Temos muito o que conversar sobre Paper Mario: The Origami King. Já adianto que minhas impressões foram absolutamente favoráveis. Como já deu pra perceber no meu texto sobre Little Town e do Mario Kart Tour, falar da Nintendo é meio que meu papel nesse site. Vamos desdobrar esse assunto aos poucos, e levantar algumas questões importantes que frequentemente se repetem na comunidade de fãs da série (Paper Mario), série precedida pela improvável união da Square com a Nintendo pra fazer um RPG de Mario. Essa promete ser uma história mais ou menos longa, mas vai sobrar tempo pra falar especificamente de Paper Mario: The Origami King, eu prometo. Agora segue o fio.

Origem, Aclamação e uma breve (Longa) recapitulação

Como dito, Paper Mario na verdade foi uma reformulação de um jogo que fez um sucesso módico (2.14 milhão de cópias vendidas) no Super Nintendo no Japão e no mundo. Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars nasceu da forte aproximação da Nintendo com a Square, que lançou INÚMEROS jogos de alto calibre para a plataforma nessa geração (incluindo os favoritos Chrono Trigger e Final Fantasy VI). Então dá pra imaginar que o Super Nintendo era a MÁQUINA de J-RPGs da época.
Mas pera, eu tô me atropelando né? “O que é um J-RPG” você pergunta inteligentemente. J-RPG é um gênero de jogos cunhado no Japão que mistura alguns elementos do formato de RPG (role-playing game) ocidental com sistemas próprios de jogos eletrônicos. É claro que para essa tradução acontecer, cortam-se alguns elementos do que é um RPG (mais notadamente as opções de escolha e narrativa) e se elege algumas características que ajudam a identificar o gênero. Então normalmente você tem batalhas em turno, sistema de level com experiência, uma narrativa épica, equipamentos, enfim, um pacotinho padrão. Tudo isso pra dizer que, imagine aí, na década de 90 que as pessoas já tinham na cabeça aquela imagem muito bem definida de Mario. O encanador sidescroller que pula e passa 738 fases indo da esquerda pra direita. E de repente são confrontadas com um Mario RPG! Cara! Que doideira! Pois é. Explodiu os miolos de umas centenas de pessoas, e pasme! Era um jogo massa!
Super Mario RPG foi sucesso de crítica, e superou as expectativas de venda. O projeto ficou parado um tempinho, especialmente porque a Square pulou do barco quando chegou o Playstation (A treta né, gente?). Alguns anos mais tarde, durante o tempo do já conhecido NINTENDO SIXTY-FOOOOUR, chegou a primeira edição dessa série que reúne lá sua dose de controvérsia, jogos interessantes, e fãs magoados: Paper Mario.

Paper Mario no N64 trazia um rol de personagens reconhecíveis, batalhas por turno, uma proposta estética que se destacava (esse texto vai ser ótimo, alguém me segure) e uma história bem charmosinha. É claro que não era nada absolutamente fenomenal , mas era sim uma ótima mudança de perspectiva (VAI SER IMPOSSÍVEL) pra o que os jogadores conheciam enquanto Mario, mais uma vez. E como o N64 teve um apoio muito menor de desenvolvedores externos, ele precisava desesperadamente de jogos que atendessem públicos mais diversificados. Então digo que Paper Mario é, talvez, o melhor RPG disponível pra plataforma. Discutível. Mas sim, o ponto é que Paper Mario foi criando o que ficou reconhecido como um universo expandido de Mario, e isso mais tarde seria o maior ponto de discórdia entre a Nintendo e os fãs da série.
Desse ponto em diante foram publicados mais 5 jogos:
- Paper Mario a thousand years Door (GameCube)
- Super Paper Mario (Wii)
- Paper Mario: Sticker Star (3DS)
- Paper Mario: Color Splash (Wii U)
- Paper Mario: The Origami King (Switch)

