Palm Springs – Em looping

Palm Springs – Em looping

Diante de tanta merda acontecendo no mundo, me vi desesperada em encontrar algo ao qual pudesse resenhar que fosse leve, quem sabe bobo e claro, divertido. Preciso contar para vocês que sou muito indecisa quando o assunto é escolher. Perco mais tempo procurando o que assistir do que propriamente assistindo (Quem nunca?!). E nessa incessante busca, me veio o nosso querido editor dos podcasts do Maratona e do Spin-Off MaraMinas, me falar de Palm Springs. Vou dizer que caiu como uma luva? Vou sim. Diego me ajudou sem saber, a escolher qual seria o tema desta resenha.

Palm Springs é uma grata surpresa, mesmo que eu já conheça o trabalho dos protagonistas. Andy Samberg (de Brooklyn 99) e Cristin Milioti (de How I Met Your Mother), ambos são atores consagrados na comédia, e adoro o trabalho de ambos. O Filme já se inicia com Forever and Ever, música de Demis Roussos, e dá o tom da comédia romântica que estamos prestes a assistir. A canção fala sobre um amor por uma moça, e que ela será a única, pra sempre e sempre. O filme foi lançado no mês passado no streaming da Hulu no dia 10 de julho. Dirigido por Max Barbakow (Palm Springs é seu primeiro longa), o roteiro foi escrito por Andy Siara, que também está estreando nos longas Ele fez parceria com Barbakow em dois curtas do diretor. Samberg divide a produção com, Akiva Shaffer, Becky Sloviter, Jorma Taccone, Dylan Seller e Chris Parker.

SINOPSE

Nyles (Andy Samberg) e Sarah (Cristin Milioti) se conhecem no casamento da irmã dela, Tala (Camila Mendes). Entre discursos, traições e bebida, eles se envolvem e acabam presos em um loop temporal. 

!!ALERTA DE SPOILERS!!

EM LOOPING

De início somos apresentados a Nyles, um cara descolado, namorado de uma das madrinhas da noiva. Ele passa a impressão de ser fanfarrão, brincando e tomando todas. Porém, há nele também muita melancolia. O personagem passa a impressão de querer suprir algo com muito exagero, e ao mesmo tempo transmite uma apatia ao qual está constantemente estampada em suas feições. Parte do exagero é para despertar o interesse de Sarah. Eles acabam se envolvendo após Nyles mostrar que a namorada dele o traía. Até aí tudo tranquilo e previsível para uma comédia romântica. Mas, quando menos esperamos ele é alvejado por uma flecha, e perseguido por um cara. A partir desse exato momento tudo vira uma loucura. O cara em questão chama se Roy, e ele vive o loop temporal assim como Nyles. Ele entra em uma caverna bizarra, Nyles vai atrás dele e Sarah o segue.

Nyles.

SARAH E NYLES

A partir do evento da caverna, somos apresentados às perspectivas dos dois separadamente. Isso é incrível pois te dá uma dimensão dos mínimos detalhes e como cada parte agiu e reagiu. Além de que ambos os personagens nos atingem de formas diferentes.

Nyles, o precursor de toda a trama, vive como se não houvesse amanhã.(Haverá um, mas ele vai precisar mudar para alcançar esse amanhã.) O personagem me fez refletir sobre desesperança. Após inúmeras tentativas de sair do loop, ele se entregou, perdeu completamente a vontade de viver, e apenas está existindo. A Esperança faz parte dos sentimentos humanos, é ela que motiva a mudar, ir em frente, sair do lugar. Sem isso o que resta? No caso de Nyles, resta apenas explorar o mesmo dia, todo dia. 

Em uma das dezenas de noites.

Quando Sarah entra no loop, nas mesmas condições que ele, começa a mudança de Nyles. Ela acrescentou luz e a famigerada esperança nos dias dele. Juntos eles protagonizam diversas passagens engraçadas, como quando ainda no começo eles passavam os momentos fazendo pegadinhas e vingancinhas leves com as pessoas da festa. Exemplo de uma momento ao qual me fez muito rir, foi quando entraram juntos em um bar vestidos iguais. Dançando algo sincronizado e bem debochado. Isso mostrou o quantos eles estavam em sintonia. Convivendo com Sarah, Nyles se apaixonou pelo melhor e pior dela.

