Ok, esse foi um cine reparação que não deu tempo de fazer, tive que ir limpo para sala de cinema. Mas valeu a pena. Aleluia, um filme de terror bom!! Cemitério Maldito (Pet Sematary, 2019).

SINOPSE
Baseado em um conto do Stephen King . Uma família se muda de Boston para uma casa no interior de Ludlow, tentando escapar da agitada vida urbana. Lá, descobrem que dentro da sua propriedade, há o “Semitério de Animais”. Com a morte do gato da família, o pai Louis (Jason Clarke) o enterra… mas no lugar errado. E então TUDO começa a dar errado.

FILME BOM, CARALHO!
Como já disse antes aqui no site, o gênero de terror / horror costuma causar decepções em quem gosta (me incluo). Existem obras geniais dele mas o padrão é uma série de filmes bem medíocres, que só servem pra te assustar e nada mais. No final das contas, sustos não são suficientes. Precisa de alguém bom escrevendo.
A junção Stephen King + cinema já nos rendeu coisas fantásticas no passado. O Iluminado, Carrie, A Espera de um Milagre, Conta Comigo, It. E não é só porque os diretores, e diretores de fotografia eram bons. É também porque o roteiro no qual se basearam era bom. Cinema pode ser considerado principalmente uma experiência estética, mas pra mim é principalmente narrativa. E isso o King faz muito bem.
Claro que, como vocês sabem, essa não é a primeira adaptação deste livro para o cinema. O que pode nos levar de novo à discussão “fazer remakes ou não”? Eu vou deixar ela de lado agora. Até porque Cemitério Maldito é muito bom pra que a gente o dispense.

ATUAÇÕES
De todos os atores, é inegável que Jeté Laurence é a mais impressionante. Ela é ok como garotinha “normal”, mas como zumbi ela é inacreditável. A menina é muito, MUITO boa. Sério. A própria produção afirma isso. Ma na verdade, todo mundo manda muito bem. As caras de pavor de Amy Seimetz (Que encarna Rachel) são incríveis. Jason Clarke está ótimo na sua jornada entre ciência e misticismo. John Lithgow é o perfeito velhinho com aparência assustadora que aprendemos a amar.
Aproveitando o ensejo, uma das coisas mais interessantes que notei foi a escrita dos diálogos. São muito naturais e críveis. Tem um lance no cinema que, quando a gente se acostuma, aprende a ignorar: os diálogos no geral são muito forçados. Acontecem uns saltos que nem sei se chamo de “saltos lógicos”, ou de “saltos narrativos” que dificilmente aconteceriam numa conversa real. Então é bom ver diálogos reais, dinâmicas reais. (Mesmo sendo um filme que descamba para fantasia).

SOBRE DEIXAR MORRER
Por fim, só debater um pouco a metáfora do conto. Que é a aceitação da morte. O filme é até explícito às vezes, mas pode passar batido, que está falando sobre como pessoas não lidam bem com a morte. Isso me faz lembrar uma história que ouvi tempos atrás, mas como não consegui achar a fonte, vai só como anedota mesmo.
Havia um vendedor conhecido numa cidade pequena. Um dia, por infelicidade da vida, ele morre. Todos vão ao velório e, lá, durante o sepultamento, a viúva chora “não vá, me leve com você!”. O problema é que o vendedor teve um surto de narcolepsia, e acordou. E ao contrário do esperado, todos começaram a fugir dele. E ele acabou abandonado, na miséria.
Qual o lance: as pessoas não refletem, de verdade, sobre o que aconteceria caso algum ente querido voltasse da morte. Sério. A gente não gosta de aceitar sua partida, porém, não está pronto para a possibilidade de eles voltarem. Além de que, existe um grande problema em encarar a morte como é. Tem um trecho explícito sobre isso. Nós escondemos a morte. Higienizamos ela. Compramos e desenvolvemos cada vez mais produtos, técnicas e práticas que nos afastem da morte. Mas ela é inevitável. Nós costumamos pensar na nossa vida como infinita, por isso fazemos tantos planos para o futuro, e futuros distantes (“quando eu me aposentar…”). Nós, como sociedade, precisamos fazer as pazes com a ideia de que, em algum momento, qualquer momento, você e qualquer um que você conhece deixará de existir. É prevenível, mas não inevitável.
Quando o Louis não é capaz de aceitar a morte, e tenta trazer entes queridos de volta, ele cria problemas terríveis para si. E não consegue perceber que, na prática, a forma de resolvê-los, seria devolvê-los para o seu lugar: Não mais nesse mundo.
Olhem para quem vocês amam, e fiquem atentos que uma hora eles irão embora. E viva intensamente o período com eles, antes que o momento chegue.

CONCLUINDO
Cemitério Maldito é excelente a nível de produção, e a narrativa é primorosa. Inclusive, o final é maravilhoso. Fica a nossa recomendação: quem gosta de Terror, Cemitério Maldito é para você. Abraços!
