Alô maratoners, todo mundo de boa no novo sofá? Já faz um tempo que não cai um texto meu no colo de vocês, então resolvi trazer um assunto que é do momento, mas é também um velho conhecido. Meu primeiro texto aqui no site foi sobre One Piece, que ganhou recentemente uma nova dublagem brasileira e latino-americana! Netflix, sua divulgação tá aqui! Agora que já estou mais despojado no nosso sofá, quero marcar o retorno levando vocês para um rolê mais reflexivo: o que One Piece nos fala sobre um sistema político ideal? (E aqui já deixo avisado: tentei pegar leve, mas como é uma análise estrutural, há potenciais spoilers!)
“Mas Maurício, One Piece não é sobre sistema político”, você poderia me dizer. E eu poderia me juntar ao coro das pessoas que dizem “então você não leu direito, ou não entendeu nada”, mas vou me abster, porque não nos leva para um lugar de debate. Minha resposta é: depende. Se por política, estamos falando da esfera de cargos da administração pública e da sua manutenção, então One Piece de fato não tem isso como foco, mesmo que essa seja uma parcela desse universo. Mas se estivermos falando de política como as maneiras que o poder é centralizado, distribuído e manuseado pelas pessoas no mundo, então arrisco dizer que tudo nessa história de piratas é exatamente sobre isso.
Mas beleza, isso não quer dizer que eu tô fundando o grupo de ciência política aplicada a One Piece. Esse é um texto para que todo mundo, de fãs de One Piece a qualquer pessoa interessada, desfrutem. Eu não vou jogar filosofias políticas complexas em vocês (ainda que fale de algumas formas de governo), nem rotular que One Piece é uma história sobre a formação de um sistema político baseado na ideologia x ou y. Até porque eu não acho que o próprio autor se ocupe especificamente com isso ao representar conceitos e ideias, ele apenas parece mostrar o que acredita pessoalmente ser bom. Agora, se você é uma pessoa que não sabe diferenciar literalmente direita de esquerda, eu recomendo ler o texto usando esse gráfico e minhas direções ultra simplificadas como bússola para fazer seus próprios julgamentos:

Nos meus 16 anos acompanhando One Piece, vi que muita gente parece ter visões drasticamente diferentes sobre o que a narrativa quer nos dizer acerca do sistema político certo ou justo. Há quem diga que existe uma mensagem fundamentalmente anti-capitalista, assim como há os que argumentam por uma mensagem pró-libertária. E ao meu ver, muitas dessas interpretações derivam de tentar enxergar apenas o lado que desejam enxergar. O que é um problema, pois deixamos de ver o mundo de One Piece com as nuances e paralelos concretos que possui. E isso fica evidente na narrativa, com os valores que guiam os personagens na direção de seus objetivos e seus modos de vida.

3 forças, 2 filosofias
One Piece comunica algumas verdades e morais existentes nesse mundo de grandes mares, que certamente não foram criadas no vácuo, e sim na cabecinha cheia de ideias e referências do nosso esforçado Eiichiro Oda. A questão fundamental apresentada na história desse mundo pode ser resumida em liberdade x autoridade. Vamos desdobrar um pouco dessa tensão nas instituições, nos grupos largos de poder que se apresentam como sistemas políticos.
Por um lado, o poder hegemônico opera em grande escala por boa parte do mundo através do Governo Mundial (GM). Ele se formou 800 anos atrás na história, quando 20 diferentes monarquias fizeram uma aliança para centralizar o poder (supostamente para superar um inimigo em comum, o clã D.). O GM é uma oligarquia complexa e com um grande grau de totalitarismo, pois não apenas centraliza o poder nos herdeiros de 19 das 20 famílias de Dragões Celestiais (Tenryubito), como também se estrutura a partir do controle e negociação com os reinos que deixaram para trás.
Na alta cúpula de poder, nós temos os cinco Dragões Celestiais de maior autoridade, os anciões do Gorousei. A Marinha é o braço militar do governo, feito para suprimir oposições e ajudando a reforçar a “justiça absoluta”, uma conduta onde os fins justificam os meios, cujo fim último é o controle total do GM. Com a aplicação dela, não só sofrem os opositores do governo, como são suprimidos e apagados conhecimentos acadêmicos e fatos históricos, a exemplo do Fator de Linhagem (um “DNA” dos seres vivos de OP) e do Século Perdido (que terminou com a formação do GM).
