No dia 25 de setembro, um novo app chegou aos celulares do mundo. Mario Kart Tour, o mais recente jogo para dispositivos móveis da Nintendo. Foi, inclusive, o maior download global na primeira semana, superando seus predecessores de família, que na versão móvel já incluem Super Mario Run, Animal Crossing Pocket Camp, Fire Emblem Heroes, Dr. Mario World… cada um atingindo níveis razoáveis de sucesso no mercado móvel. Mas vamos falar um pouco sobre toda a experiência de jogar Mario Kart Tour: o que encanta, o que desanima, e algumas reflexões sobre Mario Kart Tour e seu conceito! Então, vamos? 3… 2… 1… GO!
Mais um jogo de corrida no celular?
Para os familiarizados, os jogos da Nintendo em geral possuem peculiaridades que garantem ao jogador uma experiência muito bem acabada, ou “redonda” como a gente fala. E algumas franquias relacionadas ao bigodudo são celebrados por gerações e gerações, atravessando todos os anos de empresa e sempre sendo atualizados para suas novas plataformas oferecidas aos consumidores. Esse movimento de transição para celulares é relativamente novo, e avaliaremos mais sobre isso no final desse texto. Mas essa introdução é para indicar que desde o começo, o nível de expectativa gerado por um jogo com a marca de grandes franquias da Nintendo é bastante alto. Muito alto! Mario Kart, entre outros, movem consumidores a comprarem plataformas, o que quer dizer que pagam pelo cuidado que a empresa tem na construção e refinamento de um jogo desses. Isso quer dizer que será o melhor jogo de carro, ou corrida a parar num celular? Não! Não sei! Talvez? Mas não, não é esse o ponto. Só será uma experiência diferente do que temos disponível. E isso terá, como tudo na vida, um lado positivo e um lado negativo.

E como joga?
Se prepare porque parece simples, mas vai exigindo bastante de sua capacidade de navegar. Bom, pra ser direto, o jogador coloca o dedo na tela e desliza na direção que gostaria de fazer uma curva. Essa é a parte simples. Só que tem 2 modelos de controle. O drift e o normal. O normal, como é de se esperar, apenas gira o carro na direção desejada. O drift projeta o carro de lado durante a curva e exige que se controle em ambas as direções para controlar o veículo na trajetória desejada. A parte complicada é que diferente do jogo padrão de Mario Kart, em que você poderia transitar entre os dois tipos de curva, no Mario Kart Tour você precisa escolher entre um ou outro. E se você quer progredir nele, o que significa fazer altas pontuações em cada corrida, vai precisar aprender a usar o drift.

Particularmente isso foi um desafio pra mim, que nunca fui lá muito bom em usar a manobra. Mas ao mesmo tempo me forçou a dominá-la, e até senti vontade de testar essa nova habilidade nos outros jogos da franquia. O que adianto, está ausente do Mario Kart Tour e é uma decepção ao mesmo tempo que não seja surpreendente. A Nintendo ainda mostra ter problemas em gerenciar e acomodar bons serviços de competição online em seus produto. Mas sigamos.
O jogador irá iniciar Mario Kart Tour com apenas um personagem para jogar, e conforme avança irá coletar recursos que poderão ser utilizados para desbloquear outros personagens, Karts e Gliders. Cada recurso e personagem recebe um determinado tipo de bônus específico a cada corrida. O jogo é separado em Copas que representam cada personagem disponível, cada uma com 4 corridas, sendo a última sempre um desafio bônus sem outros corredores. Em cada corrida é possível acumular 5 estrelas, que serão o recurso pelo qual se liberam as outras copas e caixas de presentes com bônus pré-determinados. Complicado? Em geral é disputar as corridas e pegar o maior número de estrelas, pra continuar liberando mais corridas.

Ao escolher uma corrida o jogador escolherá o personagem, seguido do kart, e do glider e por fim o nível de dificuldade que irá correr a pista (50cc, 100cc, 150cc e 200cc)
E quantas corridas tem no total?
Atualmente, Mario Kart Tour conta com 16 copas, o que significa 48 corridas + 16 desafios, caso o jogador consiga liberar todas as estrelas necessárias para as pistas mais avançadas. Chamo a atenção de SE CONSEGUIR, porque conforme se avança no jogo o jogador vai ganhando bônus por pontuações de acordo com os personagens que escolhe, no entanto as pistas, os karts rivais e a exigência de pontuação vai ficando muito maior conforme se progride. Existem também outros desafios chamados de “Tour Challenges” que premiam com estrelas extras, e que possuem um prazo para serem cumpridos, mas ainda assim, é um grande desafio a reta final disponível até este ponto. E curiosamente, o que esperar pela frente?

Afinal, é um tour… por onde??
Essa é uma parte curiosa da maneira como o conceito de Mario Kart Tour foi construído, e vemos que a franquia se utilizou do conceito de que seria um “passeio” por diversas regiões e cidades do mundo. Algo que se relaciona muito bem com o último Mario Odyssey, no qual o personagem visita várias partes do globo de seu mundo ficcional (MAS É UM GLOBO! OK??). Minha expectativa ao iniciar o jogo foi poder ver pistas inspiradas em várias cidades diferentes (e aqui um alô pra Horizon Chase que definitivamente cobriremos num futuro próximo). Mas pra minha surpresa, noto que estamos no período “Nova York”, e todas as 16 copas possuem “New York Tour” fazendo referência direta a cidade (e não New Donkey City, que é a versão cartunesca do universo do Mario Odyssey), mas as pistas são trechos, ou adaptações de pistas de diferentes Mario Karts ao longo da história, trechos de Koopa Troopa Beach, Bowser’s Castle, Shy Guy Bazaar, etc, etc. Então é um tour pelos Mario Karts? Sinto-me enganado!

