Ok, tem filmes que a gente já entra achando que vai ser ruim. Outros, que nem Como Treinar seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon: The Hidden World, 2019), eu já entro achando que vai ser incrível.

SINOPSE
Soluço (Jay Baruchel), Astrid (America Ferrera), junto com seus parceiros Banguela, Tempestade, e outros mais, estão há tempos na função de libertar dragões capturados por caçadores (uma espécie de Greenpeace nórdico). Isso começa a irritar os traficantes, que contratam o Supla… ou melhor, Grimmel (F. Murray Abraham), para resolver a situação.

COMENTÁRIOS
Eu sou bem suspeito para falar de Como Treinar Seu Dragão. É uma série que eu gosto muito, e é sempre bom revê-la. Ao ponto de que está sendo difícil escrever, porque só me vem à mente “Nossa, esse filme é muito bom!”, mas vou tentar.
Essa nova etapa trás os personagens um pouco mais amadurecidos, e o discurso deles também. Apesar de ser um filme claramente family-friendly (Ninguém morre nem se machuca seriamente, não há sangue. Só há beijo na boca numa cena entre adultos, e um selinho), os temas variam um pouco. Se antes, era sobre a batalha entre humanos e dragões, numa dicotomia óbvia, agora temos o debate: Se somos amigos, devemos deixá-los ir embora? O que me leva a refletir um pouco mais da relação que humanos tem com dragões, nesse universo, e por consequência, a relação que nós temos com nossos animais de “serviço”, em nosso mundo. Mas vou deixar esse debate para outro momento.

EMOÇÃO
Como Treinar Seu Dragão 2 tem a marca muito especial, para mim (claro), de ser um dos poucos filmes que me fez chorar. O discurso que Soluço faz sobre o próprio pai me pegou desprevenido. CTSD3 não me pegou tanto, mas ainda assim tem muito apelo ao lado emocional. Da surpresa ao ver a nova Fúria da Noite, ao riso quando vê Banguela tentando conquistá-la, a euforia ao ver o paraíso dos dragões, e a melancolia quando… bem, a melancolia. O que realmente anima no filme, inclusive, não são grandes surpresas de roteiro. Mas sim, como ele é escrito de modo a não deixar pontas soltas, e te deixar satisfeito no fim.

CONCLUINDO
Eu vou deixar a parte mais técnica passar, porque tenho pouco a acrescentar. Dá pra dizer que as cenas são tão majestosas quanto nos filmes anteriores. Às vezes nem tanto pelos elementos em tela, mas pela noção de vastidão, e pela atenção aos detalhes. Cenas com muitos personagens são certeza de ter muita coisas acontecendo juntas, o que é lindo de ver (E fácil de confundir).
No mais, Como Treinar Seu Dragão 3 é um ótimo capítulo da série, e mesmo que deixe brecha para edições futuras, conclui bem uma série acima da média, e que sempre desperta nossa criança interior. Não deixem de assistir!!
Mini-Cast
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MOMENTO P.S. – PODE SPOILER
Como eu disse mais cedo, dá pra usar esse filme como metáfora para a relação que temos com nossos animais, tanto domésticos, quanto de corte ou de trabalho. Porém, mais interessante que isso. Quando o Grimmel conta, em dois momentos, sua motivação para a caça, pra mim ficou muito óbvio: era o discurso de um extremista racial. A ideia de que “Eles” não eram nada mais que ladrões e assassinos, que já foi “provado” que “nós” somos superiores, e que é um favor exterminá-los. Ou melhor: não os que são serventes, mas que são envenenados para a obediência constante. Faltou só uma fantasia de fantasma.
Fora isso, uma amiga me mandou um texto sobre amizade entre brancos e negros. E não consegui deixar de fazer relação com a amizade entre humanos e dragões (extrapolando pra amizade entre maiorias e minorias sociais). Mas isso fica pra outro momento.
