5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer

5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer

Ok, deixa eu começar dizendo que fico muito feliz de ter jogado esses jogos, e precisamos falar sobre a maneira equivocada que alguns jogadores tratam personagens LGBTQ+. É muito triste que ainda hoje haja uma disputa que busca invisibilizar pessoas por serem quem são, e pessoas que tratam a existência de personagens LGBTQ+ como uma espécie de insulto pessoal, e não com a naturalidade devida. Aliás, estranho é que ainda seja algo tão reservado. Mas caminhemos um passo de cada vez.

É importante dizer que escrevo esse artigo da perspectiva de um homem hétero-cis, e certamente é possível que aspectos relevantes do apelo dessas obras fuja a minha percepção, mas é igualmente importante que num mês que celebramos o PRIDE, orgulho LGBTQ+ possamos falar dos temas que são caros a esta representação, é ainda melhor que todos tentemos fazer alguma diferença real. Me propus então a fazer essa lista e remediar um problema pessoal, que era o fato de ter tido muito pouca experiência com jogos de protagonismo LGBTQ+. Gostaria que o caro leitor entenda que isso significa que de maneira alguma eu sou uma referência a se ter sobre a experiência desses jogos, mas o texto fica como uma provocação para que vocês conheçam estes exemplos e possam tirar suas próprias impressões.

Ademais, com a ajuda Mariá Raposa, uma amiga, artista fenomenal, mestra em Artes pela UFMG (chequem a dissertação dela que fala de Dragon age sob o prisma da Queer Temporality aqui) e especialista em game design pela UNEB, com vasta experiência na cena, atualmente doutoranda aprovada para NCSU em comunicação, retórica, e mídias digitais, além de uma referência pra mim e expert no tema, elaborei essa lista de 5 jogos que tive o prazer de jogar e poderei falar sobre minhas experiências.

Os jogos selecionados são todos de gameplay bastante curto, sendo preciso menos de uma hora para encerrar qualquer um, foram todos gratuitos e o único que exigiu download foi o “One night, hot springs”, sendo os outros acessados pelo browser.

E sem mais demora, vamos à lista!

Queers In Love At The End Of The World (2013)

Imagem da tela inicial de 'Queers in Love at the end of the World'. Num fundo preto existe um contador localizado no canto superior esquerdo (com um número 9 e um círculo semi-aberto) e um texto em cinza, com algumas palavras interagíveis destacadas em roxo . Imagem 1 do texto "5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer"

Sinopse do jogo/O que mais se destaca?

O primeiro destaque vai para mecânica engenhosa de Queers in Love at the end of the World. O jogo usa um contador de 10 segundos e é tudo que você tem pra jogar. Ao final desses 10 segundos o jogo termina e você precisa recomeçar. Eu particularmente precisei jogar duas vezes pra escolher uma primeira opção, e, tolo, acreditei que teria mais tempo pra próxima opção. Não. Só então que meu cérebro funcionou e compreendi a metáfora no uso da mecânica. É o fim do mundo! É muito poderoso o uso de mecânicas de dinâmica tão poderosa num jogo que é basicamente textual, mas é uma experiência maravilhosa. Tentar descobrir o quanto é possível exprimir desse curto espaço de tempo em significado e sentido é absolutamente incrível.

O que eu gostei

  • Um jogo com um poder de tradução narrativa muito alto, e que exige pouquíssimos recursos

O que eu não gostei

  • Nah, eu acho que é uma experiência bem redondinha. Não mudaria nada.

Por que você deveria jogar este jogo?

Porque vai tomar pouquíssimo tempo e você vai ter condições de entender o quão poderosa pode ser uma narrativa interativa tão curta.

With those we love alive (2014)

Tela inicial do jogo 'With those We Love Alive', e consiste num fundo branco com algumas instruções em um texto branco. Existem duas palavras em destaque rosa, que são a parte interativa do texto. Imagem 2 do texto "5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer"

Sinopse do jogo/O que mais se destaca?

Mais um jogo de base textual, mas esse com um pano de fundo que usa uma narrativa fantástica e altamente simbólica para traduzir situações, sensações, nos fazendo refletir sobre mudanças, transformações e atitudes. Apesar de usar poucos recursos visuais, ainda assim é possível sentir o gravitas das cenas, especialmente por conta do áudio que embora também simples, na maior parte são trilhas que nos proporcionam um pouco da sensação do jogo. Por fim, acho que o que mais marcou (literalmente) foi um recurso que o jogo pede pra que você grave símbolos na sua pele.

O que eu gostei

  • Música, efeitos e desenho na pele!

O que eu não gostei

  • Às vezes eu fiquei confuso pela história. Nem sempre pude compreender o que tava acontecendo, o que atrapalhou um pouco minha imersão.

Por que você deveria jogar este jogo?

Não é um jogo demorado, e é capaz de demonstrar o poder de uma narrativa bem paramentada pode atingir. Valeu bastante a experiência!

Dys4ia (2012)

Imagem da tela de seleção de fases do jogo Dys4ia. A seleção consiste em quatro quadros dispostos nas quatro direções (norte/sul/leste/oeste) e cada quadro corresponde a um nível e possui uma cor e letras brancas. O quadro norte laranja "Level 1: Gender Bullshit" é laranja, ao oeste é o quadro vermelho "Level 2: Medical Bullshit", à leste o quadro verde "Level 3: Hormonal Bullshit" e ao sul o quadro azul "Level 4: It gets better?". Imagem 3 do texto "5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer"

Sinopse do jogo/O que mais se destaca?

