Vi muita gente indicando e comentando, sobre O Poço (The Plataform – 2019). Surgiu então a vontade de assistir. Mas fiquei receosa, pois em tempos de quarentena o ideal seria assistir a coisas que nos façam relaxar, e permanecer bem enquanto tudo isso não passa. Porém, gosto de obras assim, com horror, triller, gore e tudo mais. Assisti e lhes digo, gostei muito. Não pelo sangue e violência, mas sim pela grande critica social feita. Mais uma vez a Netflix me ganhou.
SINOPSE
Em uma realidade distópica, existe uma espécie de prisão em formato de torre. Onde as pessoas são colocadas aos pares em cada nível. Alimentadas por uma plataforma, que desce gradualmente. Esta alimentaria a todos os níveis, se cada detento comesse apenas o necessário. Obviamente, se pensassem nas demais pessoas, dos andares abaixo. Ao entrar na prisão, é possível escolher um objeto para se ter na cela. O único a escolher um livro é Goreng (Ivan Massagué), recém chegado. Entrou na prisão por conta própria, com o intuito de parar de fumar.

CRÍTICA SOCIAL
O Poço, faz uma analogia muito importante. Acerca da natureza humana e o capitalismo. Como cada pessoa responde em situações extremas. No caso, a escassez de comida para quem fica nos níveis mais baixos. A comida é preparada no nível 0, e vai parando em cada cela/anar, por apenas 2min. Não se pode guardar comida, podendo sofrer punições. A estada em cada nível é rotativa, e dura um mês. O Goreng vai sendo informado sobre as agruras e condições da prisão, por seu colega, Trimagasi (Zorion Eguileor). E alertado de que nos níveis mais baixos, a comida não chega, e outro tipo de alimento é consumido. Imoguiri (Antonia San Juan), uma de suas companheiras, tenta convencer nosso protagonista, “Somente uma solidariedade espontânea pode trazer mudanças.”
Trazendo a premissa da obra pra hoje, é possível refletirmos sobre a pandemia em que estamos vivendo. E até onde somos capazes de ir para sobreviver. Levando em conta suas vivências e empatia. Mesmo em situações extremas, cabe pensar no bem do outro?

CONCLUINDO
O Poço, pode ter elementos de horror gore, mas consegue transmitir uma mensagem valiosa. O diretor, Galder Gaztelu-Urrutia faz uso desses recursos, e nos leva de encontro a uma reflexão necessária. Deixando para que o espectador faça sua própria interpretação. Inclusive em relação ao final do filme. Mas, a mensagem central é a de que, se todos pensassem uns nos outros, em momentos de abundância, todos teriam o que comer, vestir e morar. É incrível ver o cinema cada vez mais preocupado em discutir tais assuntos. Uma crítica social dura e necessária.
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