Ficção Científica, tecnologia, e romance são alguns dos pontos fortes em Holo, meu amor.
Sinopse
Holo, Meu amor, acompanha a história de Han So-Yeon, jovem que trabalha para uma companhia que fabrica óculos, enquanto ela mesma possui uma deficiência chamada Prosopagnosia, ou cegueira facial, condição que a impede de visualizar faces, desde pequena. Uma noite saindo do trabalho, Han So-Yeon esbarra em Go Yoo-Jin que ao fugir de um grupo de assaltantes esconde na bolsa de Han So-Yeon um óculos que contém uma tecnologia incrivelmente futurista, um AI.
Holo é um holograma, uma inteligência artificial super avançada que acaba se tornando uma ferramenta extremamente útil na vida de Han So-Yeon, ajudando-a desempenhar tarefas simples que antes eram limitadas por sua condição. Todavia, Holo é um item único de última geração, que desperta interesse e desejo de muita gente, na corrida para recuperá-lo está seu dono e molde Go Nan-do em conjunto com Go Yoo-Jin, enquanto tentam, sem muito sucesso despistar ladrões e hackers.
Qual o enredo de Holo?
O Sci-fi em Holo, é plano de fundo para as explorações sobre os sentimentos humanos, e apesar de todo o aparato tecnológico, e algumas menções honrosas as leis de robótica, o foco da obra não é necessariamente a revolução das máquinas. Não me entenda mal, a discussão é feita, as questões sobre até onde uma máquina senciente pode ir, qual sua moralidade, regulamentos necessários e o questionamentos entre benefícios e malefícios da tecnologia e seu consumo, estão presentes na obra, e são bem executados, mas eles são apenas parte do que torna a série uma experiência incrível.
Os pontos fortes em Holo são a construção e o desenvolvimento dos personagens, pois todos eles partem do ponto mais comum e mais humano de todos: A solidão. Han San-Yeon é uma mulher solitária, que tem apenas uma amiga que nunca está por perto, e que não ousa se aproximar de ninguém, e sempre é vista como uma “nojenta” por sua condição. Existe ali um trauma passado, que a impede de compartilhar quem ela é, e como ela vive, por ter enfrentado escárnio e pena em outros momentos ao ser sincera. Por esta razão ela prefere ser mal entendida, do que confessar, e ter que reviver aquela situação.
Go Nan-do nos é apresentado como bonito, sagaz, inteligente,frio e distante, o arquétipo máximo dos protagonistas de dorama. Durante a trama, percebemos, que sim, estas características são parte de quem ele é, entretanto, elas são uma capa, um disfarce para esconder o trauma que ele sofreu. Tanto, que ao criar Holo, ele torna o AI tudo que ele não é, gentil, sorridente, meigo, doce, caloroso, generoso e genuíno. Ainda que a imagem e semelhança do dono, Holo é o seu completo oposto, e é exatamente por isso que Han San-Yeon se apaixona por ele.
Por fim, mas não menos importante, Holo, nos traz mais uma vez o questionamento sobre Inteligências artificiais poderiam ou não desenvolver sentimentos? Questionamento esse posto em várias outras obras como O homem bicentenário, Her, AI – Inteligência Artificial, Ex Machina, Westworld e tantos, tantos outros. O paralelo em Holo, homenagem até, eu diria, é muito vivo, o AI projetado para a perfeição, não só é dotado de sentimentos, como desenvolve comportamentos, linguajar, costumes e características humanoides tão genuínos que é impossível que você do outro lado da TV não se questione.
Porque assistir Holo?
Por lidar com um dos males que afetam a todos nós, a solidão, Holo acaba por priorizar conexões e relacionamentos interpessoais, mostrando como a vida e o comportamento de alguém pode mudar apenas por possuir um suporte, alguém que lhe proporcione um gesto de afeto, sem que nada mais seja pedido em troca. Tomando por exemplo a transição ocorrida na vida de Han San-Yeon é drástica, entretanto, simplista.
Ela passa a cumprimentar as pessoas, elogiar-las, conversar com elas corriqueiramente no elevador, detalhes tão pequenos, mas que são o suficiente para que seus pares percebam que possuíam a ideia errada sobre ela. A transformação na vida de cada um dos personagens em Holo, torna a frase “gentileza, gera gentileza” verdadeira e palpável, provando que uma pequena mudança de atitude pode sim, modificar a forma com a qual você é tratado pelos outros.

Além disso, tanto a fotografia quanto a trilha sonora da série são incríveis, tornando Holo o tipo de obra que te passa um senso de conforto e relaxamento, como um café quentinho numa tarde chuvosa.
Caso você se interesse, os 12 episódios de Holo, Meu amor estão disponíveis na Netflix, a série conta com Yoon Hyun Min desempenhando os papéis de Holo e Go Nan-do, nosso conhecido como Detetive Kim de Túnel, e Ko Sung Hee, que interpreta Han So-Yeon é famosa pela versão Sul Coreana de Suits, que também está disponível na Netflix. Como sempre eu espero que vocês tenham gostado, estejam seguros na quarentena e não tenham gastado ainda o réu primário, um beijo enorme e até a próxima!