Entre Facas e Segredos – quase da família…!

Entre Facas e Segredos – quase da família…!

Gente, deixa eu pedir desculpas logo. Entre Facas e Segredos (Knives Out, 2019) estreou na última quinta, dia 12. Mas eu não consegui produzir a resenha a tempo, porque estava preparando minha defesa do TCC. Na qual eu passei, com 9,0!

Queria dividir minha alegria com vocês, mas o texto não é sobre mim. Vamos lá.

Poster oficial. Ao centro, todo o elenco principal (incluindo familiares e detetives), com Harlan sentado numa poltrona vermelha, a frente de todos. Eles estão dentro da biblioteca da mansão. Acima, o título em Inglês (Knives Out), com a marca (uma lupa cujo cabo é uma adaga) logo atrás.

SINOPSE

O milionário Harlan Thrombey (Christopher Plummer) morreu. Tudo indica suicídio, mas pelo visto, vários membros da família, e até alguns de seus empregados, poderiam se beneficiar com seu falecimento. Cabe agora à polícia, e ao detetive Benoit Blanc (Daniel Craig), investigar o caso.

Meg, Joni, Linda, Walt, Richard, Donna e Jacob, a céu aberto (com um bosque ao fundo), olhando para cima, na direção de uma varanda (que está fora de quadro)
De quem será a culpa…?

SOBRE HYPE

Alguns filmes fazem burburinho e você nem sabe muito o porque. Então você se vê impelido a ir assistir sem nem ter muita noção real do motivo. Entre Facas e Segredos foi assim, pra mim. Eu sabia que não ia perder essa sessão, mas na verdade não fazia ideia sobre o que ele se tratava. O que na verdade é ótimo, como eu gosto de assistir coisas, mas enfim, eu fui impelido por um hype completamente arbitrário.

No primeiro plano, o Tenente Elliot (LaKeith Stanfield) está sentado numa poltrona, conversando com alguém (fora do quadro). Ao fundo, o policial Wagner (Noah Segan) olha o tenente
Por que você só não se entrega de uma vez, minha senhora?

HOMENAGENS E RELEITURAS

E valeu a pena. Eu gosto bastante de livros de mistério e policiais, e Entre Facas e Segredos acaba sendo uma ótima homenagem ao estilo. Com um adicional: Comédia. Esse tipo de narrativa não costuma ter esse ar mais divertido. No geral são sérios, pesados, envolvem temas que no geral não atraem o riso, como morte, intrigas enfim. Vocês conhecem (eu espero).

Tá, agora a gente tem um dilema: você gosta de comédia? Você gosta de filmes que tentam trazer novos ares para um gênero? Porque senão, Knives Out talvez não seja pra você. Claro, mantendo a ressalva de: Todas as histórias já foram contadas. É claro que já existem filmes policiais com comédia. Mas filmes que mantenham o tom “aghatachristieano” apesar do bom humor é raro.

Num bosque, Benoit Blanc, Elliot e Wagner observam uma pista no chão (fora do quadro)
“Perae que eu vi uma pista óbvia aqui”

ELENCO

Falando em humor, parabéns ao Daniel Craig. Por ser um dos PIORES superdetetives geniais já visto em todos os tempos. É muito divertido vê-lo em tela, porque de fato, ele é um personagem muito inteligente. Mas ele é engambelado de maneiras tão absurdas, que chega a ser um talento ser tão lesado. A forma como todos conseguem passar a perna nele uma hora ou outra…

Mas é uma boa falar sobre isso, esse “todos”. Entre Facas e Segredos tem um elenco de estrelas absurdo! Daniel Craig, Chris Evans, Ana de Armas, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Don Johnson, Toni Collette, LaKeith Stanfield, Christopher Plummer, Katherine Langford, Jaeden Martell, Riki Lindhome … Toda uma constelação hollywoodiana em tela. Boas atuações é, com certeza, o que você verá.

Em segundo plano, Marta está sentada numa cadeira. atrás dela está uma estrutura artística composta por diversas armas brancas, dispostas em círculo, apontando para o centro.
Em primeiro plano, Blanc está em pé, sem paletó (mas de suspensório e camisa social), muito sério, com mão em riste, explanando suas ideias.
Game of Thrones?

CONCLUINDO

Entre Facas e Segredos é um EXCELENTE filme de detetives, e também uma ótima comédia. Muito inteligente, e muito divertido. Sem contar, é claro, com a qualidade do elenco, que é absurda. Parabéns a toda produção, e por favor, se ainda não viram, vão assistir!

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler)

Em close, Marta (Ana de Armas) está apoiada no beiral de uma janela, falando ao telefone. Ao fundo, um dos quartos da mansão, onde se vê um lustre.
“Alô, Val? Também tão dizendo que você é da família?”

MILITOU SEM PROMETER

Toda vez que um filme traz um debate social, eu acho importante destacar. O de Entre Facas e Segredos são dois: relações familiares hipócritas, e racismo contra imigrantes latinos. Vou dar mais importância à última.

Quem já viu Que Horas Ela Volta já conhece a relação hipócrita entre patrão e empregado, isso se tal coisa não aconteceu na sua casa: a empregada é “quase da família”, “nós amamos a […]” mas… No primeiro conflito, isso é esquecido, a funcionária é esquecida e desprezada, enfim. Marta (personagem de Ana de Armas) é justamente isso, a mais querida por toooodos, praticamente da família… Mas quando descobrem que Harlan morreu, e ela é a herdeira, tudo muda. Vale tudo pra fazer com que ela perca a herança, de chantagens emocionais à ameaças diretas. Até lembrar que a família dela tem problemas com a imigração, lá de… De… Do Equador, do Brasil, da Colômbia, foda-se de onde é essa imigrantezinha de merda. Devolva nosso dinheiro!

Enfim, é uma relação de falsidade e aparências, ninguém quer admitir o próprio classismo, nem o próprio racismo (a cena na lareira é perfeita nisso). No final das contas, as relações de trabalho devem ser só de trabalho, mesmo. Relações afetivas se constroem com o tempo e com as dificuldades, não podem ser só algo que você nomeia e acredita ser verdade.

Dispostos em meia lua, toda a família está olhando para a câmera, em pose, tirando foto.
É melhor matar todo mundo de uma vez.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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