Mare Nostrum – fábula para adultos

Mare Nostrum – fábula para adultos

O que esperar de um filme em que você é a única pessoa na cabine? Então, eu não sei. Mas pelo menos, eu posso escrever enquanto eu assisto. Que beleza! O filme é Mare Nostrum.

 

SINOPSE

Ricardo (Silvio Guindane), jornalista esportivo que graças a crise europeia tem que voltar da Espanha para o Brasil, tenta resolver sua própria crise financeira, vendendo um terreno esquecido de posse do falecido pai. Ele precisa então tratar com Mitsuo (Ricardo Oshiro), filho do antigo dono do terreno, que ainda é legalmente o proprietário.

Mitsuo (Ricardo Oshiro) e Ricardo (Silvio Guidane), em pé na areia, com o mar ao fundo, olhando sérios na direção da câmera
Dois mundos distintos são

DRAMA

Eu não sou contra quebra de expectativa num filme. Pelo contrário, eu gosto. Mas acho que, como todo mundo, quando um filme tem uma quebra de expectativa, eu prefiro quando vai para um estilo/tema que eu gosto, valorizo.

Mare Nostrum é um filme de drama muito bacana e competente. Conta a história de duas famílias diferentes na aparência, mas com dramas semelhantes: fracassos, falta de dinheiro, falta de conexão entre membros. Falta de esperança. Mas…

foto de uma mesa de cabeceira, onde dentre vários objetos, vemos a foto de João
O João (Ailton Graça), querendo ou não, nos acompanha o filme todo

FÁBULAS

No final das contas, o filme é praticamente uma fábula, sem animais falantes. Coisas míticas acontecem quando uma certa condição é aceita. E isso quebra a emoção que o filme causa no começo. O filme deixa de ter o peso de um drama, e se torna uma fantasia contemporânea. Quase um conto de fadas urbano. Um filme infantil com cara de adulto. O que é uma pena.

Vale constar que o filme não é caricatural. As atuações são sérias e dedicadas, fora a da menina Bia (Lívia Santos), mas ela ainda está em processo de evolução. Direção de arte e de fotografia, de áudio, caprichadas, todas. E é inegável dizer que a direção é boa para o que é proposto. Mas o argumento… esse sim é problemático.

É como se você pegasse um filme de sessão da tarde e desse a ele uma cara de drama. Entende?

Então é isso. O filme é bacana, mas é decepcionante.

Mas fica a recomendação, assistam. Em outro momento.

Na praia, ao redor de uma máquina de pimball, estão Ricardo, Matsuo, a menina Bia (Livia Santos) e Orestes (Carlos Meceni)
Coisas legais, mas fora do lugar… Sacou, sacou?

Abraços, e até a próxima!

P.S.

Sabiam que tem um monte de filme chamado Mare Nostrum??? Tem esse de agora, tem esse de 1926, tem esse de 2016, um documentário de 2017…. Tem um monte! Além de ser o lema de Praia Grande, um dos cenários do filme.

Falando de algum lugar no universo - Fernando Medeiros

Graduado em Ciência da Computação, pai de dois cachorros, sommelier de memes. Criador do (então) falecido Cinenerd.

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