Digamos que você assistiu Jujutsu Kaisen, o grande hit dos animes em 2020, e com o fim da série ficou aquele vazio no seu coraçãozinho de fã. Bom, não se preocupe, pois foi pensando especialmente em você, fã carente de maldições, fantasmas e ocultismo nipônico, que elaborei essa lista com cinco animes para matar a saudade de Yuuji Itadori e toda trupe de Jujutsu Kaisen.
Gegege no Kitarō (2018)

Exibido entre 2018 e 2020, no Japão, essa nova adaptação do mangá clássico, de Shigeru Mizuki, foi produzida para comemorar o aniversário de 50 anos da primeira série animada de Kitarō, lá de 1968.
Para quem nunca ouviu falar de Gegege no Kitarō, a obra narra as fantasmagóricas aventuras de Kitarō — o último sobrevivente da Tribo Fantasma — que, acompanhado por seu pai Medama-Oyaji, procura proteger os humanos da ameaça de yōkais mal intencionados.
Essa adaptação traz uma visão moderna do personagem, a fim de apresentá-lo para um novo público. Na trama, ambientada no tempo presente, Kitarō, Medama-Oyaji, Nezumi Otoko, Neko Musume, Sunakake Babaa, Konaki Jiji, Ittan Momen, dentre outras criaturas folclóricas, procuram sobreviver aos avanços tecnológicos da sociedade contemporânea, além de protegerem os homens de sua própria ignorância sobre a existência de yōkais e maldições.
O anime de 2018, assim como suas adaptações anteriores, é um belíssimo trabalho de animação feito pela Toei Animation, com um total de 97 episódios, recheados de histórias macabras, lutas emocionantes e lendas do folclore japonês. Ge Ge Ge no Kitarō é parada obrigatória para todo fã do horror e do fantástico nos quadrinhos e desenhos japoneses.
Ushio & Tora (2015)

Se é pra falar de yōkais, maldições e folclore japonês, o nome do mestre Kazuhiro Fujita, não pode faltar nessa lista de jeito nenhum. Então, vamos falar de uma de suas principais e mais antigas obras, Ushio e Tora, que ganhou uma ótima adaptação em anime no ano de 2015, produzida numa parceria entre os estúdios VOLN e o MAPPA, com um total de 39 episódios.
Na série, acompanhamos uma drástica mudança na vida do estudante japonês, Ushio Aotsuki, quando ele se envolve numa relação de amor e ódio com Tora, um monstro lendário, que se encontrava aprisionado no porão do templo, onde vive com seu excêntrico pai. A fim de proteger aqueles que ama de ameaças sobrenaturais, Ushio, lado a lado com Tora, inicia a sua empreitada contra o mal, empunhando a lendária “Lança Bestial”, que lhe garante poderes especiais (e uma cabeleira estilosa) na luta contra yōkais.
Ushio e Tora é uma obra clássica do gênero shounen de lutinha, tendo influenciado diversos artistas de sua época, como foi o caso de Yoshihiro Togashi e seu grande sucesso Yu Yu Hakusho. Por sinal, a transformação do Yusuke em yōkai é basicamente uma cópia descarada do Ushio transformado.
Há muitos outros trabalhos maravilhosos do mestre Kazuhiro Fujita para se citar tratando da temática yōkai, mas escolhi Ushio e Tora pela importância histórica da obra para o gênero e pela alegria de vê-lo adaptado para um anime na tevê, depois de tantos anos de sua publicação original.
Antes do anime 2015, a série havia sido adaptada pelo estúdio Pastel em formato de OVA (animes lançados diretamente para o mercado de vídeo) contando com 10 episódios e um especial, todos lançados entre 1992 e 1993.
Yōkai Watch (2014)

Vamos fazer uma pausa no drama e na pancadaria, para uma indicação mais leve de anime, acessível para todas as idades. Estou falando da adaptação animada do jogo Yōkai Watch, exibida entre 2014 e 2018, no Japão, totalizando 214 episódios.
No desenho, tal qual o jogo que lhe deu origem, o protagonista se chama Keita Amano, um garotinho de 11 anos, que vê sua vida virar de cabeça pra baixo, após libertar acidentalmente Whisper, um yōkai fanfarrão e tagarela. Após esse evento inesperado, Keita passa a se envolver diariamente com estranhos incidentes ocasionados por diferentes tipos de yōkais e conta com a ajuda de Whisper para solucioná-los.
A medida em que os episódios avançam são introduzidas novas criaturinhas baseadas em yōkais do folclore japonês, sempre adaptadas para um olhar mais moderno e infantil, como é o caso do mascote da série Jibanyan, um nekomata fofinho e bem-humorado.
Yokai Watch foi por alguns anos uma tremenda febre no Japão, tendo desbancado Pokémon em algumas oportunidades em números de vendas e audiência. A franquia ainda segue forte por lá, mas não foi igualmente bem sucedida no ocidente, onde passou por diversas alterações a fim de adaptar o material para o público fora de seu país de origem.
Nurarihyon no Mago (2010)