Entretanto, a face pública da Marinha busca confiança e simpatia da população, afinal ela é composta por pessoas comuns (isto é, não são Dragões Celestiais). Para realizar as operações menos percebidas como justas, existe o serviço secreto da Cipher Pol, que realiza espionagem, infiltração, sabotagem, assassinatos… e colabora com a perpetuação da escravidão de diferentes raças do mundo de One Piece. Enquanto essa é apenas uma das depravações dos nobres, é fácil ver como o GM coletivamente se consolidou ao longo dos 800 anos de existência: usando a aplicação prática da ideia de que os Dragões Celestiais são os superiores “donos do mundo”. Como geografia é tudo, os safados foram até morar no ponto mais alto da Red Line para passar a mensagem. Então, se eles dizem que algo é o mal, as ordens deles são a “justiça” feita para erradicar esse mal.
Quando eu coloco dessa forma, nem parece que One Piece acontece no mundo que é, com o piratinha que estica e come carne feliz com os amigos. Mas do que seria o GM sem inimigos pra fazer uma intriga da oposição, né mesmo? Temos uma primeira face da liberdade com os piratas, que se definem por fazer o que tiverem a mais pura vontade. Em meio a condições precárias de vida, busca por ambições ou prazeres hedonistas, os piratas ganham status de foras-da-lei por desobedecerem o GM e viverem à margem das regras impostas.
Nossos grupos de bucaneiros são sua própria forma de governo, se organizando sob a vontade de um capitão. Seja para saquear, roubar, dominar e cometer outras atrocidades como a maioria dos piratas, ou seja para derrubar grupos e regimes opressores como nosso Bando do Chapéu de Palha, piratas são procurados pelos seus atos e ganham prêmios sobre suas cabeças. Isso ajuda em parte com seu reconhecimento no mundo e hierarquia: piratas com mais de 100 milhões de Berries como recompensa deixam de ser aprendizes nos mares e são considerados “Supernovas”, apresentando cada vez mais risco ao GM e acarretando ataques mais pesados da Marinha.
O estabelecimento da Grande Era dos Piratas que conhecemos logo no início da narrativa é também o que define o topo da cadeia alimentar, já que a execução de Gol D. Roger abre a vaga do lendário título de “Rei dos Piratas”. Graças às últimas palavras de Roger sobre o One Piece, só o ato de levantar uma bandeira pirata com sua própria caveira “Jolly Roger” já é uma manifestação de vontade que vai de encontro aos interesses governamentais. E enquanto ninguém vira rei, uma grande guerra dos tronos é travada nas áreas menos controladas pelo GM. Mais uma vez por questão de geografia, o Novo Mundo dá mais espaço aos destemidos, dotados de força bruta e grandes habilidades do que à autoridade do governo. Desse modo, os 4 Imperadores piratas formam um conjunto que oferece riscos mas ao mesmo tempo balanceiam o poder…
Afinal, vamo combinar aqui: Você tem um mar caótico, onde as correntes e o clima são tão intensos que rola ilha de trovões, ilha que te engole, ilha que te abduz e algumas outras que desafiam as próprias leis da física e da natureza. Daí tem 4 doido – Uma mulher gigante, colérica e glutona que rouba almas; Um cara que não morre com nada, é literalmente o Sheng Long mas o único desejo que vai realizar é te quebrar na porrada se não obedecer; Um barbudo que não é gigante (mas tem um gigante), cria terremotos e buracos negros com as mãos; E um…ruivo extremamente carismático. Que te faz perder a consciência com uma olhadela. E o melhor amigo dele é o maior espadachim do mundo. AGORA ME DIGA, você, pé rapado do Novo Mundo, entre um bando de PM beirando o fascismo e esses doido que tem um monte de doido criado na raça sob comando deles, tu corre pro lado de quem? Ok, Ok, me empolguei um pouco.
Mas se você não aguenta olhar pra tanto fascista de um lado nem pra tanto autocrata do outro, e seu coração queima contra a justiça falsa do governo, há um terceiro lado da moeda. Se a Marinha te chama para lutar pelo governo e a bandeira pirata te chama a lutar pelos seus próprios desejos, o Exército Revolucionário é pra quem quer lutar pela liberdade de todo o povo! A única força do mundo que opõe diretamente o GM e tem por objetivo desmantelar toda sua estrutura corrupta. Diferente dos piratas, o modus operandi geral dos Revolucionários é ironicamente similar ao das Cipher Pols: infiltração, espionagem, sabotagem…mas tudo com a função de derrubar reinos tiranos, acabar com o trabalho escravo, com o tráfico de raças, de armas, com as guerras e qualquer atrocidade ao povo causada de algum modo pelo governo.
