Eu já reclamei aqui, vou reclamar de novo: tem uns filmes nacionais que tornam MUITO difícil encontrar material na net. Caramba gente. Valorizem suas páginas no IMDB! Socorro, Virei Uma Garota! (2019)

SINOPSE
Júlio (Victor Lamoglia¹) é o estereótipo do nerd: gosta de filmes e séries, bom nas matérias, gosta de ciências e… péssimo com garotas. Comete o erro clássico, que é se apaixonar pela garota mais bonita da sala, Melina (Manu Gavassi). Depois de sofrer muito bullying, faz um pedido para uma estrela cadente. Mas… se ele tivesse especificado melhor o próprio desejo, talvez não tivesse virado uma garota (Thati Lopes).
ESTEREÓTIPOS pt.1
Sim, vamos falar deles, mas antes vamos falar de outra coisa: a percepção do público brasileiro sobre conversas brasileiras.
Não vou passar pano: tem um monte de lixo, mesmo. PORÉÉÉM… tem muita produção por aí que tem qualidade de mesmo nível, ou às vezes superior, a produções de fora, e a gente não valoriza. Eu queria fazer um debate maior sobre síndrome de vira-lata, mas não vou explorar muito, não. Mas o lance é que, se você olha para uma comédia nacional, e acha ela ruim por ser nacional, tem algo mais profundo aí. E esse algo tá em você, não no filme.
NORMAL
Agora pro esperado. Como eu já disse, tem muitas produções brasileiras que tem nível igual a outras internacionais. Socorro, Virei Uma Garota! é uma delas. Inclusive, e talvez esse seja o problema, é um filme igual DEMAIS a outras coisas que já vimos. Você gosta de comédias onde:
- Protagonista muda de corpo/aparência
- Isso faz com que ele mude suas percepções
- O que o leva a valorizar a vida anterior
- Ele tem dificuldade de retornar a sua “forma anterior”, mas quando o faz, está mais sábio / maduro
Se sim, Socorro é pra você. Senão, meio que tanto faz. Porque é um filme muito padrão. Dá a sensação, inclusive, de que você já o assistiu antes. Ele tem bem pouca novidade. Os clichês estão todos lá. No máximo, são repaginados. Então…
ESTEREÓTIPOS pt.2
Começando pelos personagens:
- O nerd
- O melhor amigo
- A menina mais bonita
- Professor mala
- Irmão chato
- Pai que não te entende
Até nas situações
- Gostar da garota que não te dá bola
- Problemas em casa
- Convencer alguém de que você não é quem parece, na nova “forma”
- Dificuldade em se adaptar
- Começar a agir como se fosse outra pessoa “Preciso mesmo voltar?”
- Aprendizado
- Retorno
- Viver de forma diferente
Nada muito variado.
PARTE BOA
Cara, a parte boa é que, querendo ou não, ele é no mínimo divertido. É o que se espera de um filme assim. Você vai rir, pegar referências, ficar com vergonha alheia, se emocionar nos momentos certos.
PARTE RUIM
Então…
Um filme com essa premissa, nos dias de hoje, tinha potencial para abordar um monte de coisas. Mas ele é… superficial, pra dizer o mínimo. Por exemplo, ele poderia fazer um debate sobre como “celibatários involuntários” na verdade só tem uma percepção errada do mundo (e de si), mas isso é praticamente só citado. Não é uma COISA. Fora que ele fala de uma realidade muito irreal, também. Todo mundo é classe média alta, tem grana pra desperdiçar, estuda em colégios ótimos, quase não tem não-brancos, a única pessoa de dreads é a lésbica branca etc etc etc, essas “besteiras” que a gente VALORIZA MUITO aqui no site, e comenta em QUASE TODA RESENHA. Tem um lance a mais
FILME VELHO
Por falta de vivência, não percebi que o filme é ainda pior. Só numa conversa pós-filme com uma moça, que me dei conta. A forma estereotipada como tratam mulheres lésbicas, por exemplo, é muito preocupante. Uma piada que eu particularmente ri, onde um possível beijo lésbico é embalado por uma música da Ana Carolina, foi na verdade bastante ofensivo para essa moça. Até a representação dos nerds é meio ridícula. A representação das mulheres também. É tudo meio tosco. Você muitas vezes ignora, pelo costume. Mas os problemas estão lá.
O que nos faz pensar: um filme como esse ainda tem espaço nos dias de hoje? Eu não sei a resposta. Pode ser “sim”, inclusive. Mas no final das contas, já tem tantos como esse por aí. Talvez seja melhor ficar com os que já tem.
Eu só quero deixar bem claro: minha treta não é com a equipe de produção, com as atuações nem nada. É com direção e roteiro.
CONCLUINDO
Socorro, Virei Uma Garota! É tão divertido quanto boa parte dos filmes feitos para TV que você viu na sessão da tarde nos anos 1990/2000. Isso é tanto o ponto forte, quanto o fraco: você se diverte pela familiaridade. E honestamente, se você gosta desse tipo de comédia, fora os pontos abordados em PARTE RUIM e FILME VELHO, você não tem porquê não gostar. Mas no final das contas são temas tão antigos e batidos que pode-se perguntar porque ver um filme como esse novamente. TALVEZ, com um pouco de consultoria, ele ficasse redondinho. Fica pra próxima.
MINI-CAST
Já subiu no seu feed, mas você pode ouvir ele logo abaixo.
Abraços, até a próxima!
¹ Cês sabiam que esse ator fez Sharknado 5??? Ganhou muitos pontos comigo!