Desses, a sequência direta para GameCube “A thousand years Door” foi o mais aclamado de todos, expandindo em todos os sentidos o anterior. Só que desse ponto em diante a direção do jogo começou a dar um pouco mais de atenção aos elementos estético/visuais do jogo, e pesar um pouco mais na experiência de traduzir uma aventura num universo feito de papel, do que especificamente cuidar dos elementos de cunho RPGístico que deram origem à série. E isso naturalmente causou muita revolta e xingamentos no twitter. Não vamos nos deter MUITO nisso, mas é importante entender de onde surge essa discórdia para que a gente possa falar de Paper Mario: The Origami King por cima do assunto.

Aqui a comunidade de fãs se dividiu entre os que achavam que o jogo iria apenas continuar a se distanciar do que queriam e os que achavam que Origami King poderia significar um resgate do jogo a respeito da atenção aos aspectos que fizeram os fãs mais antigos se apaixonarem pela série. E… Bem… Não. Não foi bem isso. Ou melhor, não completamente. Eu adianto que eu acho que sim, algo parece ter retornado à série, mas falo sem ter jogado as duas etapas anteriores (e mais odiadas) da mesma. De toda forma, eu sinto que há algo que merece ser valorizado no jogo. Finalmente vamos ao que interessa e vejamos do que Paper Mario: The Origami King é feito (além de papel e dobraduras!).
Iniciando o jogo e desdobrando impressões

Bom, eu quis jogar o jogo livre de preconceitos, mas em minha mente ressoavam muitos argumentos que foram levantados sobre o progresso da série nos últimos tempos. Destaque especial para o Arlo, youtuber gringo que é fã da série e que volta e meia acompanho lá no Youtube. O fato é que eu evitei deixar que isso me tomasse e logo de cara acho que o que mais salta aos olhos são os visuais. O jogo não foge à regra da casa, e a Nintendo mostra que trabalha com maestria o visual de seus jogos. Interfaces, cenários, planos, texturas. Tudo meticulosamente cuidado e bem tratado pra oferecer um deleite visual pro jogador quase à todo momento. As cores são absolutamente formidáveis no jogo inteiro.
Eu confesso que eu não tiro muitas screenshots dos jogos, mas tenho tentado criar esse hábito pra que eu tenha material original pra compor meus textos aqui pra vocês, e eu tirei 246 prints enquanto eu jogava, tão emocionado eu ficava com o que acontecia na tela em paralelo ao que me encantava na história. E vou aproveitar esse gancho pra falar um tantinho da narrativa, que acho que é o aspecto que merece mais atenção.

Uma escrita simples pode saltar do papel

Apesar de ser possível encontrar narrativas muito complexas, e cheias de personagens muito bem caracterizados no reino dos jogos, via de regra minhas expectativas quanto à escrita de um jogo são baixas. Num jogo que tende a um público mais jovem então, zero preocupações. Dito isso, não significa que seja desprezível um material que busca apelar para uma diversão mais infantil, eu consumo bastante material desse gênero. Mas o que eu busco nessa escrita é muito mais bom humor, personagens interessantes (ainda que não necessariamente tão memoráveis), one-liners e punchlines – são falas curtas que pontuam cenas, geralmente bem humoradas. E eu encontrei muito, muito mais do que eu esperava no jogo. Os fãs cobram do jogo personagens únicos que fazem parte do universo Mario, e esse aspecto não voltará a acontecer segundo a própria equipe de desenvolvimento. O que significa que não haverão bob-ombs rosas, ou um paratroopa gordinho, segundo o diretor do jogo.
Isso não quer dizer que o jogo carece de personagens interessantes, mesmo dentro dessas restrições estabelecidas. Um dos companheiros de jornada do jogo é exatamente um bob-omb, que se parece com todos os bob-ombs. O que o diferencia é sua personalidade e o fato de que ele tem amnésia. Isso elevou bastante a escrita desse personagem, que tem um papel muito significativo na história, e que também traz reflexões interessantes em outros pontos do jogo. No mais, considero que a escrita foi muito acima da média, e uso de piadas ao contexto de papel e origamis foram muito bem vindas (eu ri feito um besta). Mas isso não quer dizer que o jogo foi só acertos, e cabem algumas pequenas críticas. A maior delas, ainda relacionada com essa restrição de personagens.
Os chefes poderiam revelar um jogo diferente

