Por se tratar do mês do orgulho LGBT, achei importante analisar com vocês o que possivelmente é o meu mangá favorito, One Piece, nos seus acertos e erros, no que tange a representatividade.
Entretanto, um aviso: sou cis e hetero, opinando sobre a representatividade, neste caso, trans e gay. Não penso que o que apresentarei e argumentarei aqui como pontos positivos ou negativos são verdades absolutas. Adoraria discutir sobre. Vamos lá então?
Em comparação aos seus contemporâneos, como Naruto, que não apresenta basicamente nenhum personagem LGBT, ou Bleach, onde a única personagem, no caso lésbica, é retratada de forma predatória, One Piece já apresentou um diferencial em 2002, no seu arco de Alabasta.
Os Pontos Positivos
Este arco introduziu Bentham, também conhecido como Bon Clay. Intitula-se como Okama, gíria comum no japão usada ao referir-se à homens gays, e se enxerga como homem e mulher. Embora o uso de pronomes na língua japonesa ser um pouco diferente, pelo menos da forma que o ocidente usa para se referir a gêneros diferentes, Bentham termina suas frases com “wa yo”, que reflete uma maneira feminina e assertiva de fala.
Durante esse arco, apesar da única ocorrência sua de uma frase vista comumente como predatória com uma das personagens femininas da equipe dos Chapéus de Palha, Vivi Nefertari, ao elogiar sua beleza e dizer que ‘’a comeria de tão linda’’, Bentham é retratado de forma respeitosa. Nenhum personagem, heróis ou vilões, proferem algum tipo de ofensa contra ele.
Ao final do arco, realiza uma das citações, ao meu ver, mais famosas da série. Ao salvar e se sacrificar pelos chapéu de palha, e dizer: “você pode desviar do caminho do homem, pode desviar do caminho das mulheres, mas o caminho humano, não devemos desviar… Okama way”

Acho importante, um adendo. Pode-se alegar que a frase é exclusionária, em vista de só se referir a homens, mulheres e okama. Entretanto, com o uso da palavra okama ao longo do mangá, especialmente como demonstrarei, penso que Oda usou o termo como guarda chuva de gêneros não binários.
Pode-se arguir que o visual de Bentham seja estereotipado, extravagante, e por isso, algo negativo. Contudo, enxergo que dada a forma que a narrativa e personagens em volta dele o tratam, e estar alinhado com a vestimenta comum da cultura transformista/drag, acompanhado de sua famosa mensagem extremamente inclusiva… Pelo menos em relação as mangás da sua época, ele é um marco.
Inspirações acertadas
Outro ponto positivo que enxergo em One Piece trata-se do Paraíso Okama, também chamado de Jardim Secreto das Flores. No arco de Impel Down, onde Luffy tenta salvar o seu irmão da prisão mais famosa do mangá, acaba descobrindo o tal paraíso. É um andar secreto, comandado pela genderfluid e revolucionária Emporio Ivankov (bastante inspirada em The Rocky Horror Picture Show). Ela tem como poder a manipulação de hormônios, lhe permitindo mudar de gênero, além de cura e outros.

Neste lugar, outros prisioneiros são bem vindos e podem ali, apesar do contexto macro da prisão, uma vida livre de preconceitos, serem quem realmente querem ser. Devem, entretanto, seguir regras para que o local não seja descoberto. Para quem assistiu Doom Patrol, a rua Danny, que acolhe pessoas que precisam de segurança, amor ou um lugar para pertencer, é bem similar.

Aliás, Bentham reaparece neste arco, e acaba por tomar o lugar de Ivankov como rainha do paraíso. Ambos nutrem respeito pelo outro, com a substituição, a passada de bastão, acontecendo de forma bem natural.
Importante denotar que Ivankov e membros do Paraíso Okama participarem do exército revolucionário conversa narrativamente com o fato do mangá discutir liberdade, amizade e felicidade. Dessa forma, estes personagens funcionam de forma orgânica, não se tratam de algo gratuito.
A recaída
Infelizmente, nem tudo é um mar de flores em One Piece. Durante esse mesmo arco, os Chapeu de palha são mandados durante 2 anos para longe de cada um. Sanji vai para a o Reino Kamabakka, que pode se traduzido literalmente como reino das travestis.
Neste mini arco, apresentado no início de capítulos do mangá, Sanji refere-se lugar como um inferno. Além disso, apresenta personagens do estereótipo ofensivo de gay predador representado, que procura converter homens héteros.

Isso se reafirma e de certa forma piora, com a reação de Sanji num arco seguinte. Ao perder bastante sangue, os únicos de tipo similar nas proximidades eram okamas. Quando descobre isso, reage com terror. Portanto, inferir um mínimo de transfobia do personagem se torna algo fácil.
Em vista disso, só consigo expressar choque e confusão com o Oda. Começa sua jornada inclusiva com o Bentham mandando muito bem, mas ao mesmo tempo que demonstra cuidado e tato com o paraíso em Impel Down. Entretanto, erra de uma maneira incrivelmente ofensiva com às histórias de capa de Sanji, e continua com isso arcos depois. Como que o mesmo autor, com referências tão claras no design de Ivankov, e tanto tato anteriormente, comete erros assim? Espero que exemplos positivos sejam a norma, e não exceções.
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Acredito que Oda fez isso muito bem, ele na ilha dos okamas ele estava mostrando a visão de sanji que é alg "lunático" por mulheres, e claramente os okamas n queriam transformar ele e sim treinalo, e aproveitaram que ele n queria se travestir para forçalo a aprender técnicas que envolvesse suas pernas, bom pelomenos é oq acredito. e tmb tem realidade em one piece que é a ponte entre a obra e o anime e sim sanji tem pavor de homems que querem algo com ele mas ele respeita plenamente o Mr2 oq mostra que ele n é transfobico ele aprnas n quer virar um travesti
Nada a ver o que tu falou aí Tem transfobia sim escancarada inclusive. Ser amigo de alguém homossexual ou trans não é desculpa. Além do fato das travestis serem representantes de forma ridiculamente cômicas.
Opa, creio que oq o amigo de cima falou esta correto, o autor não quis ser preconceituoso nem nada, porém sim, o esse mini arco na ilha representa exatamente o inferno para o sanji, o sanji é o hetero top, não iria se submeter a ser transvestido de mulher, e o sub desse arco, representa o inverso do paraiso dos okamas, lá representa mesmo que sem querer de maneira exagerada, o objetivo era mostrar isso, e só pra dizer e complementar, eu sou trans e não me senti ofendido com o arco, muito pelo contario o contraste do paraiso e do inferno foi bem representado, afinal vemos luffy sendo uma pessoa pura de coração que nem liga pra nada, e do outro lado uma pessoa que não curte a ideia de ser
obrigado pelo comentário, mas me perdoe: o problema não é necessariamente o Sanji em si, mas é o fato que o Oda, ao mesmo tempo que representa bem certos personagens LGBT, em situações como a do Sanji, os põem em papeis extremamente predatórios. independe se isso foi intencional da parte do Oda, sinceramente. Poderia ser hetero-top, cis het sem preconceitos, qualquer coisa. O fato dele ainda ser perseguido contra a vontade dele, onde os okama são representados como predadores, é horrível.