OLÁÁÁÁÁ Maratoneiros, tudo bem com vocês? Fazia muito tempo que eu não escrevia nada aqui pro site, fora os posts dos podcasts. E nessa quarentena, uma das coisas que invadiram meu espaço de interesse foram as produções coreanas. Mas não vou falar de nenhum dorama hoje, e sim um filme. Jo Pil-ho – O Despertar da Fúria (Akjilkyungchal, 2019).

SINOPSE
Pil-ho é um policial da pior espécie. Está sempre envolvido em armações e pequenas corrupções, com o objetivo de… se envolver em armações e corrupções. Numa dessas, acaba se tornando testemunha indireta de uma trama de gente muito mais poderosa do que ele está acostumado a lidar

MAS ANTES…
Gente, eu preciso dizer duas coisas, ambas que envolvem o meu sumiço do Maratona com relação aos textos.
Primeiro, o que vocês já podem imaginar: a pandemia acabou com as estreias cinematográficas. Então, não tem mais cabine rolando! Portanto, minha principal produção textual no site, que eram as resenhas de lançamento, meio que morreu.
A segunda é um motivo de alegria que traz tristeza: Eu comecei a trabalhar! Finalmente! Foram três meses desde a minha defesa de trabalho final até ser convocado, e comecei a trabalhar no começo de abril. Isso é maravilhoso, pra mim. Mas por outro lado, todo o processo de conseguir uma ocupação, como estudar pra caramba, correr atrás de teste seletivo, ler materiais e, já tendo sido chamado, as atividades que tenho que fazer pra cumprir minhas demandas, fizeram com que eu tivesse pouco tempo para produzir. Não só, eu comecei a consumir menos conteúdo, também. Pra nossa sorte, o pessoal do site continua conseguindo manter a vida e a produção equilibrados, coisa que estou me esforçando pra fazer.
Mas chega de falar de mim. Ou melhor, só uma coisa a mais: a vaga de “cabineiro” está vaga. Quem tiver interesse, favor entrar em contato.

ONDE JÁ VI ANTES?
Tem uma maneira bem fácil de chamar minha atenção pra uma obra coreana: Dizer que algum dos participantes esteve em Parasita. Foi o que me levou a ver Cinderela e Os Quatro Cavaleiros, e foi um dos atrativos aqui: Lee Sun-kyun, que faz o patriarca dos Park em Parasita, é o policial Jo Pil-ho que dá nome à…
… cara, que parada bizarra. O nome original é “Akjilkyungchal” (ou 악질경찰, Polícia Ruim), mas nas versões estrangeiras, o título vira o nome do agente. Mas estou divagando.
Quando eu vejo atores que, pra mim, são novos, fico animado quando tenho a chance de revê-lo em outros papéis. Para ver se são tão bons quanto o que eu já vi. E em Parasita, tá todo mundo tão bem, que eu fico muito animado querendo rever o atores?. E foi ótimo rever o Sr. Lee.

POLÍCIA RUIM
O título, traduzido, fica muito interessante porque ganha duas camadas muito legais.
Na primeira, sobre o fato de estarmos falando de um agente da lei que claramente está CAGANDO para seguí-la. Jo Pil-ho só quer saber de se dar bem se esquivando da corregedoria o máximo possível. É como ver um um estereótipo de policial brasileiro, só que na Coreia. Na verdade, é bem parecido mesmo.
O outro eu vou falar no Momento P.S.

FALANDO EM POLÍCIA
Jo Pil-ho mostra uma polícia muito suja. Corrupta, preocupada apenas com a manutenção dos próprios privilégios, indiferente às pessoas ao redor que não atendam aos seus desejos…
…lembra muito a polícia brasileira.
Quando eu me dei conta disso, o filme ficou bem divertido pra mim. Quem tem polícias militares como a de Salvador, do Rio, e de São Paulo no seu histórico acaba ficando pouco impressionado com policiais corruptos de outros lugares. É um sentimento bizarro de superioridade, como de quem pensa “você acha que isso é ruim?”

TÉCNICA
Tecnicamente falando, o filme é muito bem feito. Os diálogos são bacanas e consistentes, e combinam com os enquadramentos bem fechados nos personagens. A paleta de cores tende pro amarelado e pro sépia, trazendo um pouco a sujeira da realidade. O som foi um pouco prejudicado pela forma como eu assisti (saudades salas de cinema), mas a mixagem está muito boa. Os atores são ótimos, principalmente o protagonista. Exige uma dedicação levar um plano até as últimas consequencias da forma como ele faz, inclusive. O roteiro no geral tem poucas novidades, mas elementos interessantes, como o uso de impressoras 3D, ou as interações com mídias digitais para o andamento da narrativa.

(essa foi pesada, desculpa)
CONCLUINDO
Jo Pil-ho quase ressignifica o sentido de anti-herói. Porque não só o protagonista está longe de ser um exemplo moral, como está longe de ser um exemplo de qualquer coisa. Mas é um filme MUITO foda, com umas reviravoltas inesperadas, e uma trama confusa na medida certa. Você não vai se arrepender.

MOMENTO P.S.
Que eu trouxe no parágrafo Polícia Ruim, só pra continuar:
A segunda referência que “policia ruim” traz ao protagonista é o fato que ele é PÉSSIMO!! Tudo o que ele faz é ou desajeitado, ou dá MUITO errado. Na verdade, pelo o que vemos no filme, é incrível que ele tenha sobrevivido tanto tempo nesse ramo. Ou que, pelo menos, ele tinha os esquemas que era capaz de executar muito bem definidos, pra que não tivesse muitos desafios. Porque, quando eles acontecem, meu amigo… o cara não luta direito, não planeja direito, não intimida direito, é uma doideira.