Sob o comando supremo de ninguém menos que o misterioso pai do Luffy, Monkey D. Dragon, os Revolucionários operam pequenas revoluções locais e evitam grandes confrontos diretos com a Marinha, se preparando para o dia de derrubar os nobres de uma vez. Ainda que ele mesmo carregue o nome, nosso Dragão possui um desdém evidente aos Dragões Celestiais e sua ideologia, afirmando que “não pode haver felicidade num mundo onde aqueles que são considerados indesejados são excluídos e eliminados”. As ações e as intenções de mudar o mundo de Dragon lhe renderam o título de “maior criminoso do mundo” pelo GM. Talvez um dia fiquemos sabendo o quanto isso vale em Berries.
A força que mais demonstra autoridade nesse mundo de fato é o GM, junto com todas as suas ramificações. E para acirrar a ideologia contra eles, piratas e Revolucionários tomam o lado da liberdade. O mundo de One Piece borbulha de disputas entre esses dois lados que estão sempre à beira de inundar o mundo com seus representantes mais intensos e absolutos. A verdade é que o domínio vigente do GM precisa sempre segurar as rédeas das forças paralelas com mãos de ferro pra manter o status quo deles, necessidade que só existe graças ao controle dos Dragões Celestiais. Não à toa, eles que são o alvo dos Revolucionários, não o governo em si. E é desse jeito que nós acompanhamos as sociedades de One Piece subirem e tombarem. Mas quais seriam os moldes alternativos ao que já está posto?
Alguns extremos e o fluxo de uma era
Há uma razão pela qual este texto é sobre a política de One Piece e não sobre a filosofia de One Piece. Eu considero aqui que a filosofia é sobre a visão de mundo que existe na narrativa, o senso de quais valores são mais ou menos importantes, o que é certo e errado. Portanto, a política é sobre o conjunto de regras práticas e sistemas que precisam existir para que sociedades floresçam e prosperem de acordo com esses valores e morais.
A narrativa de One Piece deixa claro nas dinâmicas entre e dentre suas instituições que tanto a liberdade quanto a autoridade são necessárias, assim como ambas podem ser terríveis quando levadas aos seus extremos. A liberdade absoluta e desregrada, sem forma de governo, é caótica e fará com que os mais fracos sofram nas mãos dos mais fortes. Basta olhar para a era de destruição visada pelo Barba Negra. No reverso, um governo forte demais se torna controlador de todas as esferas da vida em nome de “proteger as pessoas” ou de sua “justiça”. E se essa é a tensão que estamos vendo se aprofundar desde o princípio de One Piece, a que resposta Oda se aproxima? Ou seja, qual seria o “Mundo ideal” sendo proposto a partir desse conflito?
Oda representa através dos líderes e das situações enfrentadas por cada reino o que seria uma forma boa de governo para a maioria das pessoas. Governos como os de Drum, Alabasta e Dressrosa apresentam consistentemente ideias de que um governo deve existir para o bem do povo. Um exemplo memorável disso, que me marcou bastante quando comecei a ler One Piece, foi quando o Rei Cobra disse que não importava se eles tiverem que deixar os rebeldes tomarem o palácio, ele não mandaria o exército real matar ninguém porque o país não seria nada sem o seu povo. A mesma atitude foi refletida por Vivi mais tarde, que queria evacuar e explodir o palácio para acabar com o objetivo da rebelião. Não à toa, a família Nefertari foi a única da aliança de 20 reinos a não subir para se tornarem Dragões Celestiais.
Em Drum nós vimos Wapol usar o maior bem público do reino (acesso à saúde) para fazer os cidadãos de reféns, enquanto Dalton questionou e lutou contra esse regime pelo bem das pessoas. Foi eleito por voto depois e ainda renomeou Drum para Reino Sakura. Em Dressrosa, mesmo com toda a manipulação de Doflamingo, o Rei Riku foi redimido e desejado a governar novamente por unanimidade. Ainda que existam as monarquias, Oda mostra líderes que, nesses casos, são escolhidos pelas pessoas depois que seus reinos são livrados da opressão de corruptos, piratas e até nobres. Isso significa dar importância a um espaço de poder verdadeiramente serviente à vontade do povo. E esses líderes vão precisar arcar com as necessidades e questões relevantes.
