Rainhas do Crime – Mais que amigas, …

Rainhas do Crime – Mais que amigas, …

Não ler nada sobre os filmes que vai assistir gera algumas reações muito interessantes. Por exemplo, descobrir que Rainhas do Crime (The Kitchen, 2019) é inspirado num quadrinho da série Vertigo, da DC.

SINOPSE

Nova York, 1978. Hell’s Kitchen é um bairro dominado pela máfia irlandesa. Após um roubo mal-sucedido, os maridos de Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) são presos, deixando-as desamparadas. Não resta muito a fazer, além de… assumir os negócios.

MULHERES NO COMANDO

Ja falei, esse é um filme inspirado em quadrinhos. Então não, ele não é baseado em fatos reais, pode ficar tranquilo (não sei pq estaria preocupado, mas enfim). Uma das possibilidades das narrativas é justamente poder criar “passados alternativos” (vide Bastardos Inglórios), e Rainhas do Crime são mais um exemplo bacana sobre.

MAS… DC?

Curioso, né? Ver um filme baseado em quadrinhos que não tenha super-heróis, nem super seres como um todo. Inclusive, nem é um filme de “herói”, mas sim de anti-herói(nas). Você não vai ver nada super em tela (além de uma super história. Sacou, sacou?), é uma história com humanos, demasiado humanos. O que é muito engraçado, quando você lembra que Hell’s Kitchen, bairro real de Nova York, é cenário para tantos personagens icônicos, como Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage… Ai você lembra que nenhum deles é da DC, e fica de boas.

Esse, talvez, seja o aspecto mais bacana do filme como um todo. Como personalidades são capazes de se revelar quando não tem algo que lhe sufoque, que oprima. Pode ser na figura de um pai amoroso e super preocupado, de um marido preguiçoso, ou de um companheiro que lhe bate: se cerceia sua liberdade, você está sobrevivendo, não vivendo.

JÁ VI ESSE FILME…?

Desde as primeiras cenas, é difícil não relacionar o filme a outros já feitos. A premissa de Rainhas do Crime, por exemplo, é quase a mesma que a de Viúvas. Claro que não vai ser igual: em Viúvas, tinhamos mulheres tendo que planejar um roubo na ausência de seus maridos, com o tráfico e o governo contra elas. Aqui, numa época mais “tranquila” para esse tipo de negócio, vemos mulheres ascendendo na hierarquia da máfia.

Não deixe essa similaridade te enganar: NÃO É A MESMA COISA. Aqui, temos pessoas e possibilidades narrativas diferentes. Vale muito a pena assistir.

ANDAMENTO

Por outro lado, ao ter que compactar uma série de 8 quadrinhos num longa de 100 minutos, lidar com 3 protagonistas, maridos, familia, mafiosos, agentes do FBI, máfias rivais… o filme encontra seu principal problema, que é o andamento. Ele é MUITO corrido, principalmente no segundo ato. E a sensação de “faltou uma informação aqui”, ou “como isso aconteceu tão rápido” são constantes. Talvez, para fazer uma brincadeira, a coisa “super” desse filme seja justamente como os eventos se sucedem de maneira acelerada. Claro, não estou falando a passagem de tempo comum a qualquer narrativa (o filme rola no decorrer de 3 anos). Mas, para citar um exemplo rápido, um casal de idosos aceitam “trabalhar” com as protagonistas sem que elas tenham qualquer trabalho prévio que demonstre a competência delas. É um pouco estranho.

RAINHAS

Outro caso de filme em que seria um crime não comentar sobre suas atrizes.

McCarthy vive Kathy, uma irlandesa dona do lar, mãe amorosa de seus dois filhos, e esposa dedicada. A ela cabem os principais planejamentos e convencimentos com lábia.

Haddish é Ruby, uma preta vivendo numa família de irlandeses. Os mais gentis só olham torto, os mais “honestos” não são gentis com esse casamento interracial. Ela fica com a parte das prensas, das falas duras, e das estratégias bélicas.

Moss é Claire. Quieta, insegura, indefesa, só não apanha mais do marido do que da própria vida. Mas… toda a raiva acumulada uma hora explode. Eu vou deixar pra vocês o prazer de acompanhar a evolução dela.

Como cada uma tem suas particularidades, cada uma vê o mundo e sofre as opressões dele de diversas formas. Opressões raciais, físicas, ou até o contrário, a ideia do “lugar de mulher é em casa”, tudo aparece em cena. E você nem precisa estar muito atento, vem tudo na sua cara. 

CONCLUINDO

Rainhas do Crime possui um problema sério de ritmo e de andamento. Talvez por ser o primeiro trabalho de direção de Andrea Berloff (que também escreve o longa). Mesmo com isso, você vai se apaixonar pelas protagonistas, e curtir a história. As três são incríveis, e suas ações questionáveis vão te deixar grudado. Só uma dica: não pense que uma é pior, mais malvada, ou “mais vilã” que a outra. São todas vilãs. 

AH! Já ia esquecendo: Não vejam o trailer.

Abraços, e até a próxima!

MINI-CAST

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Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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