E na semana que a Netflix divulga a estreia da segunda temporada, tem resenha da primeira! Por que? Porque eu amei essa série e preciso exalta-la. São 4 protagonistas mulheres, 4 histórias incríveis, 4 realidades distintas.
(…) Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher (…)
Samba da Benção – Canção de Vinicius de Moraes
SINOPSE
Final da década de 50 no Brasil, mulheres eram criadas para serem esposas amantíssimas, dedicadas ao marido, mães e do lar. Coisa Mais Linda, é uma excelente obra sobre empoderamento feminino e igualdade de gênero.
Malu (Maria Casadevall), é uma esposa dedicada e mimada pelo pai e mãe de um menino. Acostumada a viver em uma bolha elitista da São Paulo dos anos 50, ela se vê desesperada após ser abandonada pelo marido, ao mudar-se para o Rio De Janeiro, sob a promessa de abrirem um restaurante. Ela se vê sozinha, tendo que abrir mão temporariamente, do convívio com seu filho Carlinhos, ao qual deixou na casa dos seus pais. Uma vez que seu pai não apoiou a sua decisão de seguir em frente com a ideia de abrir um estabelecimento.

PROTAGONISTAS DISTINTAS
A princípio parece que o enredo foca apenas em Malu. Mas, a trama vai encaminhando, e nos apresentando nossas outras 3 protagonistas. A série conta também a história de Adélia, Thereza e Lígia. Mostra a luta dessas quatro mulheres, para conseguirem direitos e independência em uma sociedade patriarcal. Todas as histórias se entrelaçam e formam o enredo dessa série, que é a terceira produção totalmente brasileira feita pela Netflix.
Adélia (Patrícia DeJesus), mulher negra, empregada doméstica e mãe solo. Precisa trabalhar na casa de uma senhora totalmente mesquinha e preconceituosa. Ela vê a amizade com Malu, como uma chance de mudar de vida e sustentar sua filha. Enganada no passado por um homem, a qual era filho de antigos patrões. Ela se torna sócia de Malu, na abertura de um clube de música, chamado “Coisa Mais Linda”.
Lígia (Fernanda Vasconcelos), é uma mulher casada, abriu mão do seu sonho de cantora para agradar o marido. Marido esse possessivo e autoritário. Inserida em uma sociedade de classe média alta, ela vive de aparências. Mas apoiada por suas amigas, ela luta para conquistar a sua independência.
Thereza (Mel Lisboa), jornalista, casada e bissexual. Mantém um casamento aberto, nada convencional com os costumes da época. Trabalha em uma revista onde é a única mulher. Bem posicionada, dona de si, e feminista confessa, também carrega suas dores do passado.
No elenco contamos ainda com a presença de nomes incríveis. Ícaro Silva como Capitão, Leandro Lima como Chico, e Thaila Ayala como Helô.

ENREDO MAIS QUE ATUAL?
A história de nossas quatro protagonistas, exemplificam como é ser mulher na sociedade da época, e também nos dias de hoje. Já que não houve grandes mudanças, infelizmente. Nós mulheres ainda temos sempre que provar que somos capazes, trabalhar o dobro pelo mesmo salário dos homens, além da jornada dupla diária, enfrentada por muitas chefes de família. Conquistamos muitos direitos, e ocupamos mais espaços hoje. Mas, a luta constante se faz mais do que necessária. Principalmente, a fim de assegurar os direitos que já temos. Não queremos superioridade aos homens. E sim, equidade de direitos e deveres. As pessoas continuam a serem sexistas e preconceituosas, pois cresceram em uma sociedade patriarcal. Não as culpo, mas em uma era onde a notícia e o conhecimento chegam mais rápido na casa das pessoas por meio da internet. Pensamentos retrógrados e atitudes sexistas, deveriam ter sido extintos há tempos.

Coisa Mais Linda, aborda uma gama de assuntos importantes e pertinentes, aos quais precisam ser debatidos incansavelmente. Como aborto, maternidade, feminismo, elitismo, meritocracia (folclore de burguês), sororidade, sexualidade e principalmente amizade. A série trata de forma bastante responsável de tais assuntos, exemplificando por meio de nossas protagonistas e personagens secundários. Mostrando que muitos desses assuntos devem ser amplamente discutidos, e que é preciso se ter uma maior empatia com o problema do outro. Malu, Thereza, Adélia e Lígia representam muitas das mulheres que foram e ainda são silenciadas. É reconfortante ver essas amigas, cuidando uma da outra, sem rivalidade ou inveja. Apenas propagando a sororidade, que deveria existir em todo o mundo.
Coisa Mais Linda, estreou em maio do ano passado, e segue disponível no catálogo da Netflix. A segunda temporada estreia dia 19 de junho no streaming. Maratona aí, e depois vem contar pra mim o que vocês acharam.
Beijo enorme!