Uma das poucas coisas que realmente me incomodou, e também foi alvo de críticas frequentes, é o fato de que alguns chefes do jogo (e a maioria dos principais nesse caso) são objetos reais de uso diário. Só pra exemplificar, um dos chefes (um dos mais conhecidos) é uma caixa de lápis de cor. É. Uma caixa de lápis de cor. E isso é um pouco (POUCO) deslocado do universo proposto pelo jogo, que foca 90% em inimigos origamis, e nesses momentos joga um objeto no meio da mistura. E sim, a mudança de paradigma é MUITO intensa. Entenda que vemos, nos momentos que antecedem o encontro com o chefe, o efeito deles sobre esse universo. Então por exemplo, no caso do lápis de cor, vemos paredes rabiscadas antes de encontrá-lo. Mas é bastante mal construída essa relação entre objetos reais e esse universo de papel, em que tudo é feito de papel. É um incômodo que segue o jogo até o final. Mas um incômodo, na minha opinião, passável em face do que a experiência de jogo como um todo provoca. E falando no que o jogo provoca, tem um importante aspecto que ainda não mencionei e que vou me deter um pouquinho. Vamo falar dos sons desse universo!
O som tem papel central

Por incrível que pareça o som nesse jogo vai muito além do que minha imaginação foi capaz de considerar. Note, não é necessariamente porque a trilha do jogo é magnificamente composta. Acho que ela é adequada na maior parte. Mas é absolutamente incrível a diversidade apresentada no jogo. Desde sons com uma distorção mais pesada, até temas mais suaves e singelos. Há um grande cuidado pra tentar associar a instrumentação, melodia, ritmo e gêneros escolhidos para as situações apresentadas. Isso amplifica consideravelmente os momentos mais memoráveis do jogo. E isso não é tudo! O jogo brinca com a ideia de trazer momentos musicais em algumas partes do jogo, o que é inusitado, mas ainda divertido pra riqueza dos tipos de cenas e situações que causa. Enfim, e sobre essa riqueza toda, que mais podemos falar?
Vamo cortando o papo e falando a real

Então, eu acho que alguns anseios de fãs não foram devidamente atendidos. Não há sistema de experiência. As batalhas têm um caráter de quebra-cabeças misturado à já conhecida batalha de turnos. Não temos os personagens que os fãs pediram, ou do jeito que queriam ou esperavam. Por outro lado, o jogo consegue construir uma história coesa, divertida e interessante, capaz de emocionar e divertir uma grande variedade de jogadores, das mais variadas classes, idades e culturas.
Conversando com um amigo, resumi que ter jogado Paper Mario: The Origami King foi a sensação de ter vivido uma história, e esse é pra mim o aspecto mais importante num Paper Mario. Eu acho que é um bom resumo, e me dobro à capacidade que a Nintendo ainda tem de fazer jogos com tanto charme e ao mesmo tempo tão “simples”. Acho que devo revisitar o mundo pra tentar explorar um pouquinho mais desse deleite que foi passar por cenários tão lindos, e se você tiver a oportunidade, eu recomendo! Mas é aqui que eu encerro minha parte do papo, e deixo o espaço pra você me dizer se tá empolgado com o jogo, se já jogou, se odiou ou adorou, deixa um comentário! Cola aqui! E até a próxima!
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[…] de gameplay é bastante nova, ou pelo menos usada de uma maneira muito particular (e olhe que já falamos de um jogo de papel, mas esse aqui tá em outra […]