Turma da Mônica: Laços – Eu quero MORAR nesse filme!

Turma da Mônica: Laços – Eu quero MORAR nesse filme!

Quando, na cabine de Casal Improvável, nos avisaram que Laços teria cabine de imprensa na segunda, eu falei “Eu vou ficar esperando no cinema desde HOJE!”. Claro que não fiz isso, mas vontade não faltou. Expectativa lá no alto para assistir Turma da Mônica: Laços (2019).

SINOPSE

Inspirada na HQ do selo Graphic MSP de mesmo nome, de Lu e Victor Cafaggi.

Mônica (Giulia Benitte), Magali (Laura Rauseo), Cebolinha (Kevin Vechiatto) e Cascão (Gabriel Moreira) vivem seu dia a dia pacato na rua (ou seria bairro?) do Limoeiro. Um plano infalível aqui, uma coelhada ali…

Certa noite, o Floquinho some. Cabe à turminha se unir e seguir em busca do cachorrinho verde.

Olha a turminha ai! <3

MINHA RELAÇÃO COM A TURMINHA

Quem lê o site sabe: a gente não deixa de ser pessoal nas análises. Pelo contrário, a graça do site é a gente poder ser parcial.

Quando eu era criança, nossa vizinha/prima de consideração colecionava revistinhas da turma. Tinha a famosa “assinatura”. Eu e minha irmã não tínhamos e também, caramba, eu tinha 4 anos. Nem sabia ler. Mas eu aprendi, para poder ler as revistinhas. E as li por muitos anos. Quando começaram a vender a série Jovens, comprei também, e comprei bastante (apesar de que, o estilo das historinhas não era pra mim). E quando começou a série Graphic MSP, eu fiquei “maluco” e comprei muitas (hoje em dia não dá mais).

Um dos momentos mais especiais que tive na vida foi quando em… que ano era aquele, meu deus? Enfim, eu tive a oportunidade de falar com o Mauricio de Souza! Ou melhor, de gaguejar, porque eu travei, fiquei nervoso… meu ídolo de infância tava ali. Mas consegui falar como ele “me ensinou” a ler, como sempre fui fã do trabalho dele, ganhei um autógrafo… foi mágico.

Então, acho que já ficou bem claro: esse texto é COMPLETAMENTE enviesado. Porque Turma da Mônica faz parte de mim.

Eu nem sei se eu devia ter vergonha dessa foto. Acho que tenho vergonha de expor minha imagem. Mas lembro desse momento com muito carinho

QUE MARAVILHA!

Sim, expectativa estava alta, e sim, ela foi alcançada! E isso me deixa muito feliz. Já expliquei meu histórico, mas não só isso, Laços é uma das historinhas mais comoventes do selo Graphic MSP. Claramente inspirada em filmes clássicos como Conta Comigo, Warriors, ET e afins, o quadrinho é uma road trip cheia de aventuras, onde valores como amizade, companheirismo, e trabalho em grupo são valorizados.

Toda essa ambientação foi bem representada na película. Desde a introdução, onde é apresentada a dinâmica dos personagens¹, até o “chamado para a aventura” que os leva a sair do conforto da casa (e das brincadeiras no Campinho) até sair numa jornada… suicida.

Sério, pare pra pensar, 4 moleques criados a leite com pera indo se meter no meio do mato, meu Jesus! E nem dá pra dizer que os pais não educaram, porque todos eles são da “família tradicional”, bem estruturada. A aventura é fantástica de acompanhar, mas quando você se põe no lugar dos pais, é desesperador.

A Mônica (Giulia Benitte) tá PER-FEI-TA! “Mas ela não devia ser baixinha e gorducha?” Amigo, olhe os quadrinhos. Todos eles são iguais.

RUA DO LIMOEIRO

Voltando, falando em ambientação, quem já leu muito dos quadrinhos vai pegar MUITAS referências durante a sessão. Por exemplo, Jotalhão, Papa-Capim, Cranicola, Penadinho, Astronauta, Cremilda e Clotilde. Vale a pena ficar brincando de encontrá-las! Inclusive, falando em easter egg, os próprios Irmãos Cafaggi, autores da HQ que inspiram o filme; e Sidney Gusman, editor chefe da Mauricio de Souza Produções e grande incentivador do selo Graphic aparecem em Laços. Fiquem atentos!

Falando em referência, uma coisa que me chamou a atenção é que a Rua do Limoeiro cresceu. Ao invés de ser uma rua, ela é um bairro ou uma cidade pequena do interior. Com casinhas, quintais, grandes áreas livres. Um ótimo lugar para crescer. É uma expansão interessante do conceito, porque nas histórias, funciona você dizer que tudo acontece numa rua. Quando você tenta trazer ela para o mundo “real”, deixa de fazer sentido.

Cebolinha (Kevin Vechiatto) teve um acréscimo: Agora ele se acha O MAIS esperto de todos, e tem que aprender a lidar com isso. Uma boa adição.

