A Maldição da Chorona – é de chorar mesmo

A Maldição da Chorona – é de chorar mesmo

Quando você escuta alguém falar sobre filmes de terror, é comum se falar em longas que envolvem agentes sobrenaturais ou algum assassino com problemas psicológicos, de forma que as longas que trazem esses dois contextos se mostram previsíveis na maioria das vezes. No que se refere ao sobrenatural, quase sempre envolve um padre e um ato de exorcismo, sendo um desafio para a direção e produção tornar os eventos o mais atípico possível. Mas porquê falar sobre esse desafio de fugir do mesmo? Porque em curtas palavras, A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, 2019) se apresenta como “mais um”.

Sinopse

O filme de direção americana conta a história de uma assistente social viúva, que após a morte do seu marido policial, fica encarregada de criar seus dois filhos e lidar com os problemas que aparecem em seu trabalho. Ao assumir um caso de frequentes faltas a escola dos filhos de Patrícia (Patricia Velasquez), Anna Garcia (Linda Cardellini) é obrigada a investigar o caso mais de perto. Quando Patrícia é afastada das crianças por suspeita de maus tratos,  e mesmo assim elas parecem continuar sendo violentadas, Anna percebe que o motivo não era simplesmente descompromisso, irresponsabilidade e ódio materno. Mas sim a presença de uma entidade sobrenatural que vinha atormentando Patrícia e sua família, e que passa a perseguir a família da assistente.

Nova direção, nova história?

No filme estréia de transição para gêneros de terror, Michael Chaves se mostra pouco inteligente na forma de lidar com a história da Chorona. Baseado em uma lenda mexicana que gira em torno do século XVI, em que moradores da capital afirmaram terem visto o espírito de uma mulher perambulando pela cidade em noite de lua cheia na busca de crianças, Michael faz uso de diversos artifícios não só já vistos, mas frequentes na maioria dos últimos filmes desse subgênero. O fato de James Wan ter participado da produção e o filme não ter sido minimamente bom, vai pesar pra carreira de um produtor que esteve presente em longas ótimas, a exemplo de Jogos mortais 5 (Saw V, 2008).

Mais do mesmo?

Pensar numa classe de filmes em que o principal mecanismo de medo é uma aparição inusitada, torna banal um gênero que já foi mais engenhoso, a exemplo de filmes como: O Iluminado (The Shining, 1980), A coisa (It, 2017), ou até mesmo O fenômeno (Poltergeist, 1982), que inclusive seria uma comparação mais justa. As mesmas estratégias de um espírito atrás de uma porta ou cortina, uma entidade aparentemente desfigurada que surge em jogos de câmera previsíveis, e um conjunto de atuações ruins, é o que permeia a longa de La llorona.

Atuações deixando a desejar…

Utilizar atores/atrizes crianças em filmes de terror requer uma atenção maior com relação ao desempenho dessas no filme. Não pelo fato de crianças não saberem atuar, prova disso é o brilhante filme do It – a coisa (2017), mas porque a emoção/adrenalina necessária por vezes não consegue ser transmitida. Sinceramente, é deplorável a participação das crianças nesse filme, principalmente pelo fato de se comportarem bem longe do que se comportaria uma criança qualquer na mesma situação (talvez seja louco ou estranho pensar assim, mas é esquivando de fatores que se distancia da mesmice).

Apesar da experiência de Linda Cardellini em filmes, é visível que ela não se encaixou no papel desempenhado. A feição forçada de desespero e forma de lidar com os acontecimentos, sendo ela a protagonista, deixou a desejar, e muito. Principalmente por fazer parte de um filme (mesmo não sendo protagonista) que recente que foi indicado a oscar, Green Book. O destaque de atuação com certeza vai para Patricia Velasquez, que faz o papel de Patrícia, porque apesar das curtas aparições e poucas cenas que esteve presente, conseguiu se mostrar mais dentro do filme, acertou ao passar o delírio, desespero, e angústia da personagem. Contudo não se deve esquecer da principal peça do filme, que é a própria Chorona, sendo interpretada por Marisol Ramirez, se mostra uma antagonista bem pobre em critérios de horror.

Apesar dos pesares…

Pensar que faz um bom tempo em que não se lança um filme de terror bom, cria uma expectativa irreal nos fãs do gênero a cada estréia. Se você criou alguma esperança nesse filme baseado na promo feita em cima dele, infelizmente essa longa tá muito longe de lhe agradar. Apesar de um combo de atuações ruins, direção inexperiente para com a categoria, e produção irreconhecível, o filme se mostra corajoso ao abordar uma lenda do México (principalmente por ser do México), trazer aspectos culturais e religiosos como o trabalho voluntário de xamãs, fazendo leves críticas (incorporadas em frases de efeito) a relação divindade X religião, e mostrando um pouco do papel do serviço social para com crianças.

Mas, e aí? Assistir ou não?

A Maldição da Chorona se mostra adequado para um faixa etária de 14-17 anos, sendo um filme leve, com uma história relevante ao que se propôs, e ideal para assistir com a galera. Já para aqueles fãs mais criteriosos, que buscam um terror mais assíduo/consistente, infelizmente vai ter que esperar outra longa.

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