O Grito – Que nem o outro, só que ruim.

O Grito – Que nem o outro, só que ruim.

Sabe aqueles filmes que você fica “É, é ruim mesmo. Mas eu gostei”? Pois é. O Grito (The Grudge, 2020)

Poster oficial. Retrato em preto e branco de uma pessoa tomando banho, vista por trás (close na cabeça) com uma mão saindo do seu couro cabeludo

SINOPSE

Em 2004 (data da primeira adaptação de Ju-On para o ocidente), Fiona Landers (Tara Westwood) volta do Japão para sua terra natal, os Estados Unidos. Mal sabia ela que trazia uma maldição consigo.

Visão da casa em Reyburn Dr., 44. É uma casa de dois andares, cujo primeiro piso tem core avermelhada, o de cima é creme. A cadsa é de madeira, co janelas igualmente em madeira
– Ei, vamo naquela casa mal assombrada?
– Não.

PREVIOUSLY ON…

Uma pergunta que vocês podem fazer é “preciso ter visto os filmes originais pra entender esse?”, e a resposta é “não, mas seria bom”. Seguindo a linha de Ju-On (2002) e de O Grito (2004), já de começo vemos uma sequência de textos que explicam o que é a maldição, e como ela funciona. O resto é história. Quem já viu o anterior vai reconhecer os ganchos de susto, pode prever as próximas ações dos personagens etc. 

em close, a Detetive Muldoon setá debruçada sobre uma cama, com olhar cansado
“Dorme, filhinho, fica com medo não…”

LÁ VEM

Talvez, “previsibilidade” seja a palavra certa (tomara que seja, ela é muito grande). Mesmo que você tome o susto, você sabe fácil quando ele virá. Então fica tudo meio previsível. Mas enfim, vou parar de reclamar disso.

Peter Spencer (John Cho) esté levemente envergado, entrando num banheiro com baixa iluminação, olhando preocupado para algo
“Opa, um barulho no banheiro escuro na casa esquisita, vou lá olhar!”

ESTRUTURA

O Grito se baseia na narrativa da detetive Muldoon (Andrea Riseborough), que se depara com casos relacionados à casa na Reyburn Drive, 44 (a nova Saeki House). Ela percebe pelo menos 3 casos de assassinatos e mortes misteriosas e, enquanto ela investiga seus registros, os espectadores assistem como os fatos ocorreram. Só que isso gera um problema: o filme fica sobrecarregado, poluído. O que é curioso, porque já nos originais, a gente via várias pequenas histórias que se relacionavam. A diferença, aqui, é que como temos uma “narrativa mestra”, da detetive Muldoon. Além, as histórias do passado não são contadas de forma contínua, vão se alternando. Então o resultado é uma série de micro narrativas se sucedendo, de forma que a narrativa principal fica muito arrastada. Uma companheira de cabine disse “o filme já passou da metade e ainda não começou”.

Em close, a menina Melinda (Zoe Fish), na forma fantasmagórica, em close no rosto
Alimentem suas crianças.

PRÓS E CONTRAS

Os atores são bons. De verdade, tão fazendo tudo o que podem. A maquiagem também, com todos os ferimentos sendo bem representados e tal*. Mas o texto é fraco. Bem fraco. E as idas e vindas nas sub narrativas deixa ele ainda mais fraco. Mas ele tem um mérito, que a gente não costuma dar o devido valor:

Ele é ÓTIMO pra assistir de galera. Vocês vão gritar, tomar susto, dar risada, xingar, e ainda vão ter material para dar susto uns nos outros. Vale a pena! (A menos que você seja adolescente. Não faça isso).

a Detetive Muldoon esta em pé, usando um pullover, com uma arma em punho na mão direita, e lanterna na mão esquerda. Ela está num almoxarifado, cuja unica fonte de luz é a própria lanterna.
Se você estiver sendo assombrado, lembre dos EPIs: Revólver, e lanterna.

CONCLUINDO

O Grito é ruim. Tenta refazer algumas estruturas antigas de maneira atualizada mas que não foi bem executada. O texto é fraco, e os atores fazem o que podem. Mas ainda é divertido. Abraços!

Três enfermeiros lutam para conduzir uma maca para fora de uma sala hospitalar. Sobre ela, o Detetive Wilson (William Sadler) está amarrado, se debatendo, e com os olhos furados, sangrando.
Quem te viu, quem te vê…

MOMENTO P.S.

Uma coisa que eu gostei na adaptação de 2004 é que o whitewashing é reduzido. Beleza que a protagonista é estadunidense, mas tudo se passa no japão, ela interage japoneses, inclusive sente dificuldade linguística. Já aqui, em 2020, tudo vai pros Estados Unidos, tudo é atualizado. Perde a graça.

*(inclusive, aviso: Se você é muito sensível à imagens de cadáveres, corra de O Grito)

Em close, Faith Matheson (Lin Shaye) gargalha. Seu rosto está todo ensanguentado
Deus é pai…

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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