O Continente, o Maralto e os malditos 3%

O Continente, o Maralto e os malditos 3%

VOCÊ É MERECEDOR DO SEU PRÓPRIO MÉRITO!

A série nacional de mais sucesso lá fora, 3%, finalmente teve a sua segunda temporada disponível na Netflix. Contudo, na nova temporada os problemas que rodearam a sua antecessora persistiram, como o roteiro conveniente, personagens sem profundidade e trama superficial.

Consegui ver a nova temporada num tempo recorde de dois dias, até porque eu estava bem animado para rever os personagens que aprendi a gostar no ano anterior. Obviamente me arrependi de tal feito, pois a temporada tem início um ano após os acontecimentos do Processo 104.

Ela começa com Michele (Bianca Comparato) e Rafael (Rodolfo Valente) indo ao Maralto viver as suas vidas de repletas regalias. Enquanto isso, Joana e Fernando retornam para o Continente vivendo na extrema pobreza. Conhecemos mais as motivações de Michele e a sua vontade de libertar seu irmão André, e Rafael ainda fiel à Causa para destruir de vez o Processo.

Impressões sobre essa segunda temporada

Se me pedissem para resumir essa temporada numa só palavra, eu diria: sacrifício. Dessa vez o roteiro não tem medo de sacrificar seus principais personagens. Os roteiristas saem matando de maneira desenfreada onde a maioria das vezes não faz o menor sentido.

Mas não só o roteiro se rende a essa palavra. Os personagens também precisam se sacrificar e desmistificar diversos conceitos em prol dos seus próprios interesses.

Cheguei a comentar no Clube que eu gostei bastante da temporada, mesmo ela estando num mediano pra baixo. Existem momentos chave que fazem a temporada valer à pena, porém mostra a ingenuidade dos roteiristas que não aprenderam com os erros da temporada passada e acabam repetindo-os nesse ano.

Um exemplo disso: pondo falas e diálogos em personagens que nunca falariam ou ao menos iriam pensar naquilo. Tampouco houveram destaques positivos nas atuações.

É importante valorizar produções nacionais, ainda mais sendo veiculadas por uma plataforma importante como é a Netflix, mas a qualidade do produto final é questionávelO que vemos em 3% demonstra um país despreparado para construir obras distópicas como esta.

Mas nem só de pontos negativos foi construída essa temporada, nela conhecemos mais sobre a concepção do Maralto e como ele foi concebido. Também temos mais vislumbres sobre a cultura do Continente e um apresentação musical de cair o queixo:  Liniker interpretando a música “Preciso Me Encontrar”, de Cartola.

https://www.youtube.com/watch?v=RVF6COaFZ38

Portanto, 3% é uma série que tem muito potencial, porém desperdiçado com um roteiro mal construído. Um roteiro que não aproveita a própria mitologia criada, e prioriza situações superficiais.

A obra precisa aprender com os próprios erros tanto em questões técnicas quanto em narrativa. Fica a dica de Maratona descompromissada para o fim de semana e nesse feriadão.

Falando de algum lugar no universo - Vinicius Cerqueira

Estudante de Jornalismo e vidrado em cinema, Vinicius ou Vini para alguns escreve sobre cinema e séries de TV às vezes com um tom ácido e totalmente irônico.

1 Comentário
  1. Responder Vaneza Nunes 2 de maio de 2018

    Concordo muito com o que foi dito, infelizmente o roteiro é fraco, alguns diálogos desnecessários que não condizem nem com a situação e nem com o personagem. Acho que a parte da atuação não seja ruim, eu acredito que a pobreza dos diálogos prejudiquem a atuação. Enquanto assistia a série, pensei em como seria maravilhoso se tivesse sido baseada em alguma trilogia literária distópica que preenchesse esse vazio que a série deixa.

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