Quem cresceu lado a lado com um irmão ou irmã com certeza deve ter uma boa reserva de histórias cômicas e trágicas de infância, envolvendo essa complexa relação.
Em Histórias tão pequenas de nós dois, o escritor e ilustrador, João Marcos, narra algumas dessas suas hilárias e comoventes experiências através dos quadrinhos protagonizados pelos irmãos Mendelévio e Telúria.
Com humor afiado e um ritmo super gostoso de acompanhar, o livro publicado pela editora Abacatte (a mesma de Leila) merece a atenção de leitores de todas as idades em busca de boas gargalhadas.
Uma dupla apaixonante
Mendelévio e Telúria são irmãos com gostos, estilos, vontades e personalidades bastante diferentes e que entre uma briga e outra, aprendem um pouco mais sobre si mesmos e como seriam incapazes de viverem um sem o outro.

Uma verdadeira dupla de excêntricos, não apenas no nome, os irmãos são capazes das mais mirabolantes (e divertidas) ideias para vencer o tédio. A ingenuidade de Mendelévio, aliada a engenhosidade de Telúria, são os ingredientes perfeitos para criação das melhores pegadinhas, e por consequência, das melhores gargalhadas.
Mas não é só de brigas, pegadinhas e gargalhadas que vivem os dois, que fique bem claro. Há muitos momentos de pura ternura entre a dupla, em que a cumplicidade impera e os faz trabalhar juntos para vencer as adversidades.
Histórias tão pequenas de nós dois
Foi publicado originalmente em 2011, pela editora Abacatte e foi finalista do troféu HQ Mix naquele ano. O livro é o segundo lançamento da dupla Mendelévio e Telúria, criada por João Marcos, que além de professor e quadrinista, é também roteirista na Mauricio de Sousa Produções.

Muitas das histórias vivenciadas pela dupla, segundo o próprio autor, são baseadas nas suas próprias experiências dos tempos de criança. A Telúria, por exemplo, é uma união da personalidade de suas duas irmãs.
O livro tem um total de 52 páginas e em cada uma delas, o leitor encontra uma tirinha completa protagonizada pelos irmãos. A criatividade de João Marcos em cada uma das histórias é de tirar o chapéu, seja pela construção das piadas por meio dos diálogos ou por seu estilo de desenho colorido e cheio de vida.
Eu, meus irmãos e nossas pequenas histórias
Eu sou o filho do meio, de três filhos homens. Vivi boa parte da minha vida próximo aos meus irmãos, apesar de termos nos afastado gradativamente por conta de incompatibilidades de interesses e a nojentice natural da adolescência. Ainda assim, devo a eles muitas das melhores experiências (e brigas) da minha vida, pois com certeza não seria quem sou hoje, não fosse por eles.

E, talvez, por essa razão a maneira como Mendelévio e Telúria, lidam um com outro, hora querendo se pegar na porrada, hora se amando incondicionalmente, me soe tão familiar e nostálgica. É como se João Marcos conseguisse universalizar no seu trabalho muitos dos pontos comuns de tensão e carinho de quem viveu uma infância acompanhado de um irmão ou irmã, menor ou maior.
A história que mais me marcou no livro é uma em que Telúria, ao ver o irmão dormindo, o cobre para que não sinta frio à noite — mal sabendo ela que o Mendelévio estava acordado e viu tudo. Eu me recordo de ter feito isso pelos meus irmãos algumas vezes, quando ainda éramos garotos, mas morria de medo que eles descobrissem o meu lado carinhoso.
Aprecie com moderação (ou não)
Eu bem que tentei ler Histórias tão pequenas de nós dois com moderação para não acabar o livro tão rápido, porque estava gostando muito, mas a empolgação foi tanta que acabei lendo tudo de uma vez. O que mais tarde não se mostrou necessariamente um problema, já que a vontade de ler o livro novamente e rever algumas piadas era grande.
Ainda não tive a chance de mostrar pros meus irmãos as tirinhas de Mendelévio e Telúria, mas pretendo realizar esse “experimento” e ver com qual das histórias eles se identificam. Fica o convite para vocês, maratoneiros, conhecerem esse quadrinho que tem um gosto especial pra quem teve a sorte (ou azar?) de ter irmãos. E se quiser, compartilhe com a gente algumas das suas histórias.