Junho é considerado o mês do orgulho LGBT internacionalmente, e nós do Maratona de Sofá, não poderíamos deixar uma data tão importante, para o mundo, nossos leitores e membros passar em branco.
Um pouco de contexto histórico
No pós segunda guerra americano, houve uma busca extrema pela normalidade, uma tentativa por parte do governo de “restaurar a ordem” e coibir ideais anti-americanos ou subversivos. As pessoas LGBTs foram incluídas na lista de seres considerados uma ameaça a segurança, em conjunto com comunistas e anarquistas; por essa razão foram amplamente perseguidos nas décadas de 1950 e 1960.
Entretanto, este também foi um período extremamente efervescente para os movimentos sociais. Concomitantemente com o movimento LGBT ocorria: o Movimento dos direitos civis dos Negros nos Estados Unidos, o movimento da Contracultura, e as manifestações contra a guerra do Vietnã.
Em deferimento a visão paranóica e higienista americana, a polícia praticava “batidas” nos bares, clubs e outros espaços ocupados pelo público LGBT de maneira violenta e brutal. No entanto, na manhã do dia 28 de junho, ao realizar a costumeira batida no bar Stonewall Inn, a polícia foi confrontada com socos e tijoladas, não só pelos ocupantes do recinto, mas pelos moradores LGBTs do bairro de Greenwich Village como um todo. As manifestações duraram seis dias, e são consideradas o maior marco na história LGBT.
O Levante de Stonewall (Stonewall Uprising/Stonewall Riots), acabaram por ser o estopim à formação de organizações de proteção ao direito LGBT como The Gay Liberation Front e The Gay Activists Alliance. Em 1969 também origina-se a publicação PRIDE (Direitos Pessoais em Defesa e Educação), hoje largamente conhecida como The Advocate, que é a publicação LGBT mais antiga a existir nos Estados Unidos.
Ativistas LGBTs presentes em Stonewall
Muito se fala sobre quem teria iniciado o motim em Stonewall, quem desferiu o primeiro soco, atirou o primeiro tijolo. Não é esse o nosso interesse aqui, gostaríamos apenas de rememorar e homenagear algumas pessoas sem as quais o movimento não teria acontecido.
Marsha P. Johnson – Mulher negra, transexual, drag queen e co-fundadora da Street Transvestite Action Revolutionaries (S.T.A.R) , dedicada a oferecer moradia a jovens LGBTs. Uma das principais agentes revolucionárias em Stonewall, que quase foi esquecida e invisibilizada da história por ser negra e transexual. Existe um documentário na Netflix sobre ela.
Silvya Rivera – Mulher latina, transexual, drag queen e co-fundadora da Street Transvestite Action Revolutionaries (S.T.A.R) , dedicada a oferecer moradia a jovens LGBTs. Reconhecida por ser uma das primeira pessoas a arremessar um coquetel molotov contra a polícia, e por sempre ter defendido os direitos das pessoas transexuais.
Stormé De Laverie – Mulher negra, lésbica, é tida como a pessoa responsável por desferir o primeiro murro durante Stonewall. Ativista lésbica conhecida por não performar feminilidade e vestir ternos maravilhosos, ela também trabalhou pelas vítimas de violência doméstica e abuso.
Muitos outros nomes fazem parte desta luta, nós recomendamos que vocês procurem por eles, estudem sobre, eduquem-se e acima de tudo respeitem as pessoas que fizeram possível os direitos que hoje nos são garantidos. Na frase célebre de Edmund Burke “Um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la.”
Porque é importante falar sobre a causa LGBT no Maratona?
Muitos argumentos poderiam ser utilizados para explicar o engajamento do nosso site a causa LGBT, entretanto acreditamos que nenhum argumento poderia ser tão eficaz quanto fatos legítimos, por esta razão, aqui estão dados reais da situação LGBT ao redor do mundo:
- No momento em que este texto é redigido é ilegal ser LGBT em 70 países, em alguns desses países é um crime passível de pena de morte.
- O casamento entre pessoas LGBTs é legalizado em apenas 54 países.
- Adoção por casais do mesmo gênero é legal em apenas 27.
- A Terapia de reorientação sexual (chamada ainda terapia de conversão ou terapia reparativa) é proibida apenas em 3 países, Brasil, Equador e Malta.
- O Brasil registra 1 morte por homofobia a cada 23 horas, sendo considerado o país que mais mata LGBTs no mundo inteiro.
Levando estas informações em consideração fica evidente a necessidade da comemoração de um mês dedicado ao orgulho LGBT. Por conseguinte outro ponto importante torna o debate valioso para o Maratona, possuímos redatores e podcasters que fazem parte da sigla LGBT desde a criação do site. Conteúdo LGBT já foi tratado no site, em vários outros momentos, entretanto, desejamos realizar uma homenagem, mais ostensiva esse mês.
Por esta razão, durante todo o mês de junho postagens serão realizadas por membros do nosso time, voltadas para o público e causa LGBT. Críticas sobre filmes, séries, e até personagens de jogos apareceram por aqui, para prestigiar este mês tão importante. Esperamos produzir conteúdo de qualidade, que provoque reflexão, e sejam informativos, como sempre. Acima de tudo, desejamos que vocês gostem e se sintam representados. Um beijo enorme e até a próxima.