Agora disponível no Steam, Superliminal finalmente dá as caras, para os que preferiram esperar ao seu período de exclusividade da Epic Store. O que parecia ser só uma barata imitação de jogos como Portal e especialmente Stanley Parable, com um pequeno diferencial, se revelou como uma incrível surpresa.
Desenvolvido pelo estúdio Pillow Castle, Superliminal é comandado pelo formando da Universidade Carganie Melon, Albert Shih, que veio sendo desenvolvido desde 2013. Trata-se de um jogo de quebra cabeça em primeira pessoa, onde sua mecânica principal é o uso de perspectivas para aumentar ou diminuir o tamanho dos mais variados itens, geralmente para alcançar algum ponto alto da fase.
Por exemplo, em uma das salas iniciais, você deve aumentar um pedaço de queijo triangular, de forma a gerar uma ladeira para conseguir alcançar uma porta na parede.

Ponto de vista inicial
A início, eu comecei bem desapontado com Superliminal. A graça dos narradores “engraçadinhos”, evocando bastante a vibe dos jogos citados no inicio foi se perdendo rapidamente. Mesma coisa se aplicou a mecânica. Por mais que eu ficasse fascinado de um ponto de vista técnico, não sentia muita variação de tipos de puzzle, e fui perdendo a paciência.
Felizmente, esse acabou sendo um período curto, eu estava enganado, e Superliminal começou a mostrar a que veio. A perspectiva, que até então era exclusiva para modificar o tamanho de predominantemente quadrados (você olha para cima carregando um item, e ele aumenta de tamanho, e vice-versa), é expandida rapidamente.
Novas Percepções
Seja olhar de um ângulo específico para revelar um novo item para progredir, ou a exploração de uma área, para perceber que aquele item que parecia somente algo para ilustrar o fundo, é na verdade algo manipulável, geram momentos incríveis. Um momento marcante pra mim foi onde demorei BASTANTE tempo para progredir…e bastou eu olhar pra cima e perceber o que eu devia fazer, e soltei uma gargalhada.

Na maioria dos casos, esses momentos fluíam bem. Eu podia até demorar um pouco para perceber a forma correta de resolver alguns quebra cabeças, mas quando percebia, achava justo, com resoluções lógicas. Houveram, entretanto, momentos onde após resolver, eu só fiquei coçando a cabeça em descrença. Felizmente, foram poucos, e bastante localizados num trecho só.
Porque não olhar de outra forma?
Aliás, não foi só nas mecânicas que Superliminal me surpreendeu. Como dito antes, o jogo apresenta narradores que lembram bastante a Glados de Portal ou Stanley Parable. Ambos tratam tudo como um experimento, ou seja, nada surpreendente.

Entretanto, com o caminhar do jogo, isso dá lugar a uma mensagem bastante positiva. Poderíamos discutir se ela é talvez um pouco piegas, mas faz bastante tempo que vi uma mensagem se unir tanto com a mecânica de um jogo. Mesmo que a mensagem em si não seja exatamente original, a forma que ela se entrega, e se justifica, me pegou muito de surpresa.
Outros aspectos que também marcaram presença foram a trilha sonora e o visual. Na primeira, ela até começa super sutil, quase que somente funcional para não incomodar. Quase música de elevador (o que é certamente intencional). Entretanto, conforme o jogo progride, ganhas diversos instrumentos, e não deve nada para musica similares em jogos como Persona 5.
Já no visual, tudo é tão clean, mas equilibrando muito bem o aspecto surreal do jogo, que só aumenta conforme o avançar do jogo.
Perspectiva adquirida
Superliminal foi uma surpresa incrível. Até bate uma culpa de ter esperado tanto tempo pra ter jogado, pois com certeza teria entrado na minha lista de melhores de 2019. Resta agora esperar que o próximo jogo da Pillow Castle não demore 6 anos para dar as caras.