TECNICIDADES

Indo um pouco pra parte técnica

Acho que o que mais chama a atenção, tecnicamente, é a paleta de cores. Tudo é muito colorido, respeitando as historinhas, não só as originais, como a versão dos Cafaggi. As cores são vibrantes, tendendo ao amarelo, e torna Laços tão aconchegante quanto um final de tarde ensolarado. A sonoplastia também está de parabéns. Não só deixando o filme realista, mas contribuindo para a fantasia quando ela é necessária (é quase ouvir os “Pof, Soc, Tum” na vida real).

Cascão (Gabriel Moreira) não está tão sujinho quanto nos quadrinhos, mas o medo de água tá igual (e ainda é o mais engraçado)

ATUAÇÕES

Vamos falar dos atores.

Os atores mirins dão um show. Estão todos de parabéns.

Primeiro que são crianças muito fofas, e dá vontade de sair dando abraço em todo mundo.

Segundo que eles estão muito dentro de seus personagens. Kevin Vechiatto, o Cebolinha, está muito atento com sua dislalia (trocar Rs por Ls) e não vacila sobre isso. Giulia Benitte, a Mônica, é a PERFEITA tradução do personagem para o mundo real. É notório como ela incorporou bem a dona da rua. Inclusive, falando sobre os dois, a interpretação deles é ótima, mas a capacidade de chorar foi surpreendente.

Não só. Laura e Gabriel (Magali e Cascão) que eu tinha medo que ficassem apagados, pelo contrário, foram valorizados. Digo mais, os atores são extremamente carismáticos. Todos da cabine saíram apaixonados pelo Cascão, e a Magali é a magrinha comilona perfeita.

Curiosamente, os atores adultos é que acabam ficando apagados. Atores mais conhecidos como Monica Iozzi (a Dona Luiza, mãe da Mônica) e o Paulo Vilhena (Seu Cebola) estão no filme, mas quem realmente se destaca é a atriz que faz a Dona Cebola (Fafá Rennó).

Isso dentre os adultos convencionais. Porque o Louco vivido por Rodrigo Santoro está SENSACIONAL. Não vou mentir, eu esperava ainda mais loucura. Nas historinhas ele voa, vai pro espaço, faz objetos falarem, é uma maluquice. Mas ainda foi respeitada a dinâmica do personagem, Santoro fez um ótimo trabalho, e a sequência em que ele aparece é fantástica. parabéns.

Magali (Laura Rauseo) sim, podemos dizer que está fisicamente perfeita (conceitualmente. Porque todos tem o mesmo desenho). E mais: come tanto que dá medo.

PROBLEMAS

Olha, o filme tem alguns poucos problemas de execução, mas enfim, são realmente pequenos. Parte deles por ter como os protagonistas serem interpretados por atores infantis que precisam amadurecer sua técnica, outros pequenas decisões de direção. Não compromete nem um pouco.

Talvez incomode algumas pessoas a simplicidade e facilidade de certas ações na narrativa. Esse problema desaparece quando você lembra que está lidando com o “realismo fantástico” de ter a Turma da Mônica no mundo real. É um filme infantil, e muitas coisas vão ser realmente mais simples.

Acho que eu poderia abordar os problemas de representação social que vem desde a criação da turminha, perpassa os quadrinhos por todos esses anos e acaba sendo trazido para as telas. Mas… vou deixar quieto. Eu não deixo de percebê-los, mas tô tão contente com Laços que vou deixar eles de lado por hora. Como dizem na internet, “Esse momento é meu”! Mas quem quiser debater, chega aí nos comentários, ou no nosso grupo, e a gente troca ideia.

Dona Luisa (Monica Iozzi) é ótima. Mas aparece tão pouquinho…

CONCLUINDO

Turma da Mônica: Laços transpõe com maestria o quadrinho que lhe inspira para o cinema. O clima infantil de aventura é maravilhoso, e vai servir tanto para crianças, quanto para adultos nostálgicos (como eu).

Não deixem de conferir!!

AH SIM!

Parece que já estão negociando a sequência. To ansioso desde agora.

Abraços!

“A aventura tá pra lá!”

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler):

Participação de Maurício de Sousa também, o Stan Lee brasileiro!

Eu procurei a trilha sonora no Spotify e no Deezer, e não achei. Tomara que adicionem.

O filme tenta trazer muito o romance infantil entre Mônica e Cebolinha. É um fato conhecido nas revistinhas, mas que não acontece na Laços original. Poderia me incomodar, mas achei bonitinho. Sim, eu tô com muita boa vontade.

Imprimir e botar como poster na parede

¹ Assim, se você foi criança no Brasil depois dos anos 60 e não conhece a Turma, ou sua história de vida é muito complicada e isso te impedia de ter acesso, ou você tá errado.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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