Então, eu vi o filme no sábado passado, mas rolou uma bad na família, que me deixou muito mal… mas o filme (também) é sobre família, e passou da hora de se animar. Então vamos lá, que o texto hoje é sobre Os Incríveis 2.
ANTES, uma nota:
Eu tô procurando pra cima e pra baixo, mas não to conseguindo achar os nomes dos dubladores nacionais (fora as estrelas Flávia Alessandra, Otaviano Costa, Raul Gil, e Evaristo Costa). Me perdoem pela falta de referências, e se acharem, por favor contem pra gente que atualizamos o texto. [1]
Outra nota: o texto contém alguns spoilers, mais em relação a impressão do que ao roteiro, mas enfim, vai com cuidado!

SINOPSE
Imediatamente após o final do filme original Os Incríveis (2004), a família Incr… Pêra se vê numa situação de emergência, que exige medidas urgentes e desastrosas. O governo decide voltar atrás no plano de proteção aos ex-heróis, e eles só tem mais 2 semanas antes do despejo. Por sorte, o casal de irmãos Evelyn (Catherine Keener / Flávia Alessandra) e Winston Deavor (Bob Odenkirk / Otaviano Costa), herdeiros de uma multinacional, tem o plano de melhorar o moral dos antigos heróis e mudar a legislação.

COMENTÁRIOS
Os Incríveis, junto com Tarzan, Mulan, Toy Story e outras animações, foram filmes que marcaram profundamente minha infância. Os Incríveis, em particular, foi um que vi no cinema várias vezes, com amigos distintos (na época não era tão absurdo de caro). Lembro até hoje de mesmo criança, ter esperado por uma continuação, coisa que hoje em dia vou rejeitando cada vez mais. E ela finalmente veio! Já estava quase desistindo.
É claro que algumas coisa são inevitáveis. Expectativa, por exemplo. São 14 anos de espera, não tinha como o filme ser o que eu esperava. Eu queria ver as crianças crescidas (apesar de que, pelo tempo de espera, Violeta (Sarah Vowell/Lina Mendes) já teria mais de 30, Flecha (Huck Milner/Victor Hugo Fernandes) já seria um adulto, e Zezé (Eli Fucile) estaria na adolescência). O plot também, jamais seria o que eu quero (mesmo que eu nem saiba o que eu quero, na verdade).
Mas vou te falar? O filme é bom pra cacete.
QUE É QUE ROLA
Todas essas especulações sobre o futuro filme, sobre “será que vão tomar uma decisão a la Toy Story e fazer o tempo passar no filme?”, seriam decisões muito arriscadas de se tomar. A Pixar preferiu jogar no seguro, fazendo do novo filme uma continuação direta do anterior. E funcionou, porque a gente ainda não esqueceu o original. É ótimo revê-los.
Na verdade, é ótimo voltar para todo aquele ambiente, aquela cidade americana (sem nome) com todo um clima retrô-futurista.
Mas é óbvio que houve evolução. Não só tecnológica, como nos roteiros também. Os diálogos são inteligentes e dinâmicos, ao ponto de que teve gente reclamando que o filme não é pra criança, o que… enfim, não sei se eu concordo. Eu imagino que o eu de 13 anos que assistiu o filme original ia gostar muito desse, mas talvez não se fosse muito mais novo. Só que é indiscutível, é um filme mais maduro.
Porque Os Incríveis sempre foi um pouco mais maduro mesmo. A discussão do primeiro não era só sobre os heróis serem proibidos de atuar, era sobre a frustração do homem de meia-idade – Senhor Incrível (Craig T. Nelson / Luiz Feier Motta) – com relação às suas aspirações de juventude, e o que a vida lhe forçou a fazer em nome daqueles que lhe são dependentes. Já esse traz um novo debate: o que fazer quando não se é mais o provedor? Como lidar com a quebra no orgulho de saber que você, homem, não é mais aquele que sustentará a sua casa?

Esse é um contexto paralelo à história principal. Nesta, quem vem brilhar são a Mulher-Elástica (Holly Hunter / Márcia Coutinho) e… o Zezé! Sobre a primeira, vemos exploradas as habilidades e sensibilidade da super heroína, que também sofre um dilema pessoal fora da ação: como lidar quando não se é, mais, quem mantém a casa nos eixos? “Será que ele vai dar conta?”. E o Zezé… Zezé é a estrela pirotécnica do filme (nem sei se o termo existe). Todos os membros da família tem habilidades metafóricas. O pai é super forte e resistente, para proteger a família.
A mãe, elástica e flexível, sem deixar de ser forte. A garota adolescente, tímida e retraída, fica invisível e cria barreiras. O menino hiperativo e desatento alcança super velocidades. E o bebê? Bebês tem potencial infinito, e a metáfora aqui é que ele tem dezenas de poderes! Não sabemos se, no futuro, eles serão reduzidos, mas a priori ele, literalmente, pode ser o que quiser. E os pais tem que aprender a deixar que se desenvolva, sem deixar de controlá-lo.

No final das contas, mesmo adorando as cenas de ação, o que mais me cativou foram esses debates paralelos, de como ser adulto é um esforço sobre humano.
PROBLEMAS
Nem tudo são flores, e o filme pra mim tem três problemas mais graves.

O primeiro é que, para conseguir destacar alguns personagens, outros viram meros secundários ou terciários. O Flecha, por exemplo, talvez ainda precise de outro filme. O Gelado (Samuel L. Jackson / Márcio Simões) aparece mais, mas ainda é pouco.
O segundo é o visual de personagens. Parece que alguns dos designs dos novatos foi feito na época do lançamento do original. Por que os gráficos são dignos de Playstation 1 / Nintendo 64.
Por fim, o enredo… pra não entregar muito, basta dizer que você certamente já o viu antes. E isso é um pouco decepcionante. Não estraga o filme. Mas bem, lembra o que eu disse sobre expectativa? Você esperaria tudo, menos esse argumento de roteiro.

RESUMO
Os Incríveis original é, pra mim, um filme fantástico, e Os Incríveis 2 também é. Não dá pra dizer qual dos dois é melhor, e nem acho que esse debate faça sentido. É uma continuação muito coerente e consistente do filme de 2004.
Eu sei que esse texto demorou de sair com relação ao lançamento, mas se ainda tiver oportunidade, vá assistir.
Abraços!

MOMENTO P.S. (Pode Spoiler)
A repetitividade que eu cito no texto é: de novo o vilão é um pseudo benfeitor que finge ser pró-herói, mas na prática quer acabar com eles.
Podem relaxar, a Edna Moda (Brad Bird / Nádia Carvalho) volta!
E sério, se tiver chance, veja dublado. Faz MUITA FALTA a dublagem brasileira.
[1] Nota da nota: Antes mesmo de publicar o texto, consegui achar um vídeo que diz essas informações! O vídeo é esse aqui. Por isso os nomes durante o texto. Mas vou deixar o parágrafo original. É meu protesto com a dificuldade de achar coisas tão simples, como elenco de dublagem.


