
Demorou um pouco pra eu começar a escrever sobre It: Capítulo Dois (It Chapter Two, 2019). Primeiro porque ontem foi um dia realmente apertado. Segundo porque nossa… sério… nem sei o que falar, de tão bom que é o filme.
SINOPSE
27 anos se passaram desde que o Clube dos Otários derrotou a Coisa nos subterrâneos de Derry. A maioria se mudou, e… Esqueceu de tudo. Até que uma ligação do velho Mike (Isaiah Mustafa) vai trazer as lembranças de Beverly (Jessica Chastain), Bill (James McAvoy), Richie (Bill Hader), Ben (Jay Ryan), Eddie (James Ransone) e Stanley (Andy Bean) todas de volta.

Ninguém jamais morreu
VOLTANDO NO TEMPO
Em 2017 esse blog estava apenas começando, e o Peixinho Geek ainda existia. Eu escrevi uma resenha para o segundo veículo (inclusive a gente salvou todas elas aqui no site. Em breve publico de novo), onde eu contava o quanto fiquei feliz com a nova adaptação. É um filme primoroso, de fato. Mais ainda: foi uma atualização necessária para o filme de 1990. Este, me perdoem os fãs, tinha ritmo sofrível, e atuações muito medianas (Apesar do excelente pennywise de Tim Curry). O de 2017 era vivo, brilhante, atualizado mesmo quando se tratava do tempo passado. Atuações melhores (todos os atores mirins são incríveis), mais visceral e mais verdadeiro, e claro, efeitos especiais e fotografia MUITO aprimoradas.
A duvida era obvia:

O CAPÍTULO DOIS SERIA CAPAZ DE ATENDER À EXPECTATIVA CAUSADA POR UM FILME TÃO GRANDIOSO?
Vamos ao cinema predispostos a várias coisas. Dentre tantas, também estamos prontos a gostar ou não de um filme. Já falamos disso algumas vezes. E a expectativa com esse segundo capítulo tava bem alta.
Chega de tensão: ela foi atendida! [gritos felizes da platéia]
Quem já leu o livro, ou viu a versão noventista, certamente já sabe o que esperar nas cenas. Mas Capítulo Dois se permite ser mais ousado, e ir além do que já estava pronto. Tudo é potencializado: as cenas de comédia são muito mais engraçadas, as dramáticas são muito mais emocionantes, e as de medo… são muito mais aterrorizantes.
Respondendo logo a dúvida que virá: sim, tem muitos jump scares. O que, como todo clichê, segue o mantra:
“O problema não é o clichê, mas o clichê mal usado”
E tudo nesse filme é bem usado. Principalmente porque vai além dos simples sustos, a ideia é mostrar o medo dos personagens, e fazer com que o espectador entenda aquele medo. Então sim, você embarca junto.

MILITANCIA
Assim como na edição de 2017, Capítulo Dois tem vários discursos muito afiados com os debates atuais. Sem precisar levantar a bandeira da militância “lacrante”. Por exemplo, a cena que abre o filme. Ou as falas pontuais das lembranças do pai de Bervely (Stephen Bogaert). Mas é algo para quem está atento. Quem não estiver, vai curtir o filme de boa.

DIRETO DO TÚNEL DO T… EU JÁ USEI ESSA PIADA ANTES?
Quem assistiu a terceira temporada de Stranger Things sabe um problema eminente que esse filme teria: o envelhecimento dos atores mirins. Finn Wolfhard, que faz Mike em ST, e Richie aqui em It, ESPICHOU nesses últimos 2 anos. Então, podem ficar tranquilos: a produção teve a sagacidade de fazer uma gravação contínua, ou seja, já foram gravando as cenas das sequências com os pequenos, para não ter esse tipo de problema.
Epa. Como assim?
Na verdade, meus amigos, NÃO!
“The young actors who were the Losers Club in chapter one grew tremendously in the 2 years following filming. They had to be digitally ‘de-aged’ in some scenes as they looked significantly older than before.”
fonte
O bagulho tá TÃO bem feito, que não deu pra sentir a diferença. A sensação que passa é que realmente foi uma produção a la Senhor dos Anéis.
Ainda sobre os atores: fora Bill (Jaeden Martell e James McAvoy) e Beverly (Sophia Lillis e Jessica Chastain), as escolhas foram caprichadas. Todos os adultos estão lembrando demais suas contrapartes mirins (fora o Ben. Mas ai, tamBém…). Parabéns a Rich Delia, pelo casting.

FINALIZANDO
It é uma referência do terror tanto na literatura quanto no cinema. E não foi diferente nesse caso. Graças a Stephen King, Andy Muschietti (diretor) e Gary Dauberman (roteiro), estamos diante de uma das grandes obras do cinema de terror dos últimos tempos. Só podemos aplaudir, prestigiar, e ter pesadelos à noite.
Até mais, abraços!

MINI-CAST
Tá na mão!

MOMENTO P.S. (PODE SPOILER)
Não é surpresa pra ninguém: Pennywise, mais do que um monstro ou um palhaço, é uma metáfora para o medo. Não à toa, ele se torna tudo o que pode assustar suas vítimas (ou pelo menos, cativá-las e depois assustar).
Algumas pessoas podem ficar decepcionadas sobre como ele é derrotado no final. Mas a mensagem é muito bonita: Só a coragem, e a transformação, pode fazer com que derrotemos nossos medos. Fica a dica do He-Man para os jovens.
AH SIM! Não posso esquecer a participação super especial do próprio King no filme! Tenho certeza que o Bill, e seus finais horríveis, é uma metáfora dele mesmo.
Só mais uma trívia maravilhosa:
“Bill Hader was unaware that Bill Skarsgård can actually move his eyes in two different directions. Hader asked Skarsgård what kind of editing was done to achieve the effect in the first movie. Skarsgård, in full costume and makeup, responded by saying “Oh, you mean this?” and doing it, causing Hader to freak out.”
Fonte
