Frozen II – Muito melhor

Frozen II – Muito melhor

Quando eu saí do cinema, eu comentei com os colegas do site: “Frozen II faz o primeiro parecer fan fic de si mesmo”. Só que minha amiga Bells (que vocês já conhecem) é uma fanfiqueira convicta, e não curtiu muito o comentário. Eu fiquei de pensar em outra coisa, mas não achei nada com o mesmo impacto. Então, ao invés de uma frase de efeito, fica esse causo/reflexão. Frozen II (2019)

SINOPSE

Elsa (Idina Menzel, Taryn Szpilman) é uma rainha amada pelo seu povo, apesar da estranheza dos seus poderes. Porém, ela começa a ouvir chamados misteriosos. Espíritos antigos despertaram, e parecem ter contas a pagar com o reino de Arendelle.

Numa cama, Elsa e Anna ainda crianças se aconchegam no colo da mãe
ooooooowwwnnnn…

COMPARAÇÕES

O primeiro Frozen é um fenômeno inacreditável. De tal forma que chega a ser engraçado ver que a Disney não anda apostando muito em propriedades intelectuais novas, vem fazendo continuações e remakes, que costumam dar uma grana mais certa. Certo ou errado, Frozen enche muito os bolsos do Mickey, além de ser uma das princesas mais queridas entre as crianças (e ter uma das músicas mais chicletes da última década). Chega a ser estranho terem demorado tanto…

Mas, na real? Ainda bem. Costumo dizer “atrase o quanto quiser, mas me entregue o melhor produto possível”. Desde que a gente esteja falando sobre filmes e livros, é claro. Eu prefiro que demore, e me entregue um material melhor do que eu tava esperando. 

Em primeiro plano, Elsa, com um vestido vermelho vinho, está com um olhar apreensivo. Ao fundo, Sven (sentado no chão), Olaf, Anna e Kristoff (sentados no sofá) olham para ela com expectativa divertida
– Sua vez de jogar!
– Mas eu não sei jogar….

UPDATE

Que é o caso de Frozen II. Ele é muito melhor que o original. Claro, sem a edição de 2013, tudo isso seria impossível. Mas (espero que concordem comigo), o Frozen original tinha MUITOS problemas de roteiro. O andamento dele era maluco, não tinha ritmo, as coisas aconteciam muito bruscamente. Aqui, no segundo episódio, não. Se deram tempo de construir uma história anterior muito mais profunda e interessante. Com clichês? Amigo, estamos falando de um filme da Disney, é claro que tem. Mas ainda assim, a história que nos é apresentada, para contextualizar o reino de Arendelle, os poderes da Elsa e tudo o mais realmente incríveis.

EVOLUÇÕES

Nesse contexto, os personagens ganham muito. Todos eles, até os que já tinham sido bem trabalhados no original, como a Anna (Kristen Bell, Érika Menezes, Gabi Porto) e a própria Elsa. Destaque pro Olaf (Josh Gad , Fábio Porchat), que nós literalmente vimos a origem, e ainda assim tem um crescimento excelente. Inclusive, a atuação do Porchat, como dublador, ficou muito melhor nesse filme, parabéns.

Olaf e Sven se abraçam, sorrindo
Quem é a rena mais liiiiinda (e que na verdade é um cachorro)?

CHICLETE

Se tem uma coisa que funcionou no primeiro Frozen foram as músicas. Seu habitat atual são as festas infantis, mas você ouve em shoppings, karaokês, concursos de canto, é uma maluquice. Pro II, não mediram esforços. É música PRA CARAMBA. Tem material pra combater a Xuxa por uma década. As adaptações… eu sempre prefiro acreditar que fizeram o melhor possível. Mas “Into the Unknown” pra “Minha Intuição” é um pouco estranho, mesmo. 

num bosque à noite, Elsa está com a salamandra / espírito do fogo na mão esquerda. deixando cair flocos de neve com a mão direita. Ambas estão felizes.
Nhom, mais que fofo! Toma aqui meus 200 reais por esse bonequinho.

VISUAL

Para fechar, Disney e Pixar vem nessa guerra fria de melhores “roteiros pra chorar” e melhores efeitos visuais de filmes 3D já há alguns anos. Se na primeira categoria, a Pixar costuma levar fácil, nos efeitos gráficos o páreo é duro. A cada novo título temos uma nova cena para ficar impressionado, e em Frozen II, temos a cena da… Da… bom, cena com água. Todas elas. A que tá no trailer, e a que não tá. Fritaram muita placa de vídeo renderizando.

Alinhados, Sven, Kristoff, Olaf, Anna e Elsa olham para ago. Ao fundo, uma paisagem rochosa, com um morro ao fundo, e o céu do entardecer.
Wooooow

CONCLUIDO

Frozen II não é uma simples continuação, é uma melhoria absurda à história do reino de Arendelle e sua família real. Se você já não viu (afinal, ele estreou em novembro no resto do mundo, e só dia 2 de Janeiro de 2020 aqui no Brasil) fica a recomendação. E papais e mamães, se preparem para pelo menos 4 vestidos novos, mais 11 músicas novas, mais personagens fofos para comprar bonequinhos… Vai ser um ano difícil. 

Num braco feito de gelo, Anna Segura o braço/galho de Olaf, sorrindo. Olaf parece triste, apesar de sorrir.
Quer uma mãozinha?

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler)

Esse vai ser rapidinho. Só dois pontos.

Primeiro, como o passado de Arendelle é de um colonialismo cruel. Não haviam motivos reais para o rei levar guerra aos povos do norte, mas não só ele cria a barragem que os enfraquece, como também leva o aço. Eles não tinham necessidade. E, se ainda houvesse o medo, que preparassem suas defesas. Ou criassem laços comerciais, sei lá. Nada sufoca mais outras culturas que o livre comércio, afinal. Enfim.

A segunda é mais fofa. É sobre o Kristoff (Jonathan Groff, Raphael Rossatto). A frase que ele cita no final, “Meu amor não é frágil”, define todo o personagem o filme inteiro. Ele não tem medo algum de admitir o que sente por Anna, nem que está pronto para se casar com ela. Ele não se propõe a interromper a relação das duas, nunca manda um ultimato do tipo “ou a Elsa, ou eu”. Ele entende a situação, mesmo que seja frustrante e doloroso. Porque o que importa, para ele, é o amor que ele sente. É muito bonito, e uma lição para todos nós.

De costas para o leitor, Anna, Kristoff e Elsa olham para uma floresta sombria
Ao desconhecido, seguindo a intuição.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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