Dora e a Cidade Perdida – Conseguimos!

Dora e a Cidade Perdida – Conseguimos!

Dora e a Cidade Perdida (Dora and the Lost City of Gold, 2019) é a MELHOR ADAPTAÇÃO LIVE-ACTION DE DESENHO ANIMADO, e quem não concorda é clubista.

SINOPSE

Dora vive feliz na selva desde pequena (Madelyn Miranda), com seus pais, seu macaco Botas, e infinitas coisas para explorar e descobrir. Porém, aos 16 anos (Isabela Merced), ela terá de enfrentar a pior selva de todas: O Ensino Médio nos Estados Unidos.

O QUE ESPERAR…

… de um filme baseado num desenho tão retar… despretensioso e infantil? Para quem não conhece, Dora a Aventureira (Dora the Explorer) é uma animação da Nickelodeon. Conta as aventuras da menina Dora e seu macaquinho falante, o Botas. Cantando a musiquinha do Mapa e da Mochila, ela descobre os lugares novos que quer descobrir, e segue nessa jornada. No caminho, ela conta com a interação do espectador, sempre questionando se “você” viu algum item ou lugar no cenário, ou perguntando se você é capaz de repetir algumas palavras novas. No processo de repetir, ela também ensina palavras em outras línguas, o que torna o desenho bastante educativo. Ela também tem que se esquivar das tramoias do Raposo (Swiper), que tenta roubar as coisas, sendo repelido pelo bordão “Raposo, não pegue!”.

É um desenho bem bobinho, na verdade.

Mas convenhamos, é cheio de elementos interessantes. O que nos leva a pensar “o que vão fazer com esse desenho?”, e eu imagino que os roteiristas pensaram “até ONDE a gente pode ir?”. 

DECISÕES

As decisões foram simples: vamos tirar tudo o que for fantasioso demais. A primeira cena é uma homenagem ao desenho original, uma aventura com todos os elementos. Logo isso é cortado, e descobrimos coisas como: O Botas não fala, a Dora não sabe dirigir um jipe, o Mapa não canta. E logo nos primeiros minutos, vemos a Dora adolescente.

Causa estranheza? Muita! O desenho é uma menininha a la turma da Mônica, a atriz do filme “já é uma moça”, como dizem os mais velhos. Mas era o melhor a ser feito: isso tornou a adaptação “assistível” por toda família. Porque… sério, o desenho, ou você tá muito na vibe, ou é intragável. É bobo demais.

Mas assim, não se desespere: todas as referências, eu disse TODAS, estão aqui. De vez em quando, você verá o Mapa e a Mochila falando, o Botas volta a ficar calçado, a Dora pede para que você repita palavras e expressões. Além do Raposo (Benicio Del Toro).

DIFERENÇAS

As possibilidades são ampliadas, também. Uma garota que viveu na selva toda a infância certamente anda com um facão na bolsa, afinal. você precisa estar preparado. Ou lanternas. Ou sinalizadores. E bom, uma criança tão curiosa, filha de professores, com certeza já teria lido Moby Dick.

E seria zoada por adolescentes padrão.

Esse é o tipo de coisa que não tem na animação, mas que é muito legal de ver: como botar esse personagem no nosso mundo? Claro, é um mundo mais tranquilo. O Raposo tá aí, o Botas é mega esperto. Mas é muito legal imaginar “como ela agiria num aeroporto?”, “e em sala de aula?”, “e numa festa?”. Essas respostas são respondidas, sempre de maneira divertida.

Divertida, mas não humilhante. “Eu não sou burra, eu sei que as pessoas falam. Mas eu preciso ser eu mesma”. É muito bom como conseguiram deslocar a personagem prum novo cenário, sem perder suas bases. 

CONHECIMENTO

Como já dito, Dora é uma menina muito talentosa e inteligente. As cenas de ação com ela são de fato incríveis. A do aeroporto é inacreditável. Mas o que mais me chamou a atenção, no seu discurso, são as críticas pontuais, mas mordazes, ao colonialismo e sua exploração predatória. Dedos são apontados contra países europeus, e contra empresas privadas americanas, sem dó. Também critica a exploração da pecuária na Amazônia. A forma como ela é ensinada, desde cedo, a conhecer as coisas, não roubá-las, é uma ótima lição.

INTERAÇÕES

Dora, agora (hehe) interage com várias pessoas, não só seu macaquinho. E é mais uma coisa que poderíamos torcer o nariz, mas na verdade dá super certo. As crianças são ótimas, os adultos são caricatos e engraçados, tudo funciona.

Sobre os animais, boa parte é feito em computação gráfica. Os que são “personagens ativos” são claramente modelados, ficando bem cartunescos. Poderia ser estranho, mas ajuda a reforçar o ar infantil. Funciona super bem.

CONCLUINDO

Dora e a Cidade Perdida é um filme divertidíssimo, que certamente estará em sessões da tarde, o que é ótimo. A faixa etária sobe um pouco, mas torna esse um filme infantil que pode agradar todo mundo. Fica a recomendação: peça uma criança emprestada para algum conhecido, só para ter uma desculpa de ir no cinema assistir!

MOMENTO P.S.

Começando, gostei muito que o filme PROVA que tudo em Dora a Aventureira é obra de: 

  • Criatividade infantil
  • Danos na cabeça
  • Muita droga

Se você tinha alguma dúvida, esse filme veio para acabar com ela.

Sobre a Dora na escola, a maneira “estranha” que ela se comporta é… corrigindo pessoas de maneira positiva, sendo boa aluna, crumprimentando profissionais pelo bom trabalho, sendo simpática, e usando uma fantasia bizarra numa festa a fantasia. Convenhamos, não tem nada de errado com a Dora.

Uma parte disso que vejo com ressalvas é quando ela defende museus, dizendo que suas peças não são roubadas. Porque assim, vamos lá, o Louvre é uma coleção de um monte de coisas roubadas. Mas vá lá, é uma coisa estranha, só.

A ideia de revelar que a velha andarilha branca é, na verdade, uma mulher nativa, foi muito acertada. Inclusive, o elenco todo é muito diverso. 

Sobre a escolha de Isabela Merced e sua idade, já falei mais cedo que causa estranheza. Mas tem gente por aí se passando. A Dora, no filme, passa vergonha no crédito, no débito, e no boleto. E a gente, também, vacila. Mas um mico desse eu não pago (e não estamos falando do Botas).

Por fim: o que aqueles elefantes estavam fazendo no Peru? Se bem que… É, pode ser.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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