É necessário utilizar poder armado suficiente para proteger o povo de forças externas (até mesmo da própria Marinha) mas controlado o suficiente para evitar corrupção e abuso de poder, um feito aparentemente alcançado com louvor por Kyros no exército do Rei Riku. A divisão de classes e castas é frequentemente mostrada como um problema e com um claro desdém sobre figuras de autoridade que se baseiam nisso, desde o velho Helmeppo até os samurais da nobreza de Wano atualmente. A divisão de raças também é uma questão. No reinado de Ryugu na ilha dos homens-peixe, por exemplo, nós vemos a luta por poder conviver na superfície sob a luz do sol como uma luta racial, mas que também se encaixa, no sentido mais amplo, numa busca por igualdade para todos (lembra da fala do Dragon?).

Então o molde que vai sendo levantado em One Piece para um governo que faz o melhor que pode para a maior parte da população parece ser: um governo que é escolhido democraticamente e serve às necessidades do povo, com uma forte rede de segurança social para atender às necessidades básicas (a exemplo da saúde em Drum e da questão da comida em Wano), que protege as pessoas e as mantém seguras com suas leis e onde há menor hierarquia ou desigualdade possível.
Assim no papel, essa parece ser uma boa sociedade, para a maior parte. Mas a questão está nos que ficam de fora dessa parte. Será que é possível encaixar alguém como Luffy numa sociedade assim? Há como todos os piratas, independente do espectro moral, conviverem dessa forma? Pode até ser que boa parte deles nem existissem se as sociedades do mundo inteiro fossem mais justas e equilibradas. Mas ao mesmo tempo que Oda almeja por esse tipo de sociedade, coloca um outro tipo de vida num pedestal no mundo de One Piece, por razões drasticamente diferentes.
Todos no mundo são filhos do mar
O ideal mais importante representado em One Piece é, sem dúvida, a liberdade. O tipo de sociedade que delineamos na seção anterior é uma que Oda me parece ter em grande estima, mas ela não é completamente sobre a ideia de liberdade. Afinal, não tem como um governo fazer leis, manter algum grau de ordem mesmo nos melhores interesses de todos e ainda assim agradar perfeitamente toda sua população. Mesmo que você faça regras visando fazer o melhor para uma maioria, sempre vão ter aqueles que não vão concordar com algumas delas.
Por exemplo, no país de Wano, a lei isolacionista foi criada exclusivamente para proteger o próprio povo, visto que por muito tempo Wano sofreu nas mãos de forças externas buscando por riquezas. E provavelmente essa estava sendo a melhor opção para o país, mas nós conhecemos ao menos uma pessoa que não concordava com essa regra (se não sabe quem é, corre pra ler os capítulos mais ferventes de Wano logo!). Mas esse é o ponto, a própria natureza das regras faz com que exista quem se oponha a elas por conta de valorizarem mais as suas liberdades individuais ou sua forma de ver o mundo e o que é melhor.
Para pessoas assim, como a maioria dos piratas, que escolhem voluntariamente um mundo menos seguro para favorecer viverem um mundo mais livre, os mares são seu paraíso. Esse é o segundo tipo de ideal que One Piece romantiza. E até podemos enxergar isso como uma dicotomia, onde vemos formas de governos justos e injustos desabrocharem nas terras enquanto a vida de pirata apresenta a possibilidade de uma sociedade diferente nos mares. Então o mar demonstra uma grande quantidade de piratas vivendo “a era deles” que o governo não consegue controlar, e onde há mais liberdade individual do que em qualquer lugar do mundo.

Mas a maximização da autonomia nos mares não vem sem seus custos. Enquanto nos governos terrenos é ok perder um certo grau de liberdade para que a igualdade seja valorizada como forma de proteção, a vida de pirata significa o oposto. É um mundo de cão onde todos estão tentando subir uma escadaria metafórica para alcançar maior status, os fortes sobem na direção do topo e os fracos morrem. Competir com os outros piratas para alcançar a grandeza é altamente romantizado. O próprio significado de “haki” significa ambição, e é descrito que os grandes piratas possuem literalmente a “disposição para se erguer acima dos outros”. Ninguém nasce um yonkou, tem que fazer seus corre pra chegar lá. Isto nunca é visto de maneira negativa, já que se lançar nos mares é pedir por essa competição e ter que arcar com todo o peso que ela carrega.
