10 Videoclipes que também são ótimos filmes curta-metragem

10 Videoclipes que também são ótimos filmes curta-metragem

Certamente o cinema é o meio de realização audio-visual mais popular que existe, é o mais acessível e difundido. Mesmo com ascensão de plataformas como o You Tube, que disponibiliza diariamente milhões de videos, dos mais diversos possíveis. A questão é que maior parte dos filmes que chega até nós são longa-metragem. Mas existem muitos vídeos publicitários e de música, curtas, que são ótimas peças fílmicas, ótimas obras de audio-visual, e algumas delas são bem cinematográficas, em termos de estética e narrativa. E é justamente sobre isso que vamos falar hoje, mais especificamente de videoclipes. A ideia é listar 10 videoclipes que também são ótimos filmes curta-metragem, melhores que muitos longas.

Ainda sobre videoclipes e videos publicitários, vale lembrar que são uma ótima porta de entrada na industria cinematográfica. Não sei exatamente como é isso aqui no Brasil, mas nos EUA vários diretores de cinema, hoje consagrados, como Spike Jonze, Zack Snyder, David Fincher e outros, começaram suas carreiras nesse tipo de produção.

Sobre a nossa lista, ela não tem uma ordem, não coloquei mais de um vídeo do mesmo artista, as sinopses não são oficiais (eu que criei), e a curadoria é baseada puramente em minha percepção pessoal, daquilo que conheço de cinema e música. Então se existe algum videoclipe que seja muito bom e cinematográfico, e não está nessa lista, é porque eu não conheço, ou não acho que seja tão bom assim para estar entre os 10. Mas fique a vontade para comentar sua lista e seus vídeos favoritos.

Vamos para a lista…

Telephone – Lady Gaga e Beyoncé

Ano de lançamento: 2010
Direção: Jonas Åkerlund
Sinopse: Esse videoclipe é uma continuação de Paparazzi onde no fim Gaga acaba presa por assassinato. Aqui ela vai pra cadeia, passa algum tempo lá, e aparentemente, Beyonce paga sua fiança e vem lhe buscar. Depois disso as duas saem por aí aprontando coisas terriveis e terminam sendo perseguidas pela polícia.

O que gosto muito nesse vídeo é a direção de arte e a edição. Os figurinos são muito modernos e ao mesmo tempo tem uma nuance vintage, e tudo que envolve as protagonistas é muito colorido e contrastante, sejam as roupas, maquiagem ou cenários, principalmente fora da cadeia. E as transições são muito divertidas e fluidas, geralmente com algum elemento gráfico que faz a passagem.
Depois de 9 anos ainda estamos aguardando a continuação dessa história.


Welcome To The Black Parade – My Chemical Romance

Ano de lançamento: 2006
Direção: Samuel Bayer
Sinopse: Para falar desse vídeo temos de falar do album. O MCR gosta de fazer albuns temáticos, The Black Parade é um deles. O album inteiro está contando uma mesma história, resumidamente é sobre um cara que está morrendo de cancer. Cada música vai falar sobre algo que ele viveu, relação com alguém ou uma época vivida. A canção Welcome To The Black Parade é justamente sobre a morte, a passagem em si. O cara morre e é recebido por esse desfile macabro, alegoria da morte, que o está levendo para algum lugar.

Fotografia e direção de arte são o que tornam esse video tão encantador. Me chama atenção a estética retrô adotada na formatação do filme, a proporção 4:3, as vinhetas em torno da tela que simulam o piscar de olhos. A construção desse mundo é muito interessante, a atmosfera suja e desesperançosa, as ruínas do que parecem ser castelos ou torres, fuligem que paira no ar. É praticamente PB, mas não é, alguns tons de vermelho tem vida. Os figurinos remetem a uma estética steampunk. E o cenário remete à obras do expressionismo alemão, formas pontiaguadas, rígidas, claramente artificiais, mas que criam uma sensação de surreal, de um mundo fabulesco.
Acho muito poética essa alegoria de morte. Quando pensamos em obras de
ficção científica, uma discussão muito antiga é sobre o que nos torna humanos, o que nos define como um ser que existe e vive realidade. E em grande parte dessas obras a resposta é consciência e memória. E aqui tem muito disso, a letra da música fala de uma lembrança de infância que marcou muito esse cara. De quando seu pai o levou para assistir o desfile de uma banda marcial na cidade. Considerando que foi algo que mexeu muito com ele, faz total sentido a morte se apresentar dessa forma. E pensando assim, para cada pessoas esse momento é distinto, conforme a vida que ela levou a as coisas que lhe marcaram.
O final é algo ainda aberto para mim, todo o cortejo some do nada, e ele anda sozinho dentro desse mundo extremamente sombrio.


