Com a notícia surpresa há poucas semanas do lançamento da trilogia Mafia, que pelo menos donos das versões originais no PC teriam upgrade gratuito, uma coceirinha que já vinha tendo de jogar de novo o 2 se tornou maior. Logo após o seu lançamento, mergulhei por uma segunda vez em Empire Bay, depois de quase 8 anos…e essa acabou sendo uma escolha terrível.
Mafia 2 se passa entre as décadas de 40 e 50, e conta a história do imigrante siciliano Vito Scaletta, filho de uma família relativamente pobre, que inicia sua vida no mundo do crime cedo, junto do seu amigo de infância Joe Barbaro. Vito acaba sendo preso, e devido ao contexto mundial ser a segunda guerra, lhe é ofertada a opção de trocar sentença por serviço militar. Ao voltar para Empire Bay, seu entrelaçamento com a máfia de fato é dado início.
As felicidades
Falando bem rapidamente, gostei das melhorias gráficas apresentadas nesta versão definitiva, especialmente nos personagens principais e nas texturas pelo mundo. Há, indiscutivelmente, alguns aspectos que pioraram, como a remoção de grande parte dos efeitos Physx. Exclusivos para placas Nvidia, adicionava realismo à fisicalidade das roupas, além de destroços de qualquer coisa que você possa imaginar. Aqui, ou o estúdio removeu o efeito por completo, ou pouquissimos aspectos ainda são presentes.

No quesito jogabilidade, rejogar Mafia 2 não me desapontou. É exatamente como me lembrava: apesar de simples e mortal (para ambos os lados), atirar é bastante satisfatório, especialmente pra época do seu lançamento original. Dirigir é tão ruim quanto eu lembrava, mas deixo passar. Admito, entretanto, não me lembrar de checkpoints tão punitivos. Foram poucos aqui, mas conseguiram deixar sua marca e tornar o processo um pouco mais irritante.
Outro ponto que me desiludiu, mas que some rápido, são os combates mano a mano. Me recordava da sua simplicidade, e sendo honesto, sua facilidade, mas fui surpreso que a partir de um certo ponto, o jogador precisa usar um movimento específico, tornando essa faceta do jogo um processo meio repetitivo quando dá as caras novamente. Felizmente, conforme o jogo progride, pelo menos no que tange a campanha, foi cada vez se tornando mais raro e, portanto, não incomodando o suficiente.
A derrocada
O problema que tive aqui, real fruto da minha frustração, especialmente neste contexto de jogar mais velho, pois afinal é quase uma década desde que joguei, foi a história do jogo. Por anos eu tive essa vontade, devido especialmente ao tiro do jogo e a sua história, de jogá-lo novamente. “Ah, final estraga um pouco, e tem um pulo do tempo no meio do jogo que sempre me incomodei, mas o resto diverte”. Ledo engano meu, memórias, ou talvez falta de discernimento, me pregando peças.
Até 75% do jogo, a história flui muito bem, mesmo com o já citado pulo de tempo, até compreensível, ainda mais em 2010, pois não existia orçamento que se aguente. Os personagens são muito carismáticos e bem atuados, e denoto aqui especialmente Vito e Joe, mas personagens como Henry também mandam muito bem.
Há uma progressão clara da vida dos dois dentro da máfia, seguindo a cartilha que já estamos acostumados devido a filmes do gênero.

Entretanto, nesses últimos 25%, a história começa a degringolar e nunca mais ganha seu fôlego inicial de volta. Desde um ataque completamente aleatório a casa de Vito, que mais parece uma desculpa comum em jogos para tirar tudo do personagem principal, a uma missão que faz os personagens praticarem um ato que nunca sequer demonstraram interesse de praticar, ou o final insanamente abrupto, são fatores que gritam a todos os vapores um projeto que na sua reta final, muito provavelmente esgotou seu orçamento.
Nunca confie na nostalgia
Outros jogos lidam com esse aspecto monetário da indústria melhor. Alguns ainda deixam isso bem aparente, mas conseguem contornar a situação, entregando um produto coeso. Entretanto, senti que aqui danifica, e muito, o andar do jogo.
Infelizmente, como várias coisas que assisti ou joguei na adolescência, Mafia 2, mais do que outros, deveria ter ficado guardado lá no fundinho da minha cabeça. Só posso agradecer pela oferta gratuita de upgrade, senão estaria um pouco mais puto comigo mesmo.
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