Oh véi, na moral… É uma meia pra ir pro cinema, uma pra voltar, e eu ainda comprei um café antes de chegar no shopping porque eu fui dormir tarde mas eu respeito os filmes e queria ficar acordado na sessão. Eu quero meu dinheiro de volta. Os Órfãos (The Turning, 2020).

SINOPSE
Baseado em The Turn of the Screw (A volta do parafuso), de Henry James.
Kate (Mackenzie Davis) é professora, e tem a oportunidade de trabalhar como professora particular de duas crianças, Miles e Flora (Finn Wolfhard e Brooklynn Prince), que vivem numa mansão reclusa. Esse lugar tem um passado assustador.

COMENTÁRIOS
Eu tenho uma raiva profunda de Donnie Darko. Por que: é um filme extremamente confuso, com diversas informações e elementos, que te deixam tão perdido que te dá a sensação “não é que o filme seja mal escrito, EU que não entendi. Deve ser culpa minha. Sou burro/a”. Isso já basta pra me irritar, mas para ALÉM disso, o diretor lançou uma versão nova, onde aparecem trechos do livro de que sempre falam no filme. Lendo essas informações, você descobre que:
- Era IMPOSSÍVEL, com as informações que o filme te dá, você deduzir o plot;
- Mesmo que reduzisse, ele é muito idiota
Então você gasta duas vezes o tempo desse filme pra ter uma história merda em mãos.
Vem Os Órfãos, agora é com você! Pode entrar!

COMEÇA GENÉRICO…
Pra caramba. Primeiro que é um filme de susto. Mas são sustos muito óbvios. Então, se você já está acostumado com a linguagem, vai saber reconhecer facilmente cada um desses momentos. O problema é que é tudo muito genérico. E por mais que fotografia e atores sejam bons (além da locação, que é incrível), é muito potencial desperdiçado. Quase dá para reconhecer as referências usadas em Os Órfãos. Até que…

…TERMINA MALUCO.
Pra caramba (de novo). O fim (que não vou dar spoilers), tenta expandir as possibilidades de uma maneira tão absurda, que simplesmente é insustentável em comparação ao filme que você acabou de assistir. Você está esperando por respostas, e foi mal, elas não virão. Não só: quando chega no fim, você percebe diversas linhas narrativas que foram abertas e… Não serviram de nada. Inclusive são inconsistentes. Mas que p…

COISAS BOAS
Tá, tem muita coisa legal em Os Órfãos. O filme se passa em 94, então as coisa estão ambientadas positivamente. Apesar de que enfim, como a decoração da mansão é toda antiga, isso pode passar despercebido.
Além disso, os quatro atores principais são bons, principalmente as crianças. O ator de Miles já é bem conhecido, Finn estrela Stranger Things e It. E Brooklynn Prince, do alto dos seus 9 anos, manda super bem.
A fotografia deixa o ambiente sempre antigo e sujo, como uma mansão desse tamanho provavelmente seria. Além de muito sombrio, para comportar os sustos que virão. Os jogos de câmera com espelho são básicos, mas eficientes.

NO FIM…
…É isso. Não perca seu tempo. Se perdeu, procure por teorias na internet. Isso se você achar que vale a pena, e na boa? Não vale. Não trate como Blade Runner quem te trata como Donnie Darko.
MOMENTO P.S. (Pode Spoiler)
Só frisar que se o filme INTEIRO for “então era um sonho”, se lenhar. E também, se tiver alguma mensagem cifrada naquela tapeçaria no final, vocês me avisam. Eu olhei, mas não achei nada.
Porque a governanta (Barbara Marten) mantinha as crianças na casa? Porque a boneca da bisavó virou o pescoço? Qual o lance dos alfinetes no peito do manequim? Porque o Quint (Niall Greig Fulton) resolveu aloprar essa mansão, qual a relação dele com a casa? O fantasma é um abusador, e isso quase não é trabalhado no filme. Que mania é essa de seguir na direção do barulho? Se faz “crack” no porão, você NÃO VAI. E que doidera foi essa de ver o futuro no papel queimado? E porque não viu mais um? Os Órfãos é ou não uma lição de como ter controle sobre crianças? Porque a governanta fez a ocultação de cadáver, mas permitia os abusos? Qual o lance com a ala Leste?

Deixa eu reduzir a pistolagem aqui. Pesquisar e ler sobre as coisas ajuda a gente a não dizer besteira. Como dito na sinopse, Os Orfãos é baseado no conto The Turn of the Screw*, que tem como polemica principal justamente a derrocada da mente da personagem principal. Ela é louca, ou os fantasmas realmente existem? Com isso, dá pra entender melhor as ambiguidades que Floria Sigismondi tentou trazer mas… Não rolou. Foi mal executado.
No final das contas, a lição que fica é: Nunca tenha bonecas de porcelana em casa.
*inclusive, o nome original The Turning é muito melhor, nesse contexto