Vamos começar com um comentário/reclamação: tem chegado uma leva de filmes russos, como A Noiva, A Sereia e afins, que tem como objetivo popularizar lendas de terror russas. Isso é muito positivo. Porém, tem um indício de que esses filmes serão ruins: eles são dublados em inglês (com legendas brasileiras). Então, duas reclamações. Primeira: parem de trazer filmes dublados em outras línguas para cá! Ou deixar ele na língua original e legendem, ou dublasse logo para o português. Segunda: Rússia, eu confio em vocês. Dá pra fazer melhor. Por favor.
A Maldição do Espelho (Pikovaya dama. Zazerkale / Queen of Spades: Through The Looking Glass, 2020).

SINOPSE
Depois de perderem a mãe num acidente de carro, Olya (Angelina Strechina) e Artyom (Daniil Izotov) vão estudar em um internato, no qual seu pai adotivo/representante legal Igor (Valeriy Pankov) é professor. Lá, a lenda de que um espírito chamado A Rainha de Espadas pode realizar desejos se espalha, e atrai a atenção dos jovens.

FALAR SOBRE TERROR MAIS UMA VEZ…
No nosso podcast sobre Terror, o Carlos Voltor fala que um dos motivos de tanta gente, principalmente iniciantes, fazerem filmes de terror, é que boa parte das decisões está na mão do diretor e da equipe. Por exemplo, não se exige tanto um talento na atuação como um drama ou comédia. Fica claro em A Maldição do Espelho que mesmo assim, existem limitações – e fica difícil apontar suas causas.

ATUAÇÕES
Não são impressionantes. Eu não costumo cobrar muito de atores mais novos. Mas fora Artyom (que é, de fato, bem ruim. Mas é muito novo também), todo o resto do elenco é adolescente ou adulto. E o elenco jovem é bem fraco. Acontece o outro extremo, também. Nota-se que a atriz que interpreta a diretora (não consegui encontrar o nome, perdão) é muito boa, mas tem seu potencial quase desperdiçado.

TRILHA SONORA
Esquecível. Efeitos sonoros são até melhores, mas não muita coisa.
EFEITOS ESPECIAIS
Tem pouco. Os que tem, se baseiam principalmente em jogos de camera e maquiagem. Da maquiagem, pouco se nota, pois os atores maquiados no geral estão cobertos ou não recebem foco. Mas, por exemplo, numa cena na água, próximo ao final, dá pra notar que não é lá muito caprichada. Além disso, os sustos desse filme se baseiam DEMAIS em jogos de câmera. Foco num lado, a visão vai se alterando para outro, foca em algo, depois volta para o enquadramento original.

ROTEIRO
Começa bem. Evolui de maneira óbvia, mas não precisa ser uma coisa ruim. Mas logo se nota que é fraco, sim. Várias pontas se abrem sem voltar a serem amarradas. Diversas inconsistências. Diálogos que poderiam ser resolvidos em falas muito simples (e plausíveis) se arrastam para grandes conflitos. Maria Ogneva, a roteirista, só tem A Maldição do Espelho creditado a ela no imdb. Espero coisas boas dela no futuro, mas não foi dessa vez.

DIREÇÃO
Pois é. O diretor não é onipotente, mas deixou que tudo isso acontecesse, não é? Não dá pra tirar a responsabilidade de Aleksandr Domogarov. Pelo contrário. Aleksandr ainda tem pouca experiência como diretor, e A Maldição do Espelho deixou isso muito claro.

CONCLUSÃO
Não percam seu tempo. Se você quer ver um filme ruim de terror, o serviço de streaming que você usa já está cheio deles.
