Assim que vi a primeira imagem de Bounty Battle, fiquei muito feliz com a proposta do jogo e minhas expectativas foram às alturas. Um jogo de luta que reunia uma quantidade enorme de franquias de universos de jogos que ficaram famosos no cenário Indie (Blocks that matter, Nuclear Throne, Jotun, Guacamelee!, Darkest Dungeon, Owlboy só pra nomear alguns) era certamente um jogo promissor! Que o aviso chegue logo aqui no início que eu absolutamente detestei Bounty Battle e vou dedicar um tempo nesse texto pra poder explicar exatamente o porquê. Ainda assim, você pode julgar por si mesmo se vale à pena ou não jogar. Eu joguei a versão de Switch, então é importante que fique anotado que outras versões podem ser ligeiramente distintas. Vamos começar então pelo começo.
Pra entrar pra briga, primeiro o espólio (!?)

Primeiro é preciso lembrar que Bounty Battle foi financiado por uma plataforma de financiamento coletivo de jogos conhecida como “Fig”. Manja o Kickstarter? É parecido, mas foi criado exclusivamente pra financiar jogos (inclusive, um dos estúdios responsáveis pelo Fig foi a Double Fine através do Tim Schafer mas eu admito que tô digredindo, onde estávamos?). A campanha arrecadou a soma de 39,575 mil dólares americanos, em 2017, e em sua campanha continha 2 vídeos de demonstração de gameplay e uma série de ilustrações de conceito. E claro, continha uma descrição do projeto. Nela podemos ver como funcionaria o gameplay assim como alguns modos de jogo, além é claro de falar dos autores do jogo François von Orelli e Grégoire Laporte pela Darkscreen Games.
Após jogar Bounty Battle eu posso falar algumas coisas sobre a campanha de financiamento. A primeira e mais importante, é que o jogo parece ter mudado muito pouco nos 3 anos que se passaram. A segunda coisa que me chamou a atenção é que o modo história (que aparece com certo destaque no planejamento) inexiste na versão final. A terceira e última coisa que eu acho que vale à pena destacar é que o jogo já era uma bagunça desde seu projeto. E já que estamos começando a falar do jogo em si, vamo tirar o band-aid de vez e falar logo de tudo.
Mas era pra brigar com o Jogo!? Desde o Menu!??
Uma das primeiras coisas que vemos no jogo é talvez a melhor coisa dele. A animação de abertura. Exceto pela trilha, acho uma animação muito legal. Mas vamos falar da música depois, por ora me interessa o menu inicial e as interfaces. São ruins, muito ruins.

O jogo divide o menu em uma estrutura vertical e uma horizontal. Você não sabe quais são as opções horizontais, mas sabe que elas existem por conta de setas que apontam nas direções possíveis de navegar. Difícil saber em que opção vertical você está repousando, já que o seletor é um brilho fraco branco pra uma opção escrita numa fonte branca. Ok.
O menu se encontra na opção “VERSUS” e somente temos uma opção vertical (pelo menos nesse momento) que é “Local”. Ok, vamos ver o que tem pra direita e… > “OPTIONS”. As opções se encontram aqui de gráfico, áudio e linguagem. Só. Dessa forma, sobraram apenas as opções à esquerda. Voltemos e vejamos o que nos reserva mais à esquerda… “SINGLE PLAYER”! Ótimo! Agora posso ver o que esse jogo promete já que em casa eu jogo sozinho (nessa pandemia amigos apenas online, e o jogo não tem essa opção entãããooo….).
As opções do “Single Player” são “Tutorial”, “Tournament”, “Challenge” e “Training Room”. Caso esteja acompanhando o texto, a essa altura já percebeu que nada de Story mode! Bom, talvez o modo torneio funcione, mas vamos começar o jogo da maneira certa e aprender o jogo. Seja como for, TUTORIAL aqui vamos nós.
O Tutorial não oferece recompensas
Desde o tutorial eu pude sentir um frio no estômago. Bounty Battle demonstra de cara que é pouco responsivo, tem problemas de frame-rate, e pra piorar é bastante confuso com uma série de mecânicas que não só não se complementam como são extremamente descartáveis e pouco eficientes considerados os personagens disponíveis. Somos apresentados primeiro a uma personagem do jogo que é uma arqueira. Acho que ela deveria ser a personagem que representa o jogo, já que na tabela de seleção de personagens (quando você pode selecioná-los) ela é a primeira.
O problema é que seus golpes são pouco efetivos, lentos, e o jogo já tem vários atrasos. Seu especial faz ainda menos sentido sendo uma armadilha de urso. É lento de carregar, não causa muito dano e depende que o inimigo literalmente ande por cima pra que funcione, ou seja, é extremamente limitado. E estamos falando SOMENTE do caso de uma personagem. Eu vou detalhar um pouco mais dos aspectos gerais.
Os golpes podem ser divididos em 3 tipos, fracos, fortes e especiais. Golpes fortes e especiais consomem algo como uma mana. Você tem uma barra de life. É possível pular 2 vezes, usar um escudo e rolar. Pra quem joga Smash, sim, existem muitas semelhanças.
Além disso tudo, esse jogo tem ainda uma mecânica de Minion através de outra chamada “Bounty Points”, além de efeitos de status com marcadores. Segundo a explicação do jogo, você ganha “Bounty Points” por jogar da maneira diversificada e depois, compra “Bounty Minions”, que são criaturas que EM TESE irão lhe auxiliar na batalha, com esses pontos. Deu pra entender? Se não conseguiu não importa muito. Não faz tanta diferença assim. Vamos então falar do modo “Torneio”.
Essa batalha não faz nenhum sentido. E nem é divertida.

