles
- A família não é nada do que o par esperava
- Parecem amistosos, mas na verdade não recebem bem o novato
- Eles se separam
- Voltam depois de uma declaração de amor maluca
- Dá tudo certo no final.
O padrão é esse, não precisa pensar que vai ser diferente. E na verdade, não tem porque achar isso ruim. A gente procura alguns tipos de filme porque quer as mesmas experiências, isso não é um problema. Mas é claro, depois de ver alguns de mesmo estilo, eles precisam de algo a mais pra chamar atenção. Então vamos para o que torna Podres de Ricos diferente.

OUTRO LADO DO MUNDO
O que torna Podres de Ricos realmente legal (pra mim, pelo menos) é mostrar a cultura asiática, principalmente a chinesa, de uma forma que a gente não está (muito) acostumado. Temos visões muito estereotipadas e anacrônicas da China, e de seu povo. Primeiro a do povo antigo, sábio e aristocrático, mesclando com a sabedoria, com os mestres de artes marciais. Depois, a China comunista e autoritária. E agora, o país cheio de dinheiro, mas ninguém sabem bem quem o possui, com pessoas sendo exploradas e cidades poluídas. Podres de Ricos nos dá uma visão um pouco diferente: chineses ricos e poderosos, vivendo numa das cidades mais caras do mundo (isso eu aprendi com o filme inclusive). É bem bacana ver essa inversão de papéis. Também, e isso é importante, nos mostra conflitos de tradições, entre a ocidental e a oriental. Por que isso é importante: porque, como ocidentais que somos, temos a mania de pensar que nossa forma de ver o mundo (principalmente, a forma estadunidense) é a “correta”. Mas o mundo é muito grande, e existem diversas culturas e tradições, que a gente deve entender e aprender a respeitar. E é claro, aqui no ocidente, há muito tempo estamos na luta para quebrar tradições. Mas esse é um debate NOSSO. Outros povos terão os deles.

POR OUTRO LADO…
Gente rica é pau no.. insuportável em qualquer lugar, né? Caraca gente, me ajuda aqui, pô! Uns desejos nada a ver, uns orgulhos idiotas. Umas contagens de vantagens e méritos que cacete, mermão… povo chato.
Mas sempre tem umas pérolas no meio dessa galera. E mesmo falando sobre contextos irreais para a maior parte das pessoas (até a protagonista, se você parar pra pensar. Ela é “pé-rapada” aos níveis das pessoas ao redor em Singapura, mas é uma professora da Universidade de Nova York!), você acaba se identificando com um personagem ou outro. Querendo ser amigo de uns, dar um abraço em outros…
E socar a cara da maioria.

RESUMINDO
Podres de Ricos tem um propósito, e cumpre o que propõe: é engraçado, é romântico, e é uma comédia romântica. Se você gosta do estilo, esse filme é pra você. Se você gosta de consumir cultura asiática, de preferência chinesa, esse filme é o SEU filme. Prato cheio. Vem conferir.
Se, por outro lado, você não gosta do gênero… Vai assistir outras coisas, pessoa. Tá cheio de filme aí.
Abraços a todos, e até mais.

MINI-CAST
Ah sim! Teve mini-cast nesse, gravado direto do ponto de ônibus pós-sessão. Vocês já sabem que não tem edição, então perdoem esquecimento de nomes, de datas, barulho de trânsito, barulhos do meu nariz, e falta de barulhos relevantes em geral. Você ouve clicando aqui.

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