Do The Evolution – Pearl Jam

Ano de lançamento: 1998
Direção: Kevin Altieri e Todd McFarlane
Sinopse: Essa é uma animação incrível, que você provavelmente vai reconhecer o traço, pois Kevin Altieri foi a animador da clássica Batman: The Animated Series. Aqui temos a pior face da humanidade evoluindo atráves dos tempos. O ser humano, por natureza, é mau e destrutivo e onde quer que vá sempre leva morte consigo.


21 Guns – Green Day

Ano de lançamento: 2009
Direção: Marc Webb
Sinopse: Um casal acabou de roubar um banco e está refugiado na sala de uma casa. O clima é de tenção. A polícia chega abrindo fogo. Logo depois da primeira onda de tiros o telefone toca, provavelmente é a polícia, a moça joga o telefone num aquário. Vem outra onda de tiros. Sentindo que aquele poderia ser o último momento de suas vidas, andam destemidamente um em direção ao outro. Se encontram no meio da sala e se beijam.

Esse é o meu vídeoclipe favorito da vida. É uma música que carrego comigo até hoje. Bem provável que seja minha música favorita também. Então sou suspeito para falar, pois tenho muito amor por essa obra.
A direção de videoclipe é primorosa. Vocês devem conhecer o Marc Webb pelo filme 500 Dias Com Ela. Nesse vídeo ele dá um show. Os planos que ele cria aqui, os enquadramentos, são composições muito belas e harmoniosas, aproveitando muito bem o pequeno espaço da sala (a cena do espelho quebrado é meu quadro favorito – que plano foda pra krl). Além disso ele faz um uso muito bom de plano detalhe, o do cartucho caindo no chão e do aquario explodindo são ótimos exemplos disso. A movimentação de câmera é excelente, principalmente nas cenas da banda tocando, adoro o giro de 360º que ele faz em torno do casal e do Billie tocando guitarra, a edição intercala uma cena com a outra e funciona com perfeição. Além disso Marc faz um uso muito sofisticado e sútil da câmera lenta, em alguns momentos é quase imperceptível. Na cena em que eles andam um na direção do outro esse slow é muito poético e simbólico, pois é como se naquele momento o tempo parasse e aquele, possívelmente, último beijo fosse a única coisa que importasse.
A iluminação é muito boa, principalmente na metade final do vídeo. O jogo de luz e sombra cria contrastes dramáticos. E a forma como cada tiro que rompe a parde cria um foco de luz é muito bela.
As atuações, por mais breves que sejam, são muito verdadeiras. Dá pra sentir a tensão no ar mesmo antes de começarem os tiros, pois a postura dos dois transmite isso. E depois na cena do beijo, ante a eminente morte, eles passam uma paixão muito honesta. Eu realmente olho para esse casal e acredito que eles se amam.
Claro que na vida real seria bem improvável pessoas levantarem e andarem de boa no meio de um tiroteio, mas nessa obra isso funciona muito bem.


Shake Me Down – Cage The Elephant

Ano de lançamento: 2011
Direção: Isaac Rentz
Sinopse: Um senhor de meia idade acorda numa manhã e vai dar uma corrida, durante o trajeto ele se depara com uma misteriosa portinha no meio da floresta. Ele entra pela pequena porta e …
Não posso falar mais, o legal nesse vídeo é descobrir o que tá acontecendo com esse cara. Mas posso adiantar é um filme bem emocionante, reflexivo e bonito. E também é bem inventivo, a forma como mostra o que acontece é bem criativa, parece algo muito íntimo. Por favor vejam esse vídeo até o fim.