Bom, logo depois do tutorial que te obriga a jogar com a arqueira, eu estava bem interessado em jogar e saber se os problemas que notei eram específicos da personagem (ledo engano). Apesar disso, pra minha extrema surpresa o modo torneio não ofereceu muita distinção já que pra jogar com QUALQUER OUTRO PERSONAGEM você precisa vencer o torneio INTEIRO com ela. É. Em outras palavras, você libera os personagens 1 por 1. 30 personagens. Isso.
Mas fica melhor! A primeira personagem é a ÚNICA que você precisa vencer as 5 batalhas, porque todos os outros você pode ir direto pra batalha do chefe! Sabe o que é melhor? Você só precisa usar um golpe pra absolutamente destruir qualquer coisa no jogo. O golpe fraco. Qualquer coisa é obliterada se você encostar no canto da tela e pressionar vezes suficiente o golpe fraco. Uma das raras exceções é a arqueira que tem golpes tão lentos que é impossível usar isso a seu favor. No entanto ela pode explorar um combo aéreo que é veloz, e pronto! A inteligência é incapaz de reagir a isso, e todos os personagens se movimentam de maneira estranha o suficiente (inclusive o rolamento é hilário de tamanha a distância que percorre) garantindo que seja sempre possível vencer usando essa exploração.
Vou falar brevemente do modo desafio já que acho que mostrei descontentamento suficiente pelo modo torneio. O modo desafio consistiu (até onde pude jogar) em reunir todos os personagens e jogar contra o seu, aumentando progressivamente a porcentagem de dano que eles tem, e diminuindo a sua. Eventualmente chega o ponto em que fica praticamente impossível fazer qualquer coisa.

Uma batalha sem beleza ou canção

Primeiramente, voltemos às interfaces. A verdade é que parece que as interfaces são todas temporárias. E não digo isso porque espero que elas mudem, digo isso porque a qualidade é muito baixa. Todos os elementos da interface são pequenos, confusos, escuros sem o menor cuidado no contraste com quaisquer elementos. É tudo jogado na tela ao mesmo tempo e você, jogador, que lute (LITERALMENTE!). As ilustrações não são exatamente ruins, mas eu sou um pouco mais exigente e esperava mais.
Acho que duas coisas merecem elogio no campo visual que são: a cutscene inicial, e os modelos. Os modelos do jogo são bons o suficiente. Quero dizer, assim, que todos os jogos representados tiveram uma boa modelagem de seus personagens, o que é aparente. As animações ou os golpes podem não ter a melhor qualidade, mas a aparência geral de todos os personagens é razoável.

Já os conceitos dos personagens específicos do jogo são extremamente genéricos e esquecíveis. Nem o NOME dos personagens aparece! Apenas a franquia a que eles pertencem. Por exemplo, a personagem Gully de “Battle Chasers” está disponível, mas a única informação que você tem na tela de seleção é a logo “Battle Chasers”. Infelizmente são tantos problemas que fica difícil apreciar o jogo.
E sobre o áudio, eu não quero me estender muito. A música usada no menu é MUITO acelerada. Quando você seleciona uma opção… silêncio. Muito tempo depois sua escolha é computada. Posteriormente, numa tela de seleção de personagens é uma outra versão da mesma música, dessa vez um pouco menos agressiva. Durante o gameplay, acredito que as músicas estão associadas aos cenários. Entretanto são muito (MUITO) genéricas, e até mais calmas em geral. Sempre chiptunes, no entanto nada memorável.
E de quem é a recompensa afinal?

Eu sinceramente tive meus momentos de maior angústia em termos de jogos jogando Bounty Battle, já que era importante escrever sobre a experiência desse jogo com o máximo de detalhes, tanto para que vocês leitores tivessem acesso a argumentos que validassem a minha impressão, e que eu não permanecesse apenas nos minutos iniciais de acesso ao jogo (quando eu já tava pressentindo que não seria uma experiência prazerosa) como pra que eu não fosse injusto e cedesse a uma primeira impressão ruim. A segunda, terceira, quarta e todas as outras também foram bastante ruins. Eu lamento que um jogo que no papel fosse tão promissor pudesse ser decepcionante dessa forma, e não seria capaz de recomendá-lo.
Mas e você? Jogou Bounty Battle e acha que eu tô equivocado? Apoiou de alguma forma o jogo ou comprou? Já teve sua decepção no mundo dos jogos e jogos financiados? Cola aqui e troque uma ideia sobre sua maratona da decepção, ou sobre meus equívocos. Por fim, eu vou aqui apagar um jogo do SD.