2020: Não tá fácil pra ninguém

2020: Não tá fácil pra ninguém

É bem provável que alguma tirinha criada por Andrew Tsyaston (o criador da página Shen Comix e autor de Não tá fácil pra ninguém), já tenha aparecido no seu feed do Facebook, Twitter ou Instagram.  

As tirinhas cômicas estreladas por Shen (o protagonista) e o elenco de apoio formado por suas próprias emoções, que se manifestam na forma de valentões musculosos, estão por todo lado na internet, inclusive com traduções para o português do Brasil. 

O sucesso das tirinhas é tanto, que elas foram reunidas numa coletânea bem bacana, com o título Emotions Explained with Buff Dudes ou Não tá fácil pra ninguém, como ficou na versão nacional do quadrinho, lançada por aqui pela editora Seguinte e nosso tema do texto de hoje.

Da internet para o impresso

Em Não tá fácil pra ninguém, temos uma seleção das melhores tirinhas, criadas por Andrew Tsyaston e, originalmente, publicadas na internet, na sua página Shen Comix.

O diferencial aqui, no entanto, é poder acompanhar o trabalho do artista num formato diferente, já que estamos falando de um livro impresso, com mais de 80 páginas em que o leitor pode desfrutar (e se identificar) com todas os dilemas vividos por Shen, enquanto tenta sobreviver às cruéis investidas de personagens como a Lógica e a Emoção e até mesmo a Vida (a mais cruel). 

O pobre Shen sofrendo já na capa do livro…

A edição brasileira, publicada pela editora Seguinte ainda no ano passado, é muito bem feita. O formato pequeno do livro combina direitinho com a proposta dele, de uma leitura rápida e descompromissada. O único detalhe que não me agradou muito é a espessura das folhas (no miolo) que de tão fininhas deixam transparecer o conteúdo da página seguinte, além de parecerem muito frágeis.

Entre risadas e lágrimas

A leitura, apesar de rápida por conta do formato de tirinhas, é bastante satisfatória. Devo ter levado uns 20 ou 30 minutos para ler (e apreciar) tudo que havia no livro, mas não houve um minuto sequer em que não estivesse morrendo de rir! Isso quando não me pegava chorando por me identificar com algum drama vivido por Shen.  

Quem nunca acordou assim?

Mesmo acompanhando o trabalho do Andrew na página Shen Comix, há alguns anos, foi graças ao livro que pude, pela primeira vez, acompanhar e conhecer melhor, cada um de seus personagens secundários. A personagem das Dívidas, por exemplo, não conhecia da internet, o mesmo rolou com a Morte, outra personagem muito divertida (se é que posso dizer isso) e que passei a conhecer.

Há também algumas tirinhas que estão intimamente conectadas, criando uma narrativa com começo, meio e fim. A principal delas envolve o Shen e a Vida e está localizada no final do livro. Não quero estragar a experiência de ninguém, então vou me restringir apenas a dizer que chorão como sou, não contive as lágrimas.

Uma leitura bacana, para um ano não tão bacana

O ano de 2020 foi um ano difícil para a maioria de nós. Vi alguns dos meus planos irem por água abaixo, pessoas queridas dizendo adeus e o mundo mergulhando num contexto de pandemia. 

Me arrisco em dizer que esse ano se tornou um tipo de provação, pois nunca havia lidado com tantas das minhas inseguranças e sentimentos numa escala tão intensa, como tem sido nessa quarentena.

Acho que vou ficar com a noite, então.

Nesse cenário, Não tá fácil pra ninguém, é mais do que uma leitura bacana, é quase um guia bem-humorado de como sobreviver em meio ao caos diário com o qual nos deparamos no dia a dia. 

Nas tirinhas do Andrew, há espaço para discutirmos muitos temas importantes, passando por depressão e ansiedade, até masculinidade tóxica e a expectativa (opressora) da sociedade sobre quem somos e o que queremos para nossas vidas.

Não tá fácil pra ninguém

Quadrinhos, assim como jogos, filmes e animações são meios incríveis de entregar poderosas mensagens com diferentes graus de dificuldade ou imersão, no caso de Não tá fácil pra ninguém, trata-se de uma obra simples na superfície, mas profunda em subtextos e reflexões. 

Pobre bolotinha rosa.

Bom, se você me acompanhou até aqui, tudo que me resta lhe dizer é: ler ou não ler Não tá fácil pra ninguém, fica sob sua inteira responsabilidade, mas caso venha a ler e se identifique com alguma situação retratada nele, garanto que não será mera coincidência (insira aqui uma risada maligna).

Falando de algum lugar no universo - Pedro Corujeira

Salvo mundos fantásticos da iminente destruição desde os anos 90 e sigo nessa vida até hoje. Nos intervalos entre uma batalha e outra, escrevo para o Maratona de Sofá sobre joguinhos, filmes, desenhos, gibis e o que mais der na telha.

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