SOBRE ERROS E ACERTOS 

Sarah antes de entrar no loop, vem de uma vida de frustrações e decisões erradas. Ao perceber que está repetindo o mesmo dia várias vezes, tenta de todas as formas sair dele. Apesar de Nyles explicar- lhe que nada adianta. Por um tempo ela se convence que viver assim pode ser possível. Os dias em companhia dele envolvem Sarah, o que faz com que ela se apaixone por Nyles também. Ela me fez pensar sobre as escolhas que fazemos, e que temos conviver com elas pra sempre. Haverão consequências em tudo que você decide fazer. Mas mesmo que se tenha errado, é preciso ser corajoso para admitir e lidar com isso. E é o que Sarah resolve fazer, juntamente tentando acabar com o loop. Solução ao qual ela encontra na física quântica, após muita pesquisa. 

Eles se apaixonam.

PREMISSA E CLICHÊ

Essa premissa de loop temporal, já foi usada em alguns filmes. E o principal motivo do uso desse recurso é ensinar algo tanto ao telespectador quanto uma lição de moral para o personagem protagonista. Feitiço do Tempo (1993), é uma das obras que usou isso. O personagem principal, Phil, interpretado por Bill Murray é bastante arrogante e repetir diversas vezes o mesmo dia o ajuda a mudar. 

Sarah evoluiu ao longo da trama, ao procurar uma alternativa de parar o loop, com a possibilidade de que apenas ela sofresse alguma consequência na tentativa. Seu comportamento auto-destrutivo do início se transforma em uma solução do problema. Ela divide isso com Nyles, e ele admite estar acomodado naquela situação.

Andie MacDowell e Bill Murray

Nyles ao conviver com Sarah volta a ter esperanças sobre a própria vida, e se vê vivendo os dias com ela. Mas, ali no loop, ele não se permite arriscar perder isso. É doloroso pra ele ter que lidar com algo imprevisível. Assim como é para todo mundo. Viver com o que você conhece traz segurança, mas arriscar-se, sair da zona de conforto também pode ser maravilhoso, e mais do que isso, necessário. Ali, no loop, ele tem amor, e sabe tudo que vai acontecer no seu dia. Porém, a possibilidade de estar com Sarah o convence de que se arriscar vale o risco. A premissa se trata de deixar uma situação a qual ele se sente em parte confortável, para conseguir algo mais feliz. Ainda que isso seja apostar muito alto. Ele prefere estar com Sarah seja como for.

CONCLUINDO

Palm Springs vai além da comédia. É um filme sobre esperança. O que a falta de esperança pode fazer com uma pessoa? Tirar-lhe a felicidade, a vontade de viver, a possibilidade de um novo amanhã. Sarah trouxe de volta à vida de Nyles a vontade de viver e ele mostrou a ela que independente de momentos bons e ruins ela pode sim, ser amada. 

Carpe Diem?

O casal se apaixonar, e tudo terminar bem, é previsível e bastante clichê, mas há algo de ruim nisso? De jeito nenhum, em tempos de tanto ódio, o amor sempre será bem vindo. O filme me envolveu, me divertiu, fez com que eu refletisse sobre ter esperança e ser perseverante, e isso com excelentes doses de humor. A fotografia é linda, cores que saltam aos olhos e agradam na composição das cenas. Andy Samberg e Cristin Milioti tem um entrosamento incrível, o que facilita esquecer de seus papéis anteriores e se entregar a história que estão nos contando. Comédia romântica doce e com doses de reflexão, cai muito bem em tempos de tanto temor por conta da pandemia.

Falando de algum lugar no universo - Aysla de Oliveira

Estudante de letras, mãe águia da Mari, feminista, leitora em remissão, "resenheira" de cultura pop e mãe de gatos.

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