Depois das minhas frustrações com o remaster de Mafia 2 no início do ano, e Mafia 3 alguns anos atrás, admito que minhas esperanças não eram muito altas para esse remake. Trailers indicavam algo pelo menos muito bonito, mas eu só me lembrava da frustração com 2. Felizmente, meus medos não foram respondidos, e recebi o jogo mais equilibrado da série.
Os começos
Desenvolvido pela Hangar 13, mesmo estúdio americano que criou Máfia 3, o jogo de tiro em terceira pessoa, conta a história de Tommy Angelo, um taxista que, durante a Grande Depressão, devido ao azar de estar no lugar errado, na hora errada, é forçado a ajudar na escapatória de Paulie e Sam, dois mafiosos. A partir disso, começa a ficar cada vez próximo da família Salieri, se tornando também um deles.
De maneira geral, o jogo acerta bastante. Tommy tem motivações claras para querer sair do ramo de taxista durante a crise, onde o jogo lhe joga pessoas desprezíveis e grossas, no início para levar aos seus respectivos destinos. Similarmente, o mesmo pode ser dito dos personagens secundários. Paulie é bem beberrão e gritalhão. Ele até chega a destoar um pouco, ao se comparar a outras atuações, mas conforme o jogo progride, certos escudos vão ruindo, e vemos um pouco da pessoa real ali.

Sam é similar. Bem quieto, servindo como alguém para se salvar em algumas missões, tem um arco bastante interessante, culminando em algo bem desenvolvido, e não chega de graça, como aconteceu na reta final de Mafia 2.
Outro aspecto que vale a pena ser elogiado é a trilha sonora do jogo. Se o mundo e as atuações ajudam o jogador a se imergir no universo, ouso dizer que metade do trabalho é da trilha. Me sentia assistindo um filme de máfia antigo em certos momentos.
Que atuações, senhoras e senhores
O chefe da família, Don Salieri, além de do seu conselheiro, Frank Colletti, também merecem elogios. Ambos são extremamente bem atuados. Inclusive, todos os personagens do jogo são assim. Tanto pelo trabalho dos atores, quanto da captura facial e animação. Comparado com outros gigantes da indústria, A Hangar 13 acertou muito bem nesse quesito, não devendo nada.

Mafia 3 não era fraco nesse quesito, mas sinto que aqui houve um progresso considerável, e muito bem vindo nas ferramentas do estúdio.
Se por um lado eu estava entretido pelo contexto geral do jogo, um dos motivadores principais foi a história, que andava de mãos dadas com essas atuações.
E a jogabilidade?
Felizmente, Mafia corrigiu alguns dos problemas do jogo final da trilogia. Não posso comparar com o jogo original, mas tudo aqui foi muito direto. Nada de dominar setores da cidade para progredir. O atirar em si também apresenta melhoras. Não é nenhuma revelação do gênero, mas também não atrapalha. Se dar headshots ou usar shotguns é satisfatório, geralmente já é meio caminho andado para mim.

Há alguns problemas, entretanto. O jogo apresenta uma nova função, durante suas missões. Agora, o jogador pode pular as dirigidas de carro, até chegar no seu ponto de destino. Se por um lado eu agradeço a sua inserção, pois economiza tempo, isso causa 2 problemas:
O primeiro, se trata de revelar algo que já sabemos desse gênero de mundo aberto. O ato de se locomover não é bom. A Nintendo conseguiu resolver isso em Breath of the Wild, mesma coisa com Spiderman. Espero que outras empresas encontrem soluções.
O segundo problema se trata do que isso faz ao ritmo da narrativa. A qualidade dela ainda está lá, mas acaba a acelerando demasiadamente. Ainda prefiro pagar o custo, mas admito que talvez algumas dessas viagens poderiam ter sido cutscenes. Me parece uma boa solução.
Acertos, mas com derrapadas…
Apesar do balanço final ser positivo, dava pra evitar certos erros do jogo, especialmente no que tange a sua história. A esposa de Tommy, Sarah, é muito mal desenvolvida. Há um carisma nela, e não necessariamente passividade, pois desafia o Tommy quando ele tenta manter segredos, por ela estar inserida no mundo da máfia… mas ainda é muito pouco. Tão pouco que certas atitudes do Tommy no decorrer da história se tornam clichês, quando poderiam ter mais profundidade.

Aliás, o Tommy é um pouco problemático. Ele Funciona inicialmente de uma forma superficial, como dito anteriormente. As peças estão todas ali, mas demora a aparecer uma liga para juntar tudo, como é a fome por riqueza de Vito no 2, e a sede de vingança de Lincoln no 3, ambas presentes e fortes desde o início dos jogos.
Como terminamos?
Apesar dos problemas, que nem são exclusivos dele, mas do gênero, Mafia Definitive Edition é facilmente o jogo mais equilibrado da série, evitando extremas correrias no seu último ato, justificando tudo anteriormente. Depois de ter rejogado o segundo jogo, eu realmente não tinha muitas expectativas além de um espetáculo visual, como demonstravam os seus trailers. Ainda bem que não foi o caso, e sai bem surpreendido.
Fica a curiosidade do que a Hangar 13 irá fazer agora, em vista que a série teoricamente terminou com o 3.