Um aspecto importante dos piratas que são considerados “bons” na narrativa é que mesmo nesse mundo meritocrático dos mares, eles nunca pilham de pessoas que não sejam também piratas, que não estejam também na competição. Ainda que Oda mostre com frequência que existem coisas mais importantes do que dinheiro, ele costuma recompensar os Chapéus de Palha com tesouros pelas suas ações ou por derrotarem outros piratas. Como o bando costuma gastar seu dinheiro ajudando amigos ou fazendo festa pra geral, Oda passa a mensagem que não há nada inerentemente errado em querer mais dinheiro para si, desde que você seja uma boa pessoa e compartilhe o que ganha com os outros.

Se você imaginou a bússola lá do início, estamos pensando no mar como um ambiente altamente competitivo com foco no individualismo, descendo ladeira pela direita. Mas um grande qualificador dessa vida que Oda insiste sempre em martelar é que NÃO é um vida para qualquer um. Como pirata, estou sempre deixando algo para trás (como a família) e sacrificando completamente minha segurança por uma vida onde morrer de fome, num naufrágio, de doença, assassinado ou em combate não seria incomum. Ou seja, uma sociedade que vive nesse caminho é altamente perigosa. E com a romantização dessa vida no mundo de One Piece, tudo que você pode fazer é aceitar o fardo, pois nas palavras do Crocodile, “não há jogo limpo ou jogo sujo numa disputa entre piratas”.
Um mundo dos sonhos

Creio que estamos sendo guiados atualmente para uma conclusão da história de One Piece, e a amarração dessa questão que coloquei aqui está ficando mais e mais evidente. A resposta sendo dada para a tensão entre esses dois mundos, se deveria ganhar a liberdade ou a autoridade, é que talvez nem toda tensão foi feita para ser resolvida, mas para coexistir. O balanço entre esses ideais. Não há um tipo único de sociedade que seria perfeita para todos, uma utopia, porque pessoas possuem valores diferentes que iriam se conflitar dentro de um mesmo sistema.
A solução para que exista um mundo dos sonhos com o sistema ideal, seria na verdade a coexistência de dois sistemas. Um mundo no qual você pode escolher baseado em seus próprios valores sob qual sistema quer viver. Deveria haver uma sociedade ordenada e justa, com um governo eleito democraticamente que realmente represente o povo. Que fornecesse uma forte rede de segurança social e também evite as divisões de raça e classe, promovendo a igualdade. Ao mesmo tempo, para aqueles que não querem viver sob um governo ditando o que podem ou não fazer, queiram liberdade individual maximizada, que queiram competir entre si para subir no mundo, ganharem com base nos seus méritos e estão dispostos a aceitar os perigos e dificuldades que vem com esse tipo de sociedade…sim, deveria existir essa possibilidade também.
Parece que no fim das contas One Piece reforça que a liberdade precisa vir antes de tudo de uma forma ou de outra. Para que seja possível escolher diferentes modos de vida. Antes de debater qual modo é melhor, lutar pela existência de uma alternativa e pela própria possibilidade de escolha. E o mundo de One Piece não é, ainda, esse mundo dos sonhos. É justamente disso que essa aventura se trata.

Gostou? Não gostou? Quer destruir meu texto e construir outro no lugar? Comenta aí e vamo debater! Abração e até a próxima.
tem uma questão no antepenúltimo parágrafo, não? para que aqueles que não querem viver sob um governo ditando o que podem fazer - piratas, o destino (por mais que o bando chapeu de palha seja diferente) acaba sendo predar o sistema estável e ordenado (pelos saques). Então esse sistema só seria estável se houvesse a concordância de que ocorreriam sacrificios constantes (piratas saqueariam uma cidade, marinha expulsaria piratas etc) Como vc disse, "geografia é tudo", e talvez em OP isso seja mais possível graças à vida nos mares. Mas num momento ou outro, haveria colisão. Claro que essas colisões podem acabar gerando uma harmonia tal qual a do reino animal (presas e predadores), mas não sei se é exatamente a ideia q vc tá querendo passar