Quando você vai procurar melhores informações, descobre que serão períodos quinzenais para cada cidade homenageada, mas não deixa de ser um golpe para o conceito que vende uma ideia de tour pelo mundo, ter que esperar 15 dias pra ver uma cidade por vez.
O melhor e o Pior do jogo
Difícil jogar algo da Nintendo e não admirar sua capacidade de fazer um jogo muito bem acabado. As animações, partículas, efeitos, modelos, são todos muito bem feitos e não tive prejuízo de performance no meu Samsung Galaxy S10* (estamos aceitando patrocínios!). Mario Kart Tour também pede conexão, mas não opera online, de modo que consome muito pouco de tráfego. É muito bem otimizado, e pode oferecer um tempo de distração precioso, o que costuma ser a principal vantagem de uma plataforma móvel.
*O @fernando-medeiros me contou que rodou com alguma perda de performance no moto g5 Plus, então estejam avisados!
Além disso, o jogo oferece uma quantidade substancial de pistas e desafios para manter o jogador entretido pelo período proposto, considerando ainda que haverão ciclos quinzenais de updates de conteúdo novos, o que certamente é uma boa notícia para quem quer mais Mario Kart (e quem não quer?).

Num último tópico favorável, meu destaque para a qualidade sonora que não se perdeu nessa transição de plataforma. Não só as músicas continuam tão ricas quanto em suas versões para consoles, como os cuidados com efeitos e na construção de humor do jogador são notórias! Reparem sempre que a cada escolha para ingressar na corrida vai adicionando uma camada sonora para que o jogador vá entrando no ritmo do jogo! Muito sensacional!
No outro espectro, a minha primeira indignação vai para ausência de Luigi como personagem jogável! COMO PODEM!? QUE CRIME! O irmão menos famoso do bigodudo de vermelho não teve a mesma sorte de PAULINE, prefeita de New Donkey City (e primeiro interesse romântico do encanador de camisa vermelha) que recebeu destaque do período dedicado à New York. Naturalmente os personagens já estão confirmados, e devem vir nos updates programados para Mario Kart Tour conforme está previsto o acompanhamento da Nintendo para o mesmo.

Uma outra coisa que precisa ser observada é o fato de que o jogo pode ser muito facilitado caso se resolva gastar para conseguir os recursos necessários para progredir, comprar personagens, etc. Isso na verdade não é um problema exclusivo do Mario Kart Tour, mas o modelo para jogos móveis costuma ser bastante predatório, e caso não se tenha uma noção muito firme de consumo, pode-se gastar mais do que seria recomendável. É especialmente importante para pais e mães ficarem atentos aos seus filhos ao manusearem esse tipo de entretenimento, mas estamos todos sujeitos a sermos seduzidos pela vontade de “completar” o jogo, então vale a atenção.
Outro ponto a levantar é o fato de que não há (ainda) uma modalidade para competição entre jogadores. Durante todo o jogo os rivais são apresentados utilizando nomes de perfis, como se representassem jogadores, mas não é possível saber de onde vem ou se estão ligados a contas reais, embora não haja indicativo disso. Uma copa é selecionada por um período para servir de comparação entre você e amigos que estejam conectados na plataforma, e um rankeamento por pontos com outros jogadores “fantasia”, e essa é a competição “online” disponível até o momento (no menu uma opção multiplayer aparece indisponível).

Por fim, acho que o controle exclusivo através do dedo na tela acaba gerando uma série de desvantagens, especialmente porque o jogo é exclusivamente jogado em formato retrato, o que limita a quantidade de “força” que se pode exercer pra realizar uma curva. Caso a curva seja longa e fechada, é possível ter que usar 2 dedos e realizar acrobacias dignas do ringue de patinação artística! Eu bem sei que precisei!
No fim, vale o pouco espaço que eu tenho no aparelho pra jogar?

Olha, depende muito do que você está procurando, e claro, quanto de espaço tem disponível no seu celular. O que eu quero deixar claro é que Mario Kart Tour tem problemas, mas é bastante divertido. Pode ser meio frustrante, mas é bonito e controla de maneira satisfatória. Particularmente me frustrei e me diverti muito com o título nos últimos dias. Para os que conhecem Mario Kart, talvez seja decepcionante as limitações de gameplay que acompanham essa versão. Para os que nunca jogaram, pode ser estranho o conjunto de gameplay e as particularidades desse joguinho de corrida cheio de brilho e carros diferentes. Mas e você? Já instalou? O que cê achou do jogo? Chegue mais, comenta aí pra gente trocar uma ideia!





[…] adianto que minhas impressões foram absolutamente favoráveis. Como já deu pra perceber nesse e nesse texto, falar da Nintendo é meio que meu papel nesse site. Vamos desdobrar esse assunto aos poucos, […]