Originado na Shonen Jump, a mesma revista onde é publicado Jujutsu Kaisen, Nurarihyon no Mago, é um mangá escrito e desenhado por Hiroshi Shiibashi e adaptado para anime pelo estúdio Deen, em duas temporadas de 24 episódios, entre 2010 e 2011.
Em Nurarihyon no Mago, conhecemos Rikuo Nura, aquele escolhido para suceder o posto de líder do clã Nura e comandar a Hyakki Yakō (Desfile Noturno de 100 Demônios) impondo medo e respeito por onde passam. Todavia, o garoto de apenas 12 anos, não demonstra nenhum interesse em seguir os passos do avô Nurarihyon, pois deseja viver como um humano comum, apesar de possuir sangue de yōkai correndo em suas veias.
Mesmo relutando em ceder ao desejo de seu avô, o garoto passa a compreender o tamanho de sua responsabilidade como sucessor do clã e a necessidade de proteger seus membros de possíveis ameaças vindas de outros clãs de yōkais. Assim, uma vez que aceita seus poderes advindos do seu sangue de yōkai, o inocente Rikuo, se transforma no elegante (e mortal) Rikuo da noite, temido até pelos mais fortes dos yōkais.
Talvez por dividir a mesma linha editorial de Jujutsu, Nurarihyon seja o título que mais se aproxima em diversos aspectos com a obra de Gege Akutami. Há muitas lutas, escalas de poder, momentos divertidos e dramáticos, além de personagens e estereótipos comuns nos mangás da Jump. Apesar da abordagem sobre a temática yōkai e sobrenatural ser diferente do meu ponto de vista, uma vez que é centrada na ideia do Hyakki Yakō e todas as lendas que o cercam.
Kekkaishi (2006)

Baseado no mangá original criado pela mangaká Yellow Tanabe, o anime nos narra a trajetória de Yoshimori Sumimura para se tornar um Kekkaishi (Mestre de Barreiras) forte o suficiente para proteger quem ama e manter sua cidade livre da ameaça dos ayakashis (demônios), que desejam obter os poderes sobrenaturais da terra de Karasumori.
O anime produzido pelo estúdio Sunrise, o mesmo de Gundam, Cowboy Bebop e Inu-Yasha, ainda hoje chama atenção pela sua qualidade técnica na animação, em especial, pelos efeitos em computação gráfica utilizados pelos Kekkaishi ao criarem suas barreiras para aprisionar ayakashis.
No entanto, o verdadeiro brilho da série se encontra no divertido e carismático elenco de personagens da obra, com destaque para família Sumimura e as brigas entre Yoshimori e seu avô (Shigemori), que não aceita de jeito nenhum o sonho do neto de se tornar um conceituado pâtisserie.
Kekkaishi possui muitos elementos em comum com Jujutsu Kaisen, seja pela trama ambientada numa escola com fantasmas ou por priorizar o desenvolvimento de seus personagens tanto masculinos quanto femininos, sem piadinhas infames ou cenas de sexualização, o que facilita indicar a série para mais pessoas. E claro, há também muitas semelhanças na maneira como combatem criaturas sobrenaturais típicas do folclore japonês.
Considerações finais
Bom pessoal, chegamos ao fim dessa lista e espero honestamente que vocês possam tirar algum proveito dela, pois fiz com muito carinho e dedicação. Ainda ficaram alguns animes de fora da lista, mas quem sabe fica para uma próxima oportunidade? Vocês é que mandam! Basta me chamar ali nos comentários que a gente negocia esse rolê.
E antes de finalizar, gostaria em nome de toda equipe do Maratona de Sofá desejar melhoras para o mestre Gege Akutami, autor de Jujutsu Kaisen, que infelizmente está enfrentando problemas de saúde. Não sabemos ao certo do que se trata, mas com a recente perda do mestre Kentaro Miura (Berserk) é preciso estar atento à cansativa (e desumana) rotina enfrentada pelos artistas de mangá no Japão e nos posicionar sobre o assunto.
Trabalho nenhum, vale uma vida! Odaijini, Akutami-sensei.