Here With Me – The Killers

Ano de lançamento: 2012
Direção: Tim Burton
Sinopse: Um garoto (Craig Roberts ) vive uma paixão platônica por uma atriz famosa ( Winona Ryder), a tal ponto de ter uma boneca de cera dessa atriz e viver uma linda e fantasiosa história de amor.

Esse filme é um amor. Tin Burton tem uma capacidade incrível de fazer coisas sombrias, bizarras e tristes parecerem as mais belas do mundo. E aqui ele faz muito isso. A história contada é assustadora, mas como vemos do ponto de vista do garoto é tudo muito romântico e encantador. Em termos tecnicos é tudo muito bem executado, tem enquadramentos bem bonitos, é um filme com assinatura do diretor.



Trologia Walls – Kings of Leon

Ano de lançamento: 2017
Direção: Laura Gorun e Dimitri Basil
Sinopse: Atividades paranormais e o desaparecimento de um grupo e jovens mexe com uma pequena cidade do interior dos EUA.

A história contada aqui se passa em três videoclipes, das músicas
Waste a Moment e Reverend, dirigidos por Laura Gorun , e Find Me, dirigido por Dimitri Basil. Curiosidade é que ambos os diretores também atuam nos videoclipes.
É uma trama de ficção científica, com muito mistério , com elementos como super humanos e viagem no tempo. Tem uma aura meio Twin Peaks que permeia grande parte do vídeo. De todos os filmes/videoclipes citados nessa lista, certamente esse é o que tem a trama mais complexa.
A direção é bem simples, mas muito elegante. O uso do zoom in e out é muito recorrente, principalmente em ambientes internos, e dá um ar de suntuosidade muito grande. A edição transiciona muito bem as cenas em uma sincronia perfeita com a música. É realmente um filmão.

Hurricane – 30 Seconds to Mars

Ano de lançamento: 2010
Direção: Jared Leto
Sinopse: O filme explora um mundo de violência e sexo, no que parece ser um sonho, ou pesadelo. Onde os mebros da banda estão em narrativas simultâneas, envolvidos em perseguições, lutas e romances. É um filme experimental, que tece várias críticas a religiões e a guerra.

This Is America – Childish Gambino

Ano de lançamento: 2018
Direção: Hiro Murai
Sinopse: O filme conta a história do negro na américa.

Esse certamente é um dos grandes filmes dos ultimos anos. Quando falamos em videoclipes é muito provável que esse seja o mais relevante e impactante de todos. Não vou me estender muito aqui, pois existem milhares de textos e vídeos explicando e interpretando essa obra. Mas pontos que merecem menção são a direção, que faz um trabalho primoroso de movimentar a câmera dentro desse espaço e conseguir que tudo esteja perfeitamente sincronizado e no devido lugar. E a atuação do Donald Glover que é a alma do vídeo. Ele se entrega totalmente e cria um personagem simbólico, perturbador e poderosíssimo.

Thriller – Michael Jackson

Ano de lançamento: 1983
Direção: John Landis
Sinopse: Um casal vai ao cinema, e no caminho de volta para casa são atacados por uma horda de zumbis.

Para finalizar nossa lista, não podia ser outro.
Esse, muito provavelmente, é o videoclipe mais cinematográfico já feito. Um clássico da música e do cinema, o bra impar e imortalizada na cultura popular mundial. Thriller é um filmaço de terror, com os elementos mais icônicos do gênero dos anos 80.
John Landis, que já havia brilhado no terror com Um Lobisomem Americano em Londres , cria aqui uma atmosfera terrificante. A cena do lobisomem que abre Thriller me perturba até hoje, é realmente assustador. O trabalho de maquiagem é outro ponto alto, tanto no Lobisomem quanto nos zumbis. E além de tudo é uma música muito boa, a danças dos zumbis é algo eterno na cultura pop.
Sem mais palavras para essa obra prima.

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Falando de algum lugar no universo - Natiel Silveira

Gaúcho, cozinheiro e ciclista. Dois amores na vida, Chelsea FC e Cinema.

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