Peço perdão pelo atraso desse texto. O fim da semana foi corrido, e o começo foi tão difícil que deu vontade de desanimar. Mas aí, lembrar de Alita: Anjo de Combate (Alita: Battle Angel , 2019) deu uma animada. Como é bom ver boas adaptações!

SINOPSE
O Dr. Dyson Ido (Christoph Waltz) encontra, em suas procuras por peças no ferro velho, um núcleo (cérebro e coração) de uma cyborg em boas condições. O doutor a põe de volta em funcionamento, lhe dá um corpo, e um nome: Alita (Rosa Salazar). Ela não tem memórias do passado, e ambos vão descobrir, é uma história muito mais sombria do que imaginavam.

COMENTÁRIOS
Amigos, quando tiverem que escrever sobre algum assunto atual, o façam o quanto antes. As memórias ainda estão frescas, e você não vai perder muita coisa na hora de passar para o papel (ou pra tela. Século XXI. Enfim). E bom, minha memória é um lixo. Real. É bem ruim, uma amiga me chamava de Dory. Mas pra minha sorte, Alita ficou bem na memória. Por quê?

EFEITOS VISUAIS
Eu não lembro muito de fatos, mas lembro bem de cenas, e de sensações. E cara… as cenas.
Alita é um filme lindo. É maravilhoso! Falando primeiro dos cenários, é tudo primoroso. É um mundo que não só você acredita que existe, você quer que exista. As construções, as máquinas, as pessoas vivendo… os cyborgs, também, são um show à parte. As junções de partes mecánicas com corpos humanos (ou… o contrário, em dados momentos) ficou impecável. De verdade.

ESTRANHEZA
Uma das dúvidas que os trailers e posters levantou, foi: perai… a menina tem olho grande, feito mangá? Não vai ficar esquisito?
E minha percepção foi… não. E explico: na real, por mais maravilhosa que a Alita esteja, ela não parece humana em momento algum. Ela cai no vale da estranheza, e volta. Então ela é um ótimo personagem, incrível em tela, mas não pareceu, pra mim, uma atriz. Portanto, os olhos não foram um problema.

ENREDO
Olha, uma coisa que a gente tem que dizer, aqui: o filme é LONGO. E, conversando com os colegas de cabine, eles me explicaram: o mangá original tem 9 volumes, e o filme cobre o primeiro. Ou seja: tem MUITO conteúdo no filme, e ao mesmo tempo, ainda tem muito a ser contado. Mas, aí que tá a parte bonita, você não se cansa. Tem um pouco de barriga, sim (eu tenho ranço de romances), mas o filme te mantém atento mesmo assim. É muito bacana.
A história por sí é bastante cativante, se você já curtiu mangás na sua vida. É cativante para quem gosta de cyberpunk, ficção científica, distopias e afins. Eu fiquei genuinamente curioso com o quadrinho original, tanto que já comecei a ler. Mas pode ser bem clichê para quem não tiver interesse nos assuntos. E como adaptação, pelos relatos dos colegas, é maravilhoso.
Só o que incomodou foram cenas em específico, muito MUITO clichês. Mas foi para manter fidelidade com a obra, então, ok. Deixa quieto.

AÇÃO
Um medo que eu sempre tenho, em filmes de ação, é o efeito Transformers. Tanta ação em tela que você acaba ficando mais confuso do que impressionado. Meu cérebro “desliga”, e só espera para saber o resultado no final. Alita não tem isso. Você não vai perder nada da ação, diretor e direção de arte e fotografia estão de parabéns. Digo mais, é empolgante. A ação é incrível, e dá gosto de ver.

“UÉ, VOCÊ NÃO VIA PROBLEMATIZAR DESSA VEZ?”
Olha, vou te falar que dessa vez eu saí tão envolvido do cinema, que quase não atinei para isso. Mas sim, temos problemas sim. Passar rapidinho por eles: existe um personagem negro totalmente relevante para a história, o Vector (Mahershala Ali), que está excelente como sempre. Porém, a outra negra de destaque, a enfermeira Gerhard (Idara Victor) quase não fala. Inclusive tinham momentos em que ela poderia ter mais relevância e foi deixada de lado. Pior que isso, Alita é um quadrinho japonês, e praticamente não vemos orientais em tela tendo relevância. Rolou whitewashing sim.
Mas enfim, eu já problematizei bastante em outros textos, que talvez valha a pena ler. Exemplos são O Doutrinador – herói de quadrinhos NACIONAL?, lha dos Cachorros – Latidos dublados, “Não é RACISMO. É que a RAÇA dela…” etc. Em Alita, em especial, eu me permitir encantar. Me perdoem por decepcionar!

CONCLUSÃO
Alita é o filme de adaptação para os que já estavam sem esperanças com o gênero. Não deixem de conferir, porque é uma experiência fantástica.
E como quase sempre, 3D é detalhe. Não precisa dele.

MINI-CAST
Já tava esquecendo! Caramba! Como pude? Tá aqui!
Abraços, e até a próxima!
