Quando chegou o e-mail dessa cabine, Iza chamou logo atenção de Bell (vocês já conhecem ela, minhas colegas de Maratona) para se esforçar e vir ver Cópias – De Volta à Vida (Replicas, 2018 (EUA), 2019(BR)), o novo filme do ídolo dela, Keanu Reeves. E bom… Ela não pode vir, e eu fico feliz em me sacrificar pelas minhas amigas. Que tristeza.

SINOPSE
O Dr. Will Foster (Keanu Reeves) está tendo problemas com o seu projeto de pesquisa, transferir mentes de pessoas mortas para corpos sintéticos. Numa das poucas folgas a que tem direito, toda sua família morre num acidente. Eis que surge a ideia genial/desesperada: clonar seus familiares, e copiar suas mentes para os novos corpos.

COMENTÁRIOS
O Rafael Mafra (do Gugacast) falou num programa [1] que tem um dom: ele consegue ver como a pessoa se viu quando se arrumou no espelho. Então, por exemplo, uma pessoa está passando na rua mal-arrumada. Mas ele consegue imaginar como ela se via enquanto se arrumava, e pensa “é, tem razão. Ela tava bonita”.
Tem filmes que você consegue ver que o argumento de roteiro era bonito, mas o produto final é bem mal-arrumado. Lhes apresento Cópias.
(Inclusive, não é bizarro que em português seja Cópias, e no original seja Replicas?)
Porque a ideia É bacana: como seria copiar a mente de uma pessoa, e passar ela para um robô? Ou para um clone? Como seria fazer um clone perfeito?
Mas caramba…

INICIANTES
A sensação que dá, enquanto se assiste, é que todo o filme é feito por novatos de hollywood. O que não é EXATAMENTE verdade. O diretor Jeffrey Nachmanoff já comandou várias coisas, mas a maior parte filmes de TV, ou episódios de seriado. Os roteiristas Chad St. John e Stephen Hamel também não são novatos, mas o primeiro escreveu pouca coisa (Apesar de ter em seu currículo o excelente curta fanmade do Justiceiro, Roupa Suja), e o último escreveu bem pouca coisa mesmo, a maioria curtas. Além de escrever principalmente argumentos, que convenhamos é uma das poucas coisas que funciona em Cópias.
Bem, difícil saber o quanto é responsabilidade deles, ou se realmente os atores pecam. Porque eles também não vão muito bem em cena. Primeiro que já não acho o Keanu muito bom em dramas (Desculpa, Bells). A Alice Eve (que faz a esposa Mona Foster) )dava tristeza. E John Ortiz (que faz o sr. Jones, chefe do projeto encabeçado por Keanu), atua com qualidade de novelas brasileiras. Ou seja: dá pra aprimorar, mas tá longe do esperado em cinema.

QUE MAIS?
É difícil apontar como Cópias é mal escrito, ou mal dirigido, sem mostrar cenas. Ainda mais numa resenha pré-lançamento. Mas dá pra comentar superficialmente. Vou explorar mais no Momento P.S.
Bom, parte gráfica. O filme tem um grande efeito de computação gráfica, que é sofrível. A renderização é boa, mas a animação dá tristeza.
Trilha sonora é completamente esquecível.
Direção de fotografia toma umas decisões de enquadramento e de captura que não fazem sentido algum.
E outra, tem umas coisas que não fazem sentido. Por exemplo, porque para comandar a transferência disco rígido / corpo, você precisa de um óculos de realidade aumentada com projeção?

CONCLUSÃO
Olha, Cópias é a prova de que se a direção não é boa, e não tem um bom roteiro para se amparar, não tem como um filme sair bom. Tinha potencial, mas foi só sofrimento.
Se você estiver com o espírito elevado, dá para rir DO filme, e aí vai se divertir. No mais…
Passe longe.

MOMENTO P.S.
Por exemplo, o dialogo do Dr. Foster com sua esposa, sobre a composição da vida humana, vira uma discussão sobre “Você acha que eu e as crianças somos só isso?”, levando a “Eu só acho que você tá esquecendo o que é certo e o que é errado”, e você fica “ahn?”. Ou então, quando você descobre que a grande função da polícia de Porto Rico (onde o filme se passa) é… Avaliar roubos de baterias de carros.
Outras coisas, eles não têm vizinhos? Não recebem telefonemas? A única pessoa “civil” a estranhar é uma professora da escola… Que na verdade, se identifica de duas formas diferentes para pessoas diferentes, e que na verdade (x2), é esquecida logo na sequência. E quando Dr. Foster FINALMENTE lembra (ou melhor, é lembrado) que a família dele tem vida social, ele só ativa os aparelhos, responde todo mundo, e joga tudo… Fora? Você já imaginou deixar um garoto de 14 e uma menina de 16 sem seus celulares e computadores? Eles vão acordar e vai ficar tudo bem? Foi garoto, Keanu.
PRA QUEEEE APAGAR AS MEMÓRIAS DA FILHA MAIS NOVA? Já mentiu o filme inteiro. Mente mais uma vez dizendo que foi pra casa de uma amiga, depois explica o que aconteceu. Ele acabou explicando o que aconteceu (de uma maneira tosca (como sempre)), era só mais uma explicação a ser dada! E a maneira como a Mona reage, bem no final, ao ver a filha? Ela nem lembrava! Devia agir como uma mãe conhecendo a filha adotiva pela primeira vez, não como “ah, você voltou”, eu hein.
No final das contas, Cópias pra mim virou um debate sobre até onde você consegue empurrar uma mentira.
Que lance foi aquele de enfiar a agulha para captura da própria memória no próprio olho, NO BANHEIRO??? Tipo, infecções, e tal… Não vai dar nada? E não destrói o olho? “Dr. o senhor tá chorando sangue?” “ih rapaz, é mesmo”. Caralho, gente!

[1] não lembro se dos normais, ou num conteúdo secreto