Gente, alguém ajuda a Elisabeth Moss a parar de se ferrar na mão de macho, fazendo o favor? O Homem Invisível (The Invisible Man, 2020)

SINOPSE
Cecilia (Elisabeth Moss) sofre na mão do marido abusivo, Adrian Griffin (Oliver Jackson-Cohen), ao ponto de decidir fugir de casa para escapar de suas garras. Algum tempo depois, ele é considerado morto, mas pelo visto ele está disposto a assombrar muito além das memórias de Ce.

O HOMEM INVISÍVEL
Algumas premissas de ficção são tão conhecidas e reescritas, entram na nossa cultura de tal forma, que as vezes esquecemos que alguém pensou e escreveu em primeiro lugar! O Homem Invisível é um conto escrito por H. G. Wells em 1897, e interpretado no cinema pela primeira vez em 1933, num filme dirigido por James Whale. De lá pra cá, a lista de adaptações, tanto do conto como do conceito, só aumenta, e a versão de Leigh Whannell faz parte disto.

SOM
O Homem Invisível precisa de ser visto com um áudio bom. Bom de verdade. Muita informação do filme vem de sussurros, rangidos, barulhos baixos. Os personagens não tem certeza se ouviram, e é importante que você, espectador, também sinta essa dúvida. Então, fica o reforço: equipamento de som bons, e silêncio.

IMAGEM
A fotografia vai brincar o tempo inteiro com espaços vazios e escuros, então você também vai precisar de um monitor / projetor que tenha boa resolução e contraste. Pode ficar tranquilo, você não vai se sentir cego. Mas é importante, monitor bom.
Vá assistir no cinema, a real é essa.

MASCULINIDADE
Se você ler a lista referenciada acima, vai ver que toda adaptação de O Homem Invisível vai ter variações do seu conto original, com um ponto em comum: o que homens com predisposição ao descontrole e ao abuso de poder seriam capazes se não fossem vistos? O roteiro de Leigh Whannell varia um pouco o conceito, para adicionar o fator de gênero: o que um marido abusador faria caso estivesse invisível? Se já tivesse feito tanto gaslighting na esposa, que ninguém acreditasse no que ela falasse? Mesmo sendo homem, Whannell consegue transmitir o dano permanente causado pelos maus-tratos disfarçado de “amor” que parceiros podem causar uns nos outros – principalmente quando são mulheres que abusam de homens. As redes de intrigas e de descrenças, descrita, é impecável. Imagino que ele tenha feito a pesquisa muito bem, pois mesmo não sendo mulher, as situações estão bem representadas.

TERROR
Quem já acompanha o blog sabe que meu ranço com filmes de terror está cada vez mais alto. Cada vez com roteiro mais mal escrito, e se baseando muito em sustos para além do terror. O Homem Invisível tem roteiro e direção MUITO bem executados (ambos assinados por Whannell), o que torna este filme uma das grandes peças do gênero deste ano que mal começou.
Não apenas pelos pontos já citados, mas por ser capaz de atualizar o conto (e o “monstro”) para 2020, com novas tecnologias e possibilidades.

CONCLUINDO
Fãs de terror, comemorem! O Homem Invisível é um ÓTIMO filme do gênero terror. Sem contar que é um filme muito interessante sobre relacionamentos abusivos. Recomendadíssimo!

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler)
A Elisabeth Moss sabe representar o sofrimento e a confusão mental como poucos.
Também, sabe representar uma pessoa que dá a volta por cima como ninguém.