Dys4ia (leia disforia) é um jogo sobre a experiência de transformação corporal que Anna Anthropy passou no período que resolveu fazer redesignação de gênero. O jogo é como uma coletânea de minigames, que em cada estágio reúne uma pequena quantidade deles, enquanto uma narrativa sequencial se desenrola. Com um estilo artístico bastante simples, esse jogo de 2012 consegue reunir bastante charme e traduzir bastante bem até hoje um pouco da experiência que a autora passou.

*Detalhe, eu rodei o jogo no edge porque o chrome não roda flash, e esse jogo é… em flash.

O que eu gostei

  • Gostei muito dos minigames, mas muito mais de compreender um pouco a história dela.

O que eu não gostei

  • Não senti que meu desempenho nos jogos importava, e queria ter uma sensação vitoriosa melhor atrelada a construção narrativa.

Por que você deveria jogar este jogo?

Porque é um jogo que certamente vai te dar pistas do que é passar por um processo de redesignação de gênero. Ademais, é bastante charmoso fazendo isso com joguinhos bem simples. Genial!

Loved (2010)

Tela do jogo Loved, em que uma pequena silhueta se encontra em pé no meio da tela. A tela é dividida pelo que parece ser um horizonte e é principalmente preto (área inferior) e branco (área superior). Existe uma interferência de quadrados coloridos que parecem se espalhar pela tela vindo do lado esquerdo. Imagem 4 do texto "5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer"

Sinopse do jogo/O que mais se destaca?

Loved é um jogo de plataforma no qual você controla um personagem que é uma silhueta e é apresentado a alguns textos (alguns com opções, mas a maioria como comandos). O jogo tem uma base artística em preto e branco,  a trilha é bastante simples apenas para preencher um tom de urgência/angústia ao que me consta. O ponto do jogo parece ser desafiar o jogador e fazê-lo rebelar-se contra a autoridade dessa voz que evoca arbítrios para o jogador. A primeira pergunta do jogo é se o jogador é um garoto ou uma garota. Independente da resposta, essa “voz” irá dizer que o jogador é o inverso daquilo que escolheu, e essa é a primeira experiência com esse narrador. Existem múltiplas interpretações possíveis para o que essas provocações podem simbolizar, mas a ideia parece ser vincular a frustração causada pela dificuldade do gameplay com as mensagens do jogo.

O que eu gostei

  • A forma inteligente de usar dificuldade como um simbolismo narrativo. 

O que eu não gostei

  • O quão frustrante o jogo consegue ser em algumas partes

Por que você deveria jogar este jogo?

Porque é uma experiência curta, mas bastante reveladora. E é razoavelmente charmoso.

One Night Hot Springs (2018)

Haru e Erika, personagens do jogo 'One Night Hot Spings' na casa de banho. Ambas olham pra tela e tem um balão no centro inferior da tela com uma fala de Erika que diz "O que você acha? Muito bom, né?". Imagem 5 do texto "5 jogos com representatividade LGBTQ+ para você conhecer"

Sinopse do jogo/O que mais se destaca?

Esse jogo é uma pequena história ilustrada, com algumas alternativas de diálogo onde você vive uma noite para festejar o aniversário de uma amiga de infância. O ponto de inflexão do jogo é o fato de você ser uma garota trans, e como isso alimenta uma série de precauções e atitudes, bem como moldam a experiência de vida. O destaque vai para o tom bastante aquecedor da história, que embora trate de desconfortos traz resoluções acolhedoras para a pequena história. Isso! São múltiplos finais, que alteram de acordo com suas alternativas de diálogo (esse tem em pt-BR!). A arte é bem fofinha, a trilha muito confortável de ouvir.

O que eu gostei

  • Arte e trilhas fofinhas!
  • Felicidade e informação!
  • Diversas línguas disponíveis (incluindo nosso brasilês)

O que eu não gostei

  • Muito curto!
  • Sinto falta de animações nas cenas!

Por que você deveria jogar este jogo?

Além de poder se colocar no lugar de uma pessoa trans, e compreender algumas de suas inseguranças, é bom poder jogar jogos com um tom mais leve, e esse jogo é super bonitinho!

ACABOU!?

Essa lista de maneira alguma encerra o assunto, certamente ficaram de fora jogos muito bons que eu não conheço, ou que não consegui acessar a tempo para terminar esse artigo. Algumas das sugestões que eu anotei aqui foram “We know the devil”, “Heaven will be mine”,  “Read Only Memories”, “Associate” e “Ladykiller in a Bind”. Tentei jogar LIM, mas infelizmente não estava disponível.

Por fim, espero que os jogos que foram discutidos despertem seu interesse (caso não os conheça), ou que eu tenha sido feliz em minhas colocações (caso os conheça). Se você tem mais sugestões deixe aqui no comentários! Quem sabe não fazemos uma parte 2 ainda esse mês? Grande abraço!

Falando de algum lugar no universo - Felipe Barros de Sousa

Um coringa no baralho. Eu falo e filmo, sou bichão mesmo. Falou de jogos, filmes, música, animação, mangá, e o que mais vier, tamo junto.

2 Comentários
  1. Responder erotik izle 24 de julho de 2020

    hello I love the header of your blog, it is a personal creation?

    1. Responder Felipe Barros de Sousa 26 de julho de 2020

      Hey, are you talking about the brand of the blog? Or just the header structure? Or about the Featured image of the post? I'm a bit